Então… Força!

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A noite eleitoral de 4 de outubro confirmou a vitória da coligação Portugal à Frente liderada por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Algo que, há alguns meses, era visto como utópico, segundo os derrotados de domingo, que previam uma «minoria de direita». Contudo, transformou-se num facto incontornável.

Acredito que com mais uns dias de campanha, poderia ganhar contornos de maior afastamento e humilhação eleitoral para partidos da oposição, nos quais se destaca o Partido Socialista.
Este foi um resultado claro. Com uma vitória clara e sem margem para matemáticas desmesuradas, como demonstram os mais de seis pontos percentuais à frente do PS, cinco vezes o número de votos da CDU e ainda quatro vezes o número de votos do BE.

Popularmente, sendo que no caso do CDU é sempre assim em qualquer ato eleitoral e, portanto, «historicamente», todos quiseram puxar a si a «vitória eleitoral» de domingo: a CDU porque diz sempre que ganhou; o BE porque diz ter tido o maior resultado de sempre; o PAN porque elegeu um deputado; o PDR e o PCTP/MRPP porque ganharam a subvenção anual; o Livre porque ganhou uma dívida que agora pede aos outros que a paguem; e o PS porque diz que «retirou a maioria ao Governo», diminuindo as suas prestações em eleições, autofragilizando-se, ao ponto de, mesmo contando com algumas vitórias na história democrática portuguesa, assumir os festejos por perder por «poucochinho».

Em suma, todos ganharam, mas só um não perdeu: a coligação entre PSD e CDS-PP de Passos Coelho e Paulo Portas.

Recordo que tal como era Passos Coelho (agora, este, reeleito!), António Costa era candidato a primeiro-ministro! Acredito que se os portugueses quisessem um governo liderado pelo PS de António Costa teriam, seguramente, posto o PS à frente nas urnas. Mas não quiseram e não puseram.

Hoje, o mesmo António Costa que, depois de sujeitar o PS a um desaire quase humilhante, face ao que prometia antes de ir às urnas, parece tentado a comprometer os socialistas na aventura de um governo com comunistas e neo-comunistas. Imagine-se… Um governo «de esquerda » que poderá ter um PCP que quer sair do Euro e ainda um BE que (ainda) quer renegociar a dívida e não cumprir o tratado orçamental. Palavras para quê?

Seguramente, até os maiores apoiantes deste movimento Tsipriano, liderado pelo PS de António Costa, que fomentam por estes dias um governo Syriziano com PS, BE e PCP, das duas, uma: Ou sabem que é bluff ou, então, querem mesmo o princípio de um caminho para o regresso às dificuldades de 2011, aos aumentos dos juros da dívida, fruto das vontades bloquistas e à proclamada «espiral recessiva» da economia, que os jovens turcos socialistas tanto «pediam» e «proclamavam» sem a ter nos últimos anos desta legislatura.
Que PS a caminho da PASOKização é este? Será que António Vitorino, António Guterres (que liderou governos minoritários, imagine-se…), Álvaro Beleza, Francisco Assis e outros históricos socialistas concordam com este extermínio de um partido com responsabilidade na história democrática portuguesa? Ou será que António Costa fará da opinião de todos o mesmo que fez com o respeito pela liderança de António José Seguro?

O dia 4 de outubro também demonstrou outro facto. A posição e sentido de responsabilidade de António Costa são insustentáveis politicamente. Não é possível justificar que uma vitória por «poucochinho» seja argumento para a saída forçada de António José Seguro (da liderança do PS) e que, agora passado uns meses, uma derrota por «poucochinho» legitime a sua continuação como líder do PS.

Mas é o caminho da coerência da incoerência do líder socialista. Em suma: Ou é bluff ou é PASOKização!

Se não é bluff, se é tudo coragem de «ganhar na secretaria» contra a vontade dos portugueses, que avancem e que o façam a três. Que se assumam! Sem medos de saberem que irão destabilizar o país, sem medos de saberem que irão mergulhar Portugal numa crise política, quando saímos de uma crise económica (em que nos deixaram em 2011) e, principalmente, sem medos de saberem que ainda irão dar mais motivos para os portugueses verem, ainda mais e melhor, que atualmente só há um caminho para o país: o que os Portugueses escolheram no domingo, confiando a Pedro Passos Coelho a governação deste país.

Opinião de Carlos Gouveia Martins | Presidente da JSD Algarve