PAN Olhão quer fogo de artifício silencioso para não incomodar os animais

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PAN quer fim do fogo de artifício com explosões em Olhão, uma «prática que se realiza mesmo em cima do Canil Municipal».

O insólito aconteceu no dia 25 de novembro, em sessão da Assembleia Municipal de Olhão quando, durante a discussão da contratação para o tradicional fogo de artifício da passagem de ano, o deputado municipal do PAN, Alexandre Pereira, questionou António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão, se em algum momento tinham sido equacionadas alternativas ao fogo de artifício com explosões.

O deputado do PAN argumentou que «esta prática se realiza mesmo em cima do Canil Municipal de Olhão, com todos os impactos para os animais ali alojados».

«Esta é a verdadeira sensibilidade que António Miguel Pina tem para a causa animal quando, em tom de gozo, sugere que se arranjem tampões e auscultadores para os animais usarem durante as explosões do fogo de artifício. Será este um dos motivos porque em Olhão continuamos a não ter as sessões da Assembleia Municipal transmitidas online e em direto, para que este tipo de comentários, habituais por parte de quem lidera o município, não sejam ouvidos pela população?», questiona Alexandre Pereira, em nota enviada hoje às redações.

«O uso de fogos de artifício é uma prática tradicionalmente usada nas celebrações. Não obstante, é hoje conhecido o impacto negativo que o ruído estrondoso tem, sobretudo nas crianças mais pequenas, em pessoas com autismo, em pessoas idosas, em pessoas com determinadas enfermidades e em animais de companhia e silvestres», diz ainda o PAN de Olhão.

Em relação aos animais, «sobretudo os cães, a sua audição é muito mais apurada que a do ser humano, fazendo com que o som dos estrondos seja percepcionado de uma forma muito mais intensa».

Ou seja, «o barulho, associado ao medo, desencadeia respostas fisiológicas de stress, por meio de ativação do sistema neuroendócrino, que resultam numa resposta de luta ou fuga, observada através do aumento da frequência cardíaca, vasoconstrição periférica, dilatação da pupila, piloereção e alterações no metabolismo da glicose», acrescenta o PAN citando dados de um estudo elaborado pela Society for the Prevention of Cruelty to Animals – SPCA Scotland.

«Os danos causados pelo barulho das explosões atingem animais domésticos mas também animais silvestres, sobretudo os pássaros. Com as explosões repentinas, os bandos de pássaros, que estão a dormir, têm uma reação instintiva de fuga que, combinada com a falta de visibilidade noturna, causa a morte de muitas aves decorrente do choque com as estruturas urbanas durante o voo».

Assim, «é urgente que se repense a utilização de fogos de artifício ruidosos, respeitando o bem-estar de todos: bebés, crianças mais sensíveis, grávidas, idosos, doentes, animais e até mesmo o ambiente. Existem cada vez mais cidades a utilizar nas celebrações fogos de artifício silenciosos, combinando este espetáculo com música de fundo e projeções audiovisuais, preservando o espetáculo de cor e eliminando o tão prejudicial ruído».

Ora «existindo alternativas que satisfazem o espírito festivo, como os fogos de artifício sem ruído ou os espetáculos de vídeo mapping e laser, impõe-se repensar a continuação da utilização de fogos de artifício tradicionais nas celebrações do município de Olhão», acrescenta Alexandre Pereira.

Neste sentido, o PAN apresentou na passada sessão ordinária da Assembleia Municipal de Olhão uma recomendação para que a autarquia proceda «a uma transição para fogos de artifício silenciosos», tendo esta sido aprovada por unanimidade.

Para o deputado do PAN, é «uma conquista importante», mas «acima de tudo, uma demonstração de que existe receptividade por parte do executivo e membros deste órgão deliberativo, para evoluir e fazer de Olhão uma referência em boas práticas ambientais e de proteção e bem-estar animal».

Foi ainda apresentada, na mesma sessão de Assembleia Municipal de Olhão, uma recomendação para a emissão online em direto, com intérprete LGP, das sessões públicas através dos meios tecnológicos disponíveis, intitulada «Aproximar a política da comunidade».