Algarve quer ser destino turístico seguro de COVID-19

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Presidente da AMAL sublinha que o Algarve tem sabido manter a pandemia sob controlo. A segurança sanitária poderá alavancar o turismo e recuperação que a região tanto precisa, ainda que com limitações. Pina defendeu também o lema «Algarve Covid Free».

Numa altura em que a pressão do isolamento social já começa a atingir limites psicológicos e sobretudo financeiros, o autarca de Olhão e presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve manifesta alguma esperança a curto prazo. «Vamos tentar abrir, vamos ver se somos bem sucedidos. A verdade é que a experiência destes dois meses de confinamento, deu-nos mostras que o Algarve está bem preparado. A saúde rotinou alguns procedimentos, apetrechou-se melhor, e isso dá-nos algumas garantias que podemos aguentar, eventualmente, um aumento do número de casos. Agora, o sucesso da região vai além disso», disse na conferência de imprensa semanal na sede do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, em Loulé, na sexta-feira, dia 24 de abril.

Antecipando o verão que se aproxima, Pina disse que «temos de ir dando passos, um de cada vez. As fronteiras irão abrir no dia 4 de maio e depois poderemos abrir o espaço aéreo europeu. Tudo isto terá que ser escalonado do ponto de vista da saúde». Mas o mais importante é que «o Algarve tentará criar as suas regras de boas práticas, seja nos espaços públicos, nos restaurantes, nos hotéis, porque aquilo que temos conseguido construir (até ao presente) é a ideia de que o Algarve continua a ser seguro. Já não estamos a falar no ponto de vista do terrorismo e do banditismo, pois tivemos sempre essa imagem, mas que é seguro na perspetiva da doença COVID-19», sublinhou.

«Os turistas nacionais e internacionais, ao virem para o Algarve, têm de ter a perceção de que aqui conseguem, com algumas limitações, passar os seus dias de férias, sem se colocarem em risco. Temos de construir isto. Não existem manuais já feitos. Temos de chegar a este equilíbrio que é desejável. Queremos um Algarve COVID Free», disse.

Também presente na conferência, Ana Cristina Guerreiro, delegada regional de Saúde do Algarve, não contrariou o autarca, mas revelou preocupação, sobretudo quando questionada sobre o usufruto do melhor que a região tem para oferecer na época alta.

«As praias, permitindo uma aproximação das pessoas, são um local também onde se vai transmitir COVID-19. Não gostaria de ver muita gente aglomerada. Terá de haver áreas delimitadas para as pessoas não estarem em cima umas das outras. Tem que haver um planeamento prévio para que isso não aconteça. Penso que temos tempo para decidir em relação às regras de utilização das passadeiras, das gaivotas, dos equipamentos (coletivos), das boias. Tudo tem de ser pensado e equacionado».

Já António Miguel Pina devolveu a chuva de perguntas aos jornalistas. «Todos nós, enquanto cidadãos, como é que nos vamos sentir seguros? Este trabalho de pensar sobre as praias está a ser feito. Nós, autarcas do Algarve pensamos que poderá haver regras diferentes, em função da nossa situação epidemiológica que é distinta do resto do país. O que nós queremos é construir a nossa solução, apresentá-la ao governo e discutir a razoabilidade da proposta com a saúde pública. Mas o problema vai muito além das praias. São os pequenos e grandes festivais, as discotecas, os bares, o bailarico da aldeia, tudo isso tem de ser pensado. Claro que a tendência é abrir o máximo possível, mas teremos que criar regras. O Algarve tem condições para ter regras diferentes do resto do país», sublinhou.

José Apolinário e Paulo Morgado.

«A única condição que defendo é criar situações para que as pessoas se sintam seguras. Queremos que os turistas venham e se sintam seguros». Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, fez uma intervenção mais prudente.

«O futuro não vai ser igual ao passado, quer na sociedade, quer nos nossos serviços de saúde. A doença não irá desaparecer tão cedo, vai ficar connosco durante muitos meses até se encontrar uma cura, um tratamento eficaz ou uma vacina».

Até 6 de maio deverá ser apresentado um Manual de Boas Práticas pela Comissão Técnica de Acompanhamento das Águas Balneares, com medidas que reforcem a segurança e a confiança de turistas, trabalhadores do sector e residentes.