Nunca houve uma estratégia em defesa do Algarve!

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Causa-me aflição a continuada cartilha de que três secretários de Estado eleitos pelo Algarve são uma mais-valia. Deveriam ser… como um primeiro-ministro aqui nascido não foi. E porque será?

Simples o raciocínio: são escolhidos por cosmética partidária, como servidores do nebuloso interesse nacional! Um argumento provado ao arrepio pelo servilismo e ausência de investimentos na região, que supostamente salva apenas costados e aparências. E assim se faz profissão, sem prestar contas.

Como a palavra chega chegou a partido parlamentar, vou apenas comentar que o Algarve merece melhor gente e um programa. Sabemos que o hemiciclo são 230 menos nove.

Educados e menorizados os deputados como condição, a única entidade representativa é a AMAL, que se entretêm em evasivas e medidas de dimensão meramente regional.

Não se procura o impacto da voz regional dentro da nacional. Como esta entidade segue o espectro do voto dominante autárquico por alinhamento com o poder central, claro que a subserviência se sobrepõe a qualquer paradigma, estratégia ou indignação.

Quanto à CCDR, uma entidade que o comum cidadão não conhece e porque não lhe chega à qualidade de vida por retorno do trabalho, é a gestionária e benemérita dos fundos estruturais nacionais e europeus – falamos de muitas dezenas de milhões – que untam empresas sem que o tecido económico revele a redução da desestruturante dependência do Turismo.

Deputados e aspirantes apenas falam das preocupações deste sector e não do seu despotismo que ao fim da cada vez mais curta estação, lança dezenas de milhares de empregados, nacionais e cada vez mais estrangeiros desprotegidos, numa agonia de contas para a sobrevivência. A que se soma uma cada vez maior franja de pequenos empresários.

As dinâmicas políticas ajoelharam no Algarve e apenas olham para as ondas e o solestício de verão, ignorando os frutos da terra, do mar e até do ar. Do rebentar das ondas até às serras do Algarve há um mundo de qualidade de História, Natureza, Antropologia, produção agrícola e benefícios de Saúde desaproveitados!

O Turismo tornou-se um negócio desigual! Ganham os hoteleiros, as companhias aéreas subsidiadas e alguma bem localizada restauração. O resto são migalhas e vidas de sobressalto.

Quem reparou e perguntou por um aeroporto desaproveitado quase metade do ano? Os franceses até se atreveram a usar o nosso terreno para promover o longínquo sul gaulês. Saíram os cartazes, mas ficaram os autores. Pagaram para nos controlar. Manda a UE e o Turismo de Portugal.

Na Via do Infante, o roubo de uma região, trocou os privilégios dos bolsos dos privados com mau desempenho, pelas perdas de receitas de milhões de visitas espanholas.

Até os partidos que contabilizaram votos se calaram em obediência. A AMAL e a casta de deputados ainda lacrimeja… apenas se incomodados…

Para esta legislatura, o Programa de Governo escrito, é pela unidade do território como os anteriores.

Nada de novo, como não será de estranhar que nada mude nos próximos quatro anos… com o quadro de legionários eleitos que temos na região!

Seguramente, dado o estado de graça do governo PS e a euforia do BE e do PAN, o primeiro OE vai passar ao lado do que desejaria o povo algarvio e os que acolhemos. Continuando o silêncio que se ouve… com os algarvios manietados, os restantes Orçamentos serão de vontade central…

Luís Alexandre | Ensaísta e escritor