Governo «despreza o Algarve» acusa o Bloco de Esquerda

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O Bloco de Esquerda (BE) lamenta que Plano de Emergência Social e Económico para o Algarve, aprovado há sete meses, ainda não tenha saído do papel.

No início do verão passado o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda apresentou, na Assembleia da República, um Plano de Emergência Social e Económico para o Algarve, o qual foi aprovado e existe uma Resolução nesse sentido. Mas, diz o BE, o governo fez «tábua rasa» da Resolução n.º 51/2020, de 19 de junho, ou seja, «o governo desprezou o Algarve».

Em comunicado enviado à redação do barlavento, o BE recorda que no dia 7 de julho de 2020 o ministro da Economia e da Transição Digital, numa audição no Parlamento, referiu que o governo «estava a preparar um Plano para enfrentar as consequências da quebra do turismo», devido à COVID-19, e que «era necessário dirigir uma atenção muito especial à região do Algarve, extremamente dependente da atividade turística».

No entanto, «passaram sete meses e nada! Da parte do governo não há plano nenhum! Ou seja, o governo faltou à palavra dada, continuando assim a desprezar o Algarve, os seus trabalhadores e as suas populações».

Foi isso deputado João Vasconcelos, eleito pelo Algarve, disse ao ministro da Economia, em nova audição na Assembleia da República na quarta-feira, dia 10 de fevereiro.

O ministro foi ainda questionado se, afinal, o governo tem mesmo algum Plano para o Algarve e para quando, que verbas vão ser disponibilizadas e onde vão ser aplicadas para retirar a região da crise.

Sobre o plano, segundo o BE, «o ministro nada disse, apenas referiu que era preocupação do governo que houvesse um reforço de verbas para a região proveniente das instâncias europeias. E assim de uma penada arrumou com o Plano de recuperação para o Algarve».

O Bloco de Esquerda, contudo, «não aceita que o governo tenha esquecido o Algarve, que continue a desprezar os seus trabalhadores, as suas micro e pequenas empresas, as suas populações. E tudo irá fazer para que o Plano de Emergência Social e Económico que apresentou e foi aprovado no Parlamento, seja implementado com urgência. Afinal, Plano já existe e o que o governo deve fazer é cumpri-lo quanto antes, para aliviar o sofrimento do Algarve e das suas gentes».

Ainda no mesmo comunicado, o BE lembra que o Algarve é «a região do país em que devido à pandemia e também por força da monocultura do turismo, está a atravessar uma das maiores crises da sua existência e que se vai agravar ainda mais».

Neste momento, «são mais de 31 mil desempregados na região e centenas, ou até mesmo milhares de micro e pequenas empresas, ou já não abrem ou estão em risco de encerrar definitivamente, aumentando a chaga social do desemprego e da pobreza».

O BE apela a que seja aplicadas «medidas de fundo com urgência para salvar os empregos, as famílias, as empresas, o Algarve. Há que aproveitar o momento e tomar, igualmente, medidas estruturais, mais investimento público para reforçar o Serviço Nacional de Saúde, melhorar os serviços públicos, melhorar a mobilidade, combater as assimetrias e a interioridade regional, apostar na diversificação económica».