Faro, cidade «gostosa» mas não assim tão «formosa»

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Faro está melhor. Todos parecem concordar nesta opinião. Mal seria se continuasse na mesma. A iniciativa empresarial trouxe novos espaços e negócios, a baixa comercial conheceu novo fôlego. O turismo puxou a economia como nunca se viu, Portugal está na moda e o número de turistas por cá também nos beneficiou. Há que reconhecer também que o atual executivo municipal soube dinamizar uma série de eventos (Baixa Street Fest, Alameda Beer Fest, Festival F, etc).

A cidade ganhou animação, esteve mais festiva e alegre. A requalificação urbana também conheceu alguns desenvolvimentos significativos. Contudo, dar-nos por satisfeitos seria contentar-nos com pouco.

Jardins (dignos desse nome) continuamos a ter apenas o da Alameda (séc. XIX). Seria bom termos mais zonas verdes, na malha urbana, além da mata do Liceu e do jardim da Alameda. Escasseiam transportes públicos entre a cidade e as freguesias rurais. Há uma deficiente cobertura da rede de transportes escolares. É enorme a desproporção entre os gastos em festas e o investimento necessário na habitação social. Nem todos têm dinheiro para a festa: o povo não só precisa de circo mas também de pão.

Toda e qualquer política deve contribuir para a diminuição das desigualdades sociais. Faro não é apenas a Baixa, toda a cidade merece mais.

Por outro lado, a cidade exige um maior cuidado ambiental: na manutenção do espaço público e na limpeza e recolha de lixos. Não houve uma postura reivindicativa a exigir a tão necessária ligação ferroviária (metro de superfície) à Universidade e ao Aeroporto. E falta planeamento e ordenamento urbano: continuamos assistir à destruição de edifícios que seriam de preservar e reabilitar e a permitir novas construções que não têm em consideração o contexto de inserção. Enfim, a cidade está mais gostosa mas não assim tão formosa.

Faro merece mais:
– Definição rigorosa de novas zonas de expansão urbana, dotando as mesmas de todo o tipo de estruturas de apoio (espaços verdes, estacionamento) e não as definindo apenas a reboque dos interesses da especulação imobiliária;
– Fim da destruição e descaracterização do património  urbano e artístico não classificado, mas igualmente precioso para a valorização da história arquitetónica da cidade;
– Definição e planeamento de uma política cultural que entenda a cidade como um todo, afirmando novos pólos de animação citadinos através de uma programação regular e atrativa. Faro não é apenas a baixa, toda a cidade merece mais.
– Criação de um Centro de Arte Contemporânea;
– Arborização e ajardinamento de espaços devolutos e ao abandono na malha urbana da cidade.
Há que alimentar novas esperanças e abrir o horizonte político à construção de novas oportunidades, pensando a cidade como um todo e aliando o social ao cultural, o económico ao ambiente, a identidade ao exercício de imaginação de um futuro melhor e mais feliz na cidade que todos queremos habitar.

Pelo atrás enunciado, eu que nunca estive ligado a nenhum partido e sempre fui ativo e interveniente de modo independente, decidi apoiar a candidatura de António Eusébio à Câmara Municipal de Faro. Todos merecemos mais.