O transporte público num programa Ecossocialista para o Algarve

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O termo ecossocialismo vem fazendo há mais de uma década caminho entre muitos militantes e ativistas de esquerda e do movimento ambientalista.

O pensamento ecossocialista nasce no cruzamento entre os filhos do marxismo e do movimento ambientalista e assenta sobre a rejeição do modelo do crescimento infinito e pode ser sintetizado numa frase de Michael Lowy.

Para o socialismo de Marx o objetivo último do progresso técnico não é o crescimento infinito da posse de bens (O Ter) mas sim a redução da jornada de trabalho e o crescimento do tempo livre (O Ser).

O Ecossocialismo rejeita a dominação da natureza e o extrativismo experimentado na chamadas economias planificadas tão daninhas como o modelo capitalista a que se opõem.

Um dos pilares de um programa ecossocialista é a política de transportes públicos. Um programa político ecossocialista obriga à escolha de uma solução coletiva que responda às necessidades das classes trabalhadoras, sem cedências pífias aos chamados mercados.

A defesa da abolição das portagens rodoviárias será sempre uma solução de recurso e limitada ao tempo estritamente necessário para a construção de alternativas ambientalmente mais sustentáveis.

Entretanto é imperioso definir um conjunto de medidas e um calendário para a sua implementação.

É urgente começar a desmantelar a prioridade dada ao transporte individual, parecendo ser certo que o investimento no transporte público reconfigurará o modelo de ocupação do território e modo de viver nas nossas aldeias, vilas e cidades.

A curtíssimo prazo é necessário tornar o modo ferroviário preferencial para as ligações entre as cidades da região, no eixo Lagos – Vila Real de Santo António, não sendo admissíveis tempos de percurso superiores a duas horas entre os dois extremos da rede.

A rede interurbana regional deve ainda ser articulada com uma ligação rápida no eixo Atlântico que se estende de Faro à Corunha (Galiza), sendo que de imediato é imperioso repor as circulações Faro – Braga.

Ainda na rede ferroviária deve avançar nesta legislatura a obra de ligação ao Aeroporto de Faro que permitirá articular a via férrea com o transporte aéreo.

Devemos exigir à AMAL a construção de um sistema de transporte rodoviário que permita distribuir os passageiros do caminho ferro ao longo de eixos que penetrem no território na direção Sul – Norte.

Ao nível concelhio é possível avançar de imediato para um sistema de transporte público gratuito em veículos elétricos, ou movidos a hidrogénio verde, com a tipologia adequada às necessidades de cada linha.

O transporte público gratuito é um modelo sustentável a nível social e económico, e do ponto de vista financeiro requer apenas uma mudança de estratégia que deixe de privilegiar, e passe mesmo a onerar o transporte individual.

Uma boa oferta gratuita de transporte público, aliada a uma progressiva mas determinada alteração do modelo de ocupação do território, é condição essencial para a transição para a sustentabilidade ambiental e para uma redução rápida e efetiva das emissões de dióxido de carbono.

José Moreira | Professor Universitário
Ativista do Bloco de Esquerda
Candidato à Comissão Coordenadora Distrital do Algarve pela Lista B