BE: Para o Algarve as promessas ainda não passaram do papel

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O Bloco de Esquerda (BE) Algarve critica o governo que anunciou um plano de recuperação para o Algarve, mas o mesmo ainda não passou  do papel.

«Há cerca de um ano, quando começou a pandemia, que se fala na tal bazuca de muitos milhões de euros, os quais viriam inundar o país para combater a crise. Uma coisa é certa: já se passou um ano, a crise alastra e agrava-se cada vez mais e nem um cêntimo chegou ainda ao país. Os eurocratas, as instituições europeias, pelos vistos, não estão preocupadas com a crise que castiga sempre os mais débeis e necessitados», considera o Bloco de Esquerda (BE) em comunicado enviado à redação do barlavento.

«A pandemia pôs a descoberto as debilidades do país e, muito em particular, regiões como o Algarve que vive quase exclusivamente do turismo. É a região onde o desemprego mais aumentou. Já são mais de 35 mil desempregados e há milhares de micro e pequenas empresas que irão à falência, aumentando ainda mais as pessoas sem trabalho, se não forem devidamente apoiadas», acusa aquela força parlamentar.

«O governo anunciou um plano de recuperação para o Algarve, mas ainda não passou do papel. Há que apoiar, com urgência, os trabalhadores, famílias e empresas. Há que aproveitar o momento para fazer os investimentos que o Algarve necessita, nomeadamente para a modernização dos serviços públicos, a construção do novo Hospital Central, o combate à desertificação e à interioridade regional, os apoios para a pequena produção agrícola e para a modernização da frota pesqueira e das suas infraestruturas, a aposta nas energias renováveis e nas novas tecnologias, uma melhor mobilidade, a concretização do plano de eficiência hídrica para fazer face à falta de água e às alterações climáticas», lê-se no comunicado.

Para o BE, «fala-se e escreve-se muito sobre os muitos milhões de euros que virão para o Algarve, no âmbito do Plano Regional Operacional, do Plano de Recuperação e Resiliência, do Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha/Portugal e de outros planos, mas nada chegou ainda à região».

Mas, questiona o Bloco, «qual o montante e quando chegarão tais verbas ao Algarve? Que setores irão ser apoiados?».

Todas estas questões foram colocadas ao ministro do Planeamento na quarta-feira, dia 24 de fevereiro, em audição na Assembleia da República, pelo deputado João Vasconcelos, eleito pelo Algarve, do Bloco de Esquerda.

Às questões colocadas, «o ministro pouco adiantou, dizendo o que já se sabia. Que no âmbito dos fundos estruturais o Algarve iria receber uma verba adicional de 300 milhões de euros, conseguida em reunião do Conselho Europeu onde se negociou o Plano de Recuperação e Resiliência».

No entanto, «nada se sabe quando chegarão estes fundos, que serão muito insuficientes, e quais os sectores e atividades a apoiar. Enquanto isto o Algarve, os seus trabalhadores, famílias, empresas, populações, vão morrendo lentamente, mergulhados numa brutal crise económica e social e que ainda não bateu totalmente no fundo. As consequências serão catastróficas e devastadores se o governo não atuar de forma rápida e adequada», conclui o comunicado do Bloco de Esquerda.