João Rebelo: «foi a tempestade perfeita» para o CDS-PP

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Centristas não conseguiram eleger um deputado ao Parlamento nas eleições Legislativas de 6 de outubro. No Algarve, o CDS-PP teve apenas 6572 votos, ou seja, 3,81 por total.

«Não cumprimos o nosso objetivo que era manter um deputado. Sabíamos que com o resultado das Europeias essa possibilidade era muito difícil, pois tínhamos tido 4,8 por cento dos votos. Mais do que dinâmicas locais que podem eventualmente ajudar, é a força da dinâmica nacional que acaba por influenciar o resultado. Houve também o surgimento de partidos à nossa direita que em parte, retiraram um pouco do nosso oxigénio eleitoral. Os votos do CHEGA, Aliança e Iniciativa Liberal somados eram suficientes para o CDS-PP ter eleito um deputado. Foi um somatório de acontecimentos e era a tempestade perfeita para o CDS, quer a nível nacional, quer a nível distrital para que tivesse um resultado muito fraco», disse ao «barlavento» João Rebelo, cabeça de lista centrista pelo Algarve.

«Em final de agosto o PSD estava numa posição muito complicada. Mas canalizou-se o voto contra no PSD e quando uma campanha é tão bipolarizada como esta foi, aliás, há muito que não se via isso, era muito difícil. Agora, é olhar para a frente. O CDS já teve bons e maus resultados no Algarve. Já teve pior e já teve bem pior. O nosso foco será as autárquicas em 2021», acrescentou.

Para João Rebelo, o Partido Socialista «está já no meio de num segundo ciclo e estes são sempre terrivelmente difíceis eleitoralmente com os partidos que estão a governar. Também há muitos presidentes de Câmara que estão a terminar o mandato e não se podem candidatar. Alguns até foram eleitos nas listas do PS. Ou seja, há uma mudança de ciclo que vai acontecer em algumas autarquias».

«Os resultados eleitorais que em 2017 foram muitos custos em vitórias vão tornar várias autarquias em possibilidade de mudança e o CDS vai focar a sua intervenção nos próximos dois anos, em poder ser parceiro dessa mudança. Ou sozinho, tentando ganhar músculo próprio. Esta será a nossa postura nos próximos dois anos», garante.

Apesar do foco no tema da saúde e da economia, João Rebelo reconhece que a mensagem não passou. «Temos que perceber que as soluções que apresentamos, que eram parcerias com o privado para resolver as lacunas do Sistema Nacional de Saúde no Algarve, se calhar não caíram» bem no eleitorado. «Era uma posição claramente divergente da perspetiva do PS e da esquerda, e também, em parte, à do PSD, que não era tão afirmativa em relação a isso».

«Espero sinceramente que esse problema se venha a resolver, e espero que as pessoas não fiquem com uma sensação de frustração. Lamento mais uma vez a abstenção, que é enorme no Algarve, maior do que a média nacional. Há um claro divórcio, não participativo, que deveria ser mais estudado e combatido por parte dos partidos. Mas isso é um problema que já se arrasta há várias eleições e parece que não tem solução à vista», lamentou.