Algarve e os trabalhadores da Ryanair «não são descartáveis» diz PCP

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O Secretariado da Direção da Organização Regional do Algarve (DORAL) do Partido Comunista Português (PCP), «ao mesmo tempo que manifesta a solidariedade com os trabalhadores da Ryanair, exigindo a reintegração dos trabalhadores despedidos e o respeito pelos direitos de todos os trabalhadores da empresa (incluindo com o cumprimento da legislação nacional), reclama do governo uma atitude firme que ponha fim à impunidade com que esta multinacional atua no nosso país».

Em nota enviada ontem, dia 16 de janeiro, às redações, o partido lembra que a «Ryanair procedeu, no início deste ano, a um despedimento colectivo no Algarve de mais de 80 trabalhadores. Estes tripulantes de cabine, cujo contrato de trabalho estava celebrado com a Crewlink (empresa de trabalho temporário ligada ao próprio grupo Ryanair), são atirados desta forma para o desemprego, confirmando uma política de afronta e violação sistemática dos direitos dos trabalhadores na qual se funda o modelo de negócio desta multinacional».

Os comunistas apontam que «este é só mais um dos muitos atropelos que a Ryanair tem vindo a impor aos direitos dos trabalhadores. Foi assim quando durante largos anos se recusou a reconhecer a legislação portuguesa no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores afetos à operação da empresa em Portugal, que só veio a reconhecer depois de uma intensa luta dos trabalhadores, embora continue sem a aplicar na sua totalidade. E tem sido assim, com a manutenção de elevados níveis de precariedade, com as constantes manobras de pressão, coação e ameaça sobre os seus trabalhadores, impondo a desregulação de horários ou não reconhecendo os seus direitos de organização sindical».

A Ryanair «é também conhecida pela recente chantagem que efetuou junto do país, ameaçando com o abandono da base localizada em Faro. Uma atitude, tão mais inaceitável quanto esta companhia de aviação tem vindo a receber ao longo dos anos largos milhões de euros de recursos públicos, incluindo de fundos comunitários, em nome do turismo e da abertura/manutenção de rotas».

O PCP vai mais longe e considera que se trata de uma «chantagem sobre a região do Algarve e o país, desrespeito pelos direitos dos trabalhadores, violação da Lei e da Constituição da República Portuguesa, despedimento arbitrário de dezenas de trabalhadores é este o percurso de uma multinacional que atua com completa impunidade sem que se conheça qualquer intervenção do governo que não seja a de dar cobertura, em nome do turismo, a estes processos».

«Nem a região do Algarve nem o país, podem estar à mercê dos interesses dos acionistas desta ou de outras multinacionais. A defesa do Turismo em Portugal, reclama uma política que respeite e valorize os direitos dos trabalhadores e que não fique dependente das multinacionais e das suas operações de chantagem».

Neste sentido, o PCP irá questionar o governo na Assembleia da República sobre as medidas necessárias para garantir os direitos dos trabalhadores e os interesses do algarve e do país.