Chega poderá vir a não concorrer a Portimão nas autárquicas

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Distrital e concelhia do Chega não se entenderam no número dois à Câmara Municipal de Portimão. Candidato Carlos Natal foi exonerado e promete retaliar. Garante que partido perderá votos se não for o cabeça de lista à autarquia.

João Graça, presidente da Comissão Distrital de Faro do partido Chega informou a redação do barlavento, na quinta-feira, dia 24 de junho, que, em reunião extraordinária realizada no dia 5 de junho, que contou com a presença dos elementos diretivos e de todos os elementos da coordenação da concelhia de Portimão, foi votada a exoneração de Carlos Natal, quer do cargo que detinha naquela estrutura, quer na candidatura à Câmara Municipal de Portimão, nas próximas eleições autárquicas.

Em comunicado, João Graça explica que «esta exoneração surge em virtude da recusa de Carlos Natal em seguir os procedimentos internos definidos pela Direção Nacional, não só mas também relativamente aos processos de candidatura e elaboração das listas às autárquicas e por ter demonstrado uma conduta em nada condizente com o exigido a um qualquer dirigente ou militante do partido Chega».

Segundo o presidente da distrital, Carlos Natal, «ainda antes de a reunião acontecer, manifestou a decisão de retirar a candidatura se as suas exigências não fossem atendidas, ainda que tendo pleno conhecimento que estas não estariam de acordo com os procedimentos anteriormente estabelecidos e comunicados, para a elaboração das listas. A juntar aos factos, abandonou a reunião em plena sessão, não deixando assim outra alternativa» aos responsáveis, «que não a sua exoneração da coordenação da concelhia e candidatura à Câmara Municipal de Portimão».

João Graça, presidente da Comissão Distrital de Faro do partido Chega.

Acrescenta ainda que «ao contrário do divulgado por Carlos Natal, este teve conhecimento das razões da sua exoneração desde a reunião extraordinária de dia 5 de junho, que o mesmo reconhece em email por si enviado à Direção da Distrital no dia 11 de junho, com um pedido de desculpas pelo seu comportamento na dita reunião».

A Direção da Distrital de Faro «tem ainda a lamentar a conduta de Carlos Natal em relação ao incidente ocorrido num restaurante e que culminou com a apresentação por este de uma queixa contra elementos da PSP de Portimão. O Chega defende e apoia as forças de segurança» e como tal «sente-se na obrigação de apresentar publicamente um pedido de desculpas à PSP de Portimão, informando que não se revê com a conduta e postura » do militante exonerado.

«Não serão aceites condutas ou ações impróprias de um qualquer dirigente ou militante do Chega que comprometam o trabalho que vem a ser feito por um partido que pretende ser um exemplo para a sociedade, mesmo que isso implique o risco de poder não concorrer às eleições numa qualquer autarquia».

O partido declarou «este assunto por encerrado», mas o barlavento falou com Carlos Natal que conta uma versão diferente.

«A comissão concelhia de Portimão demitiu-se em bloco, logo que fui exonerado pela comissão Distrital. A Distrital nomeia e, por conseguinte, pode exonerar o coordenador, embora o tenha feito sem apresentar, oficialmente, qualquer razão, o que é algo surreal. Mas não tem competência para exonerar o candidato à presidência da Câmara, como fez. Só a Comissão Nacional o poderá fazer. Já recorri para o conselho de jurisdição do partido», começou por explicar o candidato litigante.

Segundo revelou ao barlavento, a razão da «guerra» entre a Distrital do Chega e o seu candidato à Câmara de Portimão, segundo este, é a «recusa» daquela comissão em aceitar a militante Cláudia Gonçalves na lista, em segundo lugar, quando a mesma foi convidada por Carlos Natal e aprovada por toda a concelhia portimonense.

Ao barlavento, Carlos Natal manifestou-se «perplexo» até porque «a referida militante esteve no último congresso como observadora pelo Algarve e foi nomeada pelo presidente André Ventura para o cargo de conselheira nacional do partido. Que razões tem o presidente da Distrital de Faro para recusar numa lista autárquica uma conselheira nacional?», questionou.

«Fartei-me de pedir, mas não deu. A comissão local, que esteve na reunião do dia 11 de junho, quase por unanimidade (10 de 11 membros), pode confirmar as minhas afirmações, que respondi a tudo o que me foi perguntado, que pedi várias vezes uma razão para não incluir a militante, sem obter resposta, e que não abandonei a reunião. Logo, há algo muito estranho, nesta situação», apontou.

Mas o candidato (ou melhor, ex-candidato) vai mais longe, dizendo que toda esta confusão vai criar problemas à candidatura do Chega em Portimão, que pode até vir a não acontecer, por falta de tempo para resolver o problema até à data-limite para a apresentação das listas, uma vez que toda a concelhia abandonou o projeto.

«Numa estatística recente, o Chega ocupa o primeiro lugar, com mais três pontos percentuais do que o Partido Socialista (PS), o que nos dá grandes hipóteses de conquistar a Câmara Municipal de Portimão. Mas tenho recebido mensagens e telefonemas de muitas pessoas a dizer que, se não for eu o candidato, não votam no Chega», garantiu.

«Logo, há algo muito esquisito nesta atitude do presidente da Distrital. Até parece que não quer que conquistemos o poder. É uma situação surreal que eu, como militante fundador do Chega, com o número 84 e um dos primeiros no Algarve, que interiorizei o projeto e sempre o defendi, não consigo compreender», concluiu.