Abel Zua candidata-se para «devolver» Albufeira à população

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Abel Zua, Comandante dos bombeiros voluntários candidata-se à Câmara Municipal pelo movimento independente «Albufeira Prometida».

Define-se como apartidário, muito próximo e conhecedor da população devido ao cargo que ocupa e à profissão que desempenha. «Vivo de muito perto os diferentes problemas deste concelho. Nesta candidatura somos um conjunto de pessoas bem intencionadas que acha possível fazer diferente e melhor para o bem comum, sem outros interesses associados, e contribuir para resolver as necessidades das pessoas locais, o que hoje não está a acontecer», começa por explicar ao barlavento.

Apresenta-se com um programa que ambiciona melhorar a qualidade de vida no concelho e questiona as promessas eleitorais anteriores que ficaram por cumprir.

«Sinto que estou num campeonato desigual porque não sou um profissional da política» diferencio- -me «de alguém que também se declara independente, mas que já vem de uma máquina política, com conhecimento e know how que nós não temos», compara Abel Zua.

A ideia-chave do movimento é que «Albufeira tem de ser devolvida às pessoas, aos residentes, para que haja melhor qualidade de vida neste concelho. Na área da saúde é obrigação do autarca conhecer a evolução demográfica e exigir que a administração central adeque as respostas às necessidades da população. Albufeira precisa de um Centro de Saúde novo. Os contentores que ali estão hoje são uma resposta improvisada para um problema que não foi antecipado nem planeado», considera.

 

Isto porque existe uma camada de população flutuante, estrangeira, que serve a hotelaria e os trabalhos sazonais e que se instalou no concelho, embora não seja considerada nas estatísticas.

«Albufeira é dos concelhos do Algarve que mais comunidades migrantes tem. Estão cá e preocupa-me muito a ação social porque os mecanismos não estão a funcionar, não há cruzamento de informação. As pessoas chegam, obtêm um visto de residência no SEF, mas não contam como um ativo», lamenta.

O caso do Centro de Saúde de Albufeira é apenas um exemplo. «Está subdimensionado e ainda tem de responder esta população que não conta em lado nenhum. Há muitos problemas por resolver e quando falo em devolver Albufeira às pessoas também olho às questões do saneamento, do urbanismo, da mobilidade. Penso que temos condições, pelo menos, para promover uma reflexão séria sobre a importância de devolver um conjunto de necessidades básicas aos cidadãos de Albufeira, seja ao nível dos espaços verdes, das áreas de lazer, da cultura, e de uma forma integrada», diz Abel Zua.

«É nosso objetivo fazer com que Albufeira tenha um centro cultural, que possa ser uma residência de artistas, locais e outros, que possa ser uma porta aberta para o mundo, uma referência durante o ano inteiro». E já que se fala em sazonalidade, «instalou-se aqui uma cultura com a qual eu não concordo. Num ano normal, a partir da Páscoa até ao final do verão, a economia funciona. Depois fecha tudo. A autarquia tem de ser um mediador. Sem serviços assistenciais ao turismo não se consegue promover Albufeira o ano inteiro», critica.

Zua mostra-se também crítico com a governança municipal. «Há uma má imagem do funcionário público em Albufeira. A Câmara funciona mal. Ponho em causa quem administra. As falhas estão na organização, no investimento em capacitação e formação das pessoas e na modernização dos serviços. A segunda preocupação desta candidatura é melhorar a eficiência dos serviços autárquicos para se poder capitalizar uma melhor resposta direta ao munícipe».

No que toca ao empreendedorismo e à diversificação do tecido económico, «tem de haver uma forma de registar as micro, pequenas e médias empresas de Albufeira que do ponto de vista social, garantem a empregabilidade de muitas famílias. E criar um regulamento que possibilite que, sempre que se lança um concurso, seja pequeno, médio ou grande, lhes dar oportunidade. Por norma, são as grandes empresas externas que ganham os contratos, e que por sua vez acabam por fazer subcontratação de empresas locais», sugere.

«Desde há 20 anos que Albufeira se focou no lema de ser capital do turismo e esqueceu-se de trabalhar tudo o resto. Houve uma perda de identidade. Olhando para população percebe-se que os munícipes se desligaram e deixaram de ser um contributo para a resolução dos problemas», diz ainda.

Agora, numa altura em que a pandemia está a deixar um rasto negativo sem precedentes na atividade turística, «esta poderá ser uma janela de oportunidade para se mudar este paradigma. Aliás, no nosso programa fazemos uma viagem pelo passado recente, por aquilo que foram promessas eleitorais que não foram concretizadas e tentamos promover um futuro melhor. A atual situação tem de nos mobilizar a todos. É claro que o turismo vai continuar a ser o principal motor, mas existe todo um potencial em Albufeira que não está a ser aproveitado».

«É preciso coragem»

Abel Zua afirma que é preciso «coragem» para avançar como independente às eleições autárquicas e não esconde as pressões.

«Estamos a ser vítimas de muita coisa nesta altura. Diria que estão a tentar, sobretudo os profissionais da política, desestabilizar. O nosso programa é só este: devolver Albufeira às pessoas e devolver pessoas a Albufeira sem nunca nos esquecer aquilo que é o motor da economia. No início assustava-me quando me diziam que era preciso ter coragem. É verdade. Não nos vamos entregar a radicalismos. Somos pessoas de bem a fazer a diferença e é nisso que estamos mobilizados», sublinha.

«Dou-me bem com todos os presidentes de junta de freguesia e já lhes disse que identificámos que o grande problema do concelho de Albufeira está em dois órgãos, o executivo camarário e a Assembleia Municipal. Respeito todos os atores políticos do passado por tudo aquilo que fizeram. Certamente que a cada momento tentaram fazer o melhor. O que queremos fazer é repor normalidade neste exercício de serviço público. Não é um assalto ao poder», conclui.

Passagem de ano «só dá despesa»

Falando com base na sua experiência de trabalho em Albufeira, Abel Zua mostra-se muito crítico em relação à forma como as grandes festas de passagem de ano são organizadas, sobretudo porque não envolvem a comunidade empresarial local com a devida antecedência. Por isso, considera que são acontecimentos avulsos e pouco rentabilizados.

«Tem noção que as festas de passagem de ano não trazem nada para os residentes de Albufeira? Chegam 100 mil pessoas naquela noite e vão-se logo embora no dia seguinte. O que fica é apenas trabalho e despesas. E porquê? Porque a cidade está praticamente fechada», responde.

«Já critiquei isto várias vezes. Será que o município, quando planeia o programa de fim de ano, tenta, seis meses antes do evento, falar com o universo do comércio, hotelaria e restauração? Seria bom dar incentivos para que estivessem abertos, pelo menos, alguns dias antes da festa. Poderia haver um conjunto de iniciativas para dinamizar e dar vida à baixa da cidade. Poderia ser uma forma de garantir que quem vem passar o ano connosco, pudesse ficar cá durante mais algum tempo, com a garantia que teria alojamento, restaurantes abertos, e até vários momentos culturais durante a estadia. Mas isto não acontece porque os empresários locais não são envolvidos e é pena», sublinha.

«O que temos é uma enxurrada de 100 mil pessoas numa noite, o que representa um grande problema logístico e depois fica tudo para limpar e normalizar. Não se vê estas pessoas chegarem quatro ou cinco dias antes da festa. Chegam, partem e deixam uma despesa efetiva».