Também está perdido no marketing digital da COVID-19?

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De um dia para o outro, este «rapaz» chegou e virou, quase instantaneamente, as nossas vidas do avesso.

Quarentena, isolamento, pandemia e estado de emergência, entre outras, passaram a ser palavras comuns no nosso léxico diário e todos fomos atirados para uma vida quase exclusivamente online.

Muitos negócios foram obrigados a fechar e nem todos se conseguiram adaptar rapidamente à nova realidade, especialmente os mais pequenos e locais.

Felizmente, o espírito inventivo e o supremo domínio da técnica milenar que conhecemos como «desenrasca» que os portugueses têm (e aqui falo de todos aqueles que cá estão e chamam a este país «seu», independentemente do seu local de nascimento) ajudou a que, de uma maneira ou de outra, nos levantássemos e nos atirássemos para a frente (como, aliás, costumamos fazer!): os pequenos restaurantes começaram a fazer take-away, os talhos e mercearias, entregas ao domicílio, as pequenas empresas a prestarem os seus serviços online.

Mas o facto de o terem conseguido fazer, não quer dizer que não tenha sido difícil. Na verdade, continua a ser.

Enquanto numa média ou grande empresa (seguindo os tamanhos standards das ditas neste nosso Algarve, entenda-se!) normalmente existe um departamento de marketing (nem que seja de uma só pessoa bem intencionada) que sabe, pelo menos mais ou menos, o que fazer para promover os seus produtos ou serviços específicos junto do seu público-alvo, usando os meios digitais ao seu dispor; um pequeno negócio local nunca antes precisou de compilar esta informação, de a testar e, verdade, verdadinha, se calhar só o seu proprietário é que usava as redes sociais, e em nome próprio, para ver o que os amigos partilhavam.

Na minha rua, o meu vizinho do talho (que corta carne como ninguém e sabe sempre aquilo que a miúda gosta!) dizia-me que tinha feito uma página no Facebook para «ajudar o negócio», mas que agora não conseguia lá pôr os horários de funcionamento, nem o número de telefone para as pessoas poderem fazer as suas encomendas…

E explicar que o que ele criou foi uma página de perfil pessoal e não uma página de negócio local (por exemplo), nem sempre é fácil.

Dou comigo a pensar que muitas vezes falo chinês, porque a verdade é que entre todos os anglicanismos, abreviaturas, «maneirismos» e especificidades (algumas quase milimétricas!), o marketing digital não é a coisa mais intuitiva do mundo e nem todos têm que o saber fazer (muito menos de ontem para hoje, com domínio perfeito da técnica e ao mesmo tempo que aviam meio quilo de maçãs!).

Acresce a isto que, de repente, uma concorrência, que já era feroz, se tornou ainda mais competitiva, porque agora todos precisam dos canais digitais para chegar ao seu público.

Há truques simples, sugestões fáceis de implementar e que todos lhe darão gratuitamente: «se tem um restaurante, partilhe todos os dias o menu que tem (mesmo que sejam só dois pratos, por exemplo) e receba encomendas pelo Messenger ou Instagram Direct»; «promova a sua página de Facebook para aumentar os seguidores e aparecer no feed de notícias de mais gente»; «faça um direto no Instagram para mostrar os produtos fresquinhos que acabou de receber e que pode enviar ao domicílio a os quem quiser».

Mas nada disto invalida que a minha vizinha da frutaria, cujo filho agora entrega as encomendas ao domicílio, a minha amiga que passou a dar as suas aulas de Pilates online a grávidas e a recém-mamãs, ou o meu vizinho do talho (que corta mesmo bem a carne, não sei se já vos tinha dito!) continuem, ainda que agradecidos pelos conselhos, perdidos num mar de «onde, como e quando».

Pois é, é que todos eles, são só eles, sem o tal departamento de marketing a ajudar e sem oito braços, qual polvo, para chegarem a todo o lado ao mesmo tempo.

Então, como dar a volta ao cágado? Como deixar de estar perdido no marketing digital da COVID-19?

Não é simples, mas consegue-se! O mais importante é perceber que não vai conseguir fazer tudo sozinho e que, talvez o tempo que pensa investir naqueles cursos online gratuitos seja um desperdício (lembre-se que a maioria das vezes se é gratuito, a quantidade de informação relevante oferecida será pequena e seguramente generalista, em vez de adequada ao seu caso específico, como precisa).

Não se vai tornar num digital marketeer de repente e talvez ganhe mais se falar com alguém que perceba do assunto, e que até o pode tomar em mão, mas que tenha também a sensibilidade de perceber que nunca poderá suportar os valores cobrados pelas típicas agências de marketing.

Felizmente, alguns destes profissionais, já criaram serviços ou pacotes de serviços, com medidas rápidas, eficazes e de baixo custo, especificamente pensadas para ajudar os negócios locais a promoverem os seus produtos e serviços, e a sobreviver agora e no futuro (sim, esse que ninguém sabe muito bem como vai ser nos próximos dias, nos próximos meses, eu diria até nos próximos anos).

A norma(lidade) mudou (e fê-lo a nível mundial) e o ajuste teve (tem!) que ser feito rapidamente. As respostas que se exigem agora têm que ser dadas à distância, em modo expresso e digital, com a máxima exposição e retorno elevado.

E se é dono de um pequeno negócio local e, por esta altura do texto, já está a hiperventilar porque isto lhe parece extraordinariamente complicado, calma. Respire.

O seu instinto está certo, é de facto complexo e requer experiência e conhecimento que não tem, nem vai adquirir com a velocidade que precisa. Mas, há quem o possa fazer por si e garanto-lhe que o tal retorno de que falo antes vai justificar o investimento.

E, se por mais nenhuma razão, só porque, como diz o povo, perguntar não ofende, experimente! Fale com um profissional e quem sabe não traz alguma luz ao marketing digital do seu negócio local.

Adriana Silva | Especialista em Comunicação e Marketing Digital
www.yourdigitalclarity.com