Stress

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Segundo se sabe o termo stress existe pelo menos desde o início do século XIV e nesse tempo era sinónimo de hardship (desconforto) ou adversity (adversidade).
A língua inglesa, também desde esse período, utilizou-o durante bastante tempo para exprimir uma pressão ou constrição de natureza física e, que apenas no século XIX, o conceito se alargou para passar a significar também as pressões que incidem sobre um órgão corporal ou sobre a mente humana.

Atravessamos uma fase de recensão e leva-nos a supor estarmos todos stressados. Casos por que passámos e que se vão registando sendo alguns incompreensíveis:
Incêndios (património estatal e privado – há ainda quem espere pelos subsídios prometidos e a lei ainda não foi devidamente concertada para os evitar. Aproxima-se a época de incêndios e… andamos, como em anos anteriores stressados; graves acidentes rodoviários; alguma incompatibilidade política; os aumentos indiscriminados; os lucros de certas empresas, greves e mais greves… indiferentes ao que os consumidores pagam; os milhões de comissões que num só dia os bancos cobram e perdem em projetos impensáveis (explorando descaradamente os seus trabalhadores com sobrecarga horária); o juro do endividamento suportado pelo Estado a empobrecer-nos; dívida externa, falta mais democracia e serenidade; a indiferença política dos ainda muitos desempregados os quais, na maioria, vão perder o subsídio e ficar sem base de sustento; a falta de convergência competitiva; as rendas que o Estado paga de imóveis que lhe pertenceram; as escolas fechadas desde 2006, contribuem para a desertificação pois são milhares que trocam o campo pela cidade que contribui para alterações sociodemográficas; os centros de saúde e hospitais ingovernáveis…

E se a «nossa» Via do Infante (A22) passar a SCUT? Os detentores do poder no passado defendiam o fim das portagens… Quem é que vai para a linha da frente defender o NÃO ao fim do pagamento? Já foi tempo que acreditámos nisso!
A melhor forma de celebrar o passado é comemorar o presente, uma nobre missão, ser portador de esperança na imprescindibilidade da função do político.
Um país que teima em não crescer o suficiente e se endivida; o PIB per capita deixa-nos em 17º lugar (de 19 países); crise na ADSE; uma oposição desconcertante; as sérias dificuldades de algumas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSSs), autênticos «pau-mandado» das tutelas com destaque para as Misericórdias que aprofundaram a sua débil situação no Congresso Nacional das Misericórdias em Albufeira no qual se debateram a coesão social e territorial e a famosíssima sustentabilidade colocando em perigo os «acionistas» (utentes) muito embora todos tivessem reconhecido que a «nossa» missão é, incontestavelmente, diferente de todas as outras. Debateram-se as novas tecnologias, a transparência e rigor na gestão das Santas Casas, à profissionalização dos quadros técnicos, e ao papel das Misericórdias na Lei de Bases da Saúde.

Afinal a «nossa» missão é diferente das outras. Vamos continuar stressados? Ou começámos a «descontinuar»?

Mário de Freitas | Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alvor