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Numa eleição para uma autarquia, não bastará ao cidadão eleitor conhecer o programa governativo que cada partido apresente para a mesma, mas, também, a pessoa que é proposta para a sua presidência.

Poder-se-á concordar com o programa, mas não se reconhecer nesta competência para, depois, o executar.

De resto, será por isso que os partidos enfatizarão cada vez mais o «curriculum» de quem à presidência da autarquia propõem, que vai desde ser-se doutor em qualquer coisa até integrar os corpos diretivos de uma qualquer associação columbófila.

Ora, votando com base nesta dupla vertente, programa/candidato, não se sentirá o eleitor defraudado, quando vê, depois, o eleito presidente em quem votou abandonar o respetivo lugar, para ser candidato, por exemplo, a uma Assembleia da República (como foi o caso recente dos presidentes das autarquias de Lagos e Tavira), passando a ser substituídos por pessoas em quem, eventualmente e por não se lhes reconhecer mérito para isso, nunca se votaria para o exercício do cargo?

No caso do presidente da autarquia de Tavira, já agora, registe-se que candidatando-se a deputado à Assembleia da República e tendo sido eleito para ela, nem, sequer, o seu lugar irá ocupar, sendo substituído por alguém que eleito «não» foi, dado, entretanto, ter sido chamado a exercer funções governativas.

Pergunta-se: não contribuirá este «carrossel», também, para os elevados graus de abstencionismo que se vêm registando em sucessivos atos eleitorais, tornando, consequentemente, cada vez mais pobre a Democracia, porque menos representativa?

Ou isso pouco importará, desde que se possa telefonar a dizer «Pai! Já sou Deputada!» e muito mais «Pai! Já sou secretário de Estado!»?