PSD Portimão critica autarquia pela promoção «avulsa» à Fórmula 1

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Carlos Gouveia Martins lançou também uma carta aberta à população depreciando os 450 mil euros gastos pelo município de Portimão para promover a prova de Fórmula 1 e MotoGP que o Autódromo Internacional do Algarve se prepara para acolher.

Se na semana passada, o executivo socialista de Isilda Gomes escreveu uma carta aberta ao tecido empresarial do concelho, dando a conhecer o programa paralelo de animação para atrair os fãs da Fórmula 1 à cidade, agora foi a vez da oposição usar a mesma estratégia.

Também em carta aberta, a Comissão Política do Partido Social Democrata (PSD) de Portimão manifesta-se «profundamente favorável à realização de grandes eventos, sinal de uma escolha inquestionável por parte de promotores, no nosso concelho».

«Reconhecemos a excelência e o mérito dos responsáveis do Autódromo Internacional do Algarve (AIA) para atrair um Grande Prémio de Fórmula 1 ou um MotoGP, sabendo o retorno económico para Portimão e a grande montra que nos abre para o mundo já no próximo fim de semana».

Dito isto, o PSD informa que «votou a favor de uma proposta de financiamento de 200 mil euros» para tornar possível a corrida, mas, «e votou contra em reunião de Câmara, como o município via executivo do Partido Socialista (PS) fez aprovar uma verba de 450 mil euros (com IVA) para promover e dinamizar o evento de F1, o MotoGP e o Natal de 2020 neste ano atípico».

Segundo as contas de Carlos Gouveia Martins, presidente da concelhia, «estes 450 mil euros representam 9 euros por cada portimonense. Cada um de nós pagará 9 euros nesta aposta de dinamização de rua em tempos de estado de Calamidade Pública, anunciada pelo primeiro-Ministro, quando as restrições a ajuntamentos são grandes e quando tão maior é a necessidade de liquidez para o comércio local e às pequenas e médias empresas» de Portimão».

«Indiretamente, apostar-se em algo quando é inverso à responsabilidade social que vivemos, não trará os benefícios diretos a nível económico que a Câmara Municipal de Portimão venderá esta semana. Paga mais o município numa divulgação em tempos de contenção social do que pagou para trazer o respetivo evento de Fórmula 1».

O PSD argumenta que «não precisamos nem devemos perder a noção de responsabilidade em torno da saúde pública e do perigo do vírus SARS-CoV-2, estejamos no Largo da Mó, na Alameda, no Jardim 1º de Dezembro ou na Zona Ribeirinha onde a Câmara Municipal entendeu montar experiências diversificadas de animação nesta altura pandémica».

Por outro lado, aquela força da oposição entende que «a verba deveria ser para um Plano Anual de Recuperação do Comércio Local».

«Se a ideia do município passava por dinamizar o centro de Portimão, poderia ser um programa incentivador anual com calendarização clara do conhecimento atempado dos empresários para que se possam preparar a nível de recursos humanos e produto/promoções de acordo com a ação a realizar. Eventos avulso e divulgados sem antecedência ninguém consegue rentabilizar, com ou sem COVID-19. E muito menos, com um estado de Calamidade que de todos exige prudência e distanciamento social».