Bloco de Esquerda quer declarar Algarve como região de Catástrofe Social

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Bloco de Esquerda (BE) solicitou ao governo que declare o Algarve como região de Catástrofe Social e Económica.

O deputado João Vasconcelos, do Bloco de Esquerda, numa audição ontem com o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, quis saber se o governo vai intervir junto dos empresários para acabar com o problema dos salários em atraso e que atinge já centenas de trabalhadores.

Face à avassaladora crise que afeta o Algarve, o BE questionou o governo se vai declarar o Algarve como uma Região de Catástrofe Social e Económica, reforçando os apoios à economia regional.

Considerando a situação específica do concelho de Portimão, obrigado ao prolongamento do confinamento pelo governo, deve o referido concelho ter direito a apoios suplementares para ajudar a mitigar a crise e, neste caso, se está disposto a conceder esses apoios.

Segundo o BE, o ministro da Economia respondeu que o governo «iria reforçar os apoios aos empresários do concelho de Portimão por estarem sujeitos a um período de maior confinamento».

Como resultado da pandemia, a crise económica e social abateu-se de forma dramática sobre o país.

Há regiões onde essa crise é ainda mais grave, como o Algarve, que está a atingir uma dimensão de catástrofe.

Por força da monocultura do turismo, mais de 80 por cento da economia regional encontra-se direta, ou indiretamente, dependente do sector, o que tem contribuído para o avolumar da crise.

Só no ano de 2020 a atividade turística apresentou uma quebra de 800 milhões de euros, estimando-se que os bens transacionáveis gerados pelo turismo no Algarve tenham diminuído mais de 5 mil milhões de euros.

Muitas empresas já não vão abrir portas, o que irá potenciar a chaga do desemprego que, neste momento, já atinge mais de 35 mil pessoas.

Regressaram os salários em atraso, a precariedade laboral e os baixos salários continuam a persistir.

Uma das situações graves de salários e subsídios em atraso que atinge centenas de trabalhadores acontece no Grupo Hoteleiro JJW Hotels & Resorts, propriedade de um sheik árabe que detém dois hotéis de cinco estrelas, o D. Filipa em Vale de Lobo e o Hotel Penina em Alvor, bem como o Formosa Park, no Ancão e dois campos de golfe, San Lorenzo e Pinheiros Altos, na Quinta do Lago.

Os apoios do governo têm sido muito insuficientes para acudir ao Algarve e o plano de recuperação anunciado ainda não saiu do papel. É necessário o reforço de medidas extraordinárias para salvar os empregos, para recuperar a economia do Algarve.

Por outro lado, há concelhos na região que se encontram numa situação ainda pior, como Portimão, devido ao prolongamento do confinamento imposto pelo governo.