CDS/PP Portimão exige demissão de Isilda Gomes após vacinação

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José Pedro Caçorino exige demissão da autarca e ameaça com moção de censura.

O CDS/PP Portimão emitiu uma posição pública, na sequência das notícias sobre a vacinação contra a COVID-19 que envolvem Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão. Segundo o partido, «os portimonenses não podem aceitar tratamentos de favor».

Para o vereador José Pedro Caçorino, do CDS/PP, «o contexto e os invocados motivos» em que terá decorrido a vacinação de Isilda Gomes contra a COVID-19 «constituem um exemplo grave e inaceitável de um tratamento de favor (no caso, a administração das duas doses de uma vacina que ainda não chegou a muitos cidadãos que são doentes de risco ou estão verdadeiramente em situação de risco), que no caso, beneficiou a última pessoa que poderia e deveria ser beneficiada».

Em comunicado enviado à redação do barlavento, o vereador considera que «o exercício de cargos e responsabilidades públicas deve ter na sua base o cumprimento escrupuloso de deveres éticos, cívicos e legais, sendo tal exercício incompatível com comportamentos e a obtenção de benefícios que, a coberto de serviços a favor da comunidade, mais não são do que aviltantes ofensas e faltas de respeito pelo comum dos concidadãos».

Por isso, no entender do vereador, «por mais comunicados públicos que sejam agora publicados à pressa, com desculpas inacreditáveis ou por mais declarações que sejam feitas pelos comissários políticos do costume (ocupem eles ou elas as funções que ocupem), ficou claro para a opinião pública do nosso concelho que Isilda Gomes, não tendo qualquer contacto de risco com doentes de COVID-19 no âmbito do seu trabalho de voluntariado, beneficiou ilegal e ilegitimamente de um benefício público (uma vacina, que neste momento é escassa!), o que configura uma situação gravíssima de abuso de poder, que fere de morte a sua credibilidade pública e política, comprometendo a confiança que alguns cidadãos ainda poderiam ter no seu trabalho e a sua legitimidade política para o exercício do cargo».

O vereador diz ainda que a autarca «não tem quaisquer condições políticas para continuar a exercer o cargo. A pretexto do seu invocado trabalho de voluntariado (sem contacto direto ou presencial com doentes COVID-19), é imperioso que diga quantos cidadãos do nosso concelho maiores de 69 anos e com problemas mais graves que a obesidade ou a hipertensão arterial estão já vacinados! Na verdade, a partir de agora e perante estes factos, com que legitimidade ou autoridade poderá a mesma pedir sacrifícios aos cidadãos do seu concelho ou, sequer, que os mesmos cumpram os deveres de contenção do risco de propagação da COVID-19?».

Desta forma, «consideramos que a Ética Republicana, tão cara aos militantes do Partido Socialista, impõe que Isilda Gomes apresente um pedido de desculpas público aos portimonenses e que renuncie ao seu cargo, sendo esta a única forma de sair das suas funções com uma réstia de dignidade. Os eleitos locais do CDS-PP irão aguardar até ao fim desta semana pela tomada de tal posição, sob pena de terem que apresentar na Assembleia Municipal de Portimão uma moção de censura» contra a autarca.