Um «deus» low cost!

  • Print Icon

O caso (os meus netos diriam, a cena!) conta-se depressa, mas a reflexão, essa, tem séculos de análise e creio que não terminará tão cedo.
Passou-se para as bandas do Brasil, mas como verão, podia ter acontecido em muitas partes do mundo.

Basta que haja meninos dormindo na rua e a vender uma qualquer bugiganga, para não parecer que estão mendigando. Um menino a mendigar incomoda a nossa consciência social, mas se andar a vender qualquer coisinha pode ocultar um futuro de grande empreendedor (conhecemos alguns que começaram assim e hoje dão cartas na economia portuguesa! Não nos lembramos dos milhões que vegetaram e morreram como nasceram, despidos de tudo, mas acima de tudo, de afeto e atenção social).

Passeava-me eu, numa daquelas noites cálidas, numa feirinha de artesanato, quando um menino,talvez com 6/7 anos, pretendeu vender-me chicletes por dois reais. Aceitei a proposta e entreguei seis reais.

De seguida, como bom empreendedor, o menino fez entrega do seu produto. Aceitei para não pôr em causa o vínculo contratual e, de imediato, ofereci-lhe as três chicletes. Assim não lhe feri a dignidade pessoal, nem o brio profissional! O menino sorriu, que sorriso, deus meu! E partiu, não sem antes, ao virar da esquina, se benzer! É aqui que começa a minha verdadeira história!

A que deus agradecia aquele menino?

Ao deus grande e todo poderoso, mas que o fez nascer na pobreza e aí o conservará muito provavelmente ou a um pecaminoso humano que, por brevíssimos momentos, foi um «deus menor», um simples «deus» low cost que lhe proporcionou um fugaz momento de alegria e a mim um eterno sorriso divino????

PS: Vou ter que regressar depressa para não perder os muitos almoços, jantares e feiras solidárias de apoio aos pobres e desvalidos. Que pena o ano ter mais 364 dias.