CDU critica a ampliação do Porto de Recreio de Olhão

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Coligação Democrática Unitária (CDU) está apreensiva com o alargamento do Porto de Recreio de Olhão frente à Zona Ribeirinha.

O alargamento do Porto de Recreio de Olhão, com a criação de 102 novas amarrações para embarcações de recreio frente à Zona Ribeirinha, «confirma no essencial a aposta dos executivos da Câmara Municipal de Olhão no turismo, no desenvolvimento de sentido único para a cidade e aponta para uma cada vez maior descaracterização da cidade».

«Apesar das garantias do executivo municipal de que em nada será afetada a paisagem da frente ribeirinha, em particular frente aos Mercados, não nos deixa indiferente o caminho que foi acarinhado e estimulado em relação ao projeto para a cidade. Caminho que tem afastado trabalhadores da Ria, os pequenos negócios da baixa e os moradores locais do centro da cidade», repara a CDU.

«Registando a importância que a Náutica de Recreio tem para o nosso concelho, não podemos deixar de transmitir a preocupação de que este desenvolvimento está a ser feito às custas das atividades económicas historicamente importantes para o concelho, que têm sido alvo de fortes restrições nos últimos anos, como é o caso das interdições da apanha de moluscos bivalves, na Zona OLH3, há mais de 8 anos, onde existem mais de uma centena de viveiros de amêijoa-boa cujos concessionários estão proibidos de exercer a sua atividade profissional».

Assim, critica aquela força da oposição, «os problemas identificados para esta interdição, em particular o aumento da poluição e as descargas para a ria, não têm a devida resposta por parte das entidades competentes! Chegando a admitir não tomar qualquer medida de proteção ambiental para diminuir o impacto ambiental da construção do Porto de Recreio e o aumento de 102 embarcações nesta zona».

Neste sentido, a Comissão Coordenadora da CDU Olhão quer saber, «após mais de 8 anos sem actividade de marisqueiro/viveiros da zona OLH3, não temos qualquer resposta a este problema. Que medidas estão a ser tomadas pelas entidades competentes para garantir a recuperação da Ria para permitir o regresso ao trabalho de mais de uma centena de concessionários que ali detêm viveiros? Que soluções são apresentadas para o amplamente conhecido problema das descargas para a ria? Vamos continuar por mais quanto tempo sem qualquer ação promovendo estudo após estudo?».

A CDU «irá continuar a lutar por um verdadeiro desenvolvimento económico do concelho, sem esquecer a atividade do turismo, mas sem promover a sua monocultura, e defendendo aqueles que trabalham a Ria Formosa há séculos e a têm defendido. Defendemos a tomada de medidas imediatas que possam resolver o problema da poluição da Ria Formosa, protegendo a maior riqueza natural do nosso concelho».