Servir Portimão questiona fecho de Cuidados Intensivos durante pandemia

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Considerando as notícias que vieram a público sobre o encerramento da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) na unidade de Portimão do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), o Grupo Municipal Servir Portimão, liderado por Hugo Mariano, questiona esta decisão.

«O Hospital de Portimão tinha seis lugares na Unidade de Cuidados Intensivos destinados a doentes com COVID-19, número que, no entender das autoridades regionais e gestão hospitalar, seria suficiente para fazer frente à pandemia. Tanto a autoridade nacional, como a própria gestão do CHUA perspetivam a existência de uma segunda onda de contágios para breve», entende o Servir Portimão, em comunicado enviado à redação do barlavento, ao final do dia de ontem.

«A gestão hospitalar do CHUA resolveu iniciar uma obra que esperou quatro (4!) anos e que se espera que demore, no mínimo, dois meses, na Unidade de Cuidados Intensivos, transferindo os três doentes que estavam internados com COVID-19 para Faro. Não entendemos como é possível realizar, neste preciso momento delicado e altamente instável da saúde pública, uma obra que não era de todo imprescindível, tanto é que esperou quatro anos para acontecer».

«Também não percebemos porque se insiste no erro de fazer obras nos serviços exatamente na altura de maior afluência ao Algarve, visto que, com obras que se iniciam em maio e que durarão no mínimo dois meses, ocorrem exatamente durante a época que há mais pessoas no Algarve», lê-se no documento.

O Servir Portimão também critica a autarca Isilda Gomes, que também é a presidente do Conselho Consultivo do CHUA, «que aquando da sua tomada de posse afirmou que defende um reforço objetivo das valências que [o Hospital de Portimão] possui evitando desta forma também a saturação do Hospital Central a curto prazo».

Ora, «sendo esta uma valência do nosso hospital, cremos que esta decisão evidencia exatamente o contrário. A presidente da edilidade portimonense deverá zelar sempre para que os cidadãos de Portimão tenham as melhores condições de saúde, em detrimento de uma concentração de meios no Hospital de Faro».

Nesse sentido, o Servir Portimão «rejeita por completo a falta de oportunidade da gestão hospitalar do CHUA, a qual incapacita em 50 por cento a capacidade de resposta do Barlavento aos casos que necessitam de internamento intensivo»

«Além disso, as constantes notícias de falta de material de proteção para os funcionários do Hospital de Portimão continuam a perspetivar um modelo em carência continuada que inquieta qualquer cenário de aumento de casos.

«A pandemia resultante da doença COVID-19 tem uma taxa de transmissão alta exigindo bastante preparação e recursos de todo o sistema de saúde, sendo todos os hospitais as peças fundamentais na mitigação da doença. Ainda que a pandemia esteja relativamente contida na região do Algarve, a progressiva abertura do confinamento trará um aumento inevitável de casos, sobrecarregando o sistema de saúde e exigindo recursos adicionais», conclui o comunicado.