Eleições: os habituais, ratos supersónicos e Algarve zero +1!

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Tiro e queda! Chegaram e venceram! Três novos partidos entraram no Parlamento por rastilhos da direita tradicional e, claro, da gerinçonça.

Na última legislatura a direita andou aos papéis e a geringonça à caça dos euros para apenas pagar dívida pública.

Os credores exultaram e as agências de rating degladiam-se qual delas dá melhor nota. Todos nos consideram bem comportados politicamente, 50 por cento de abstenção não incomoda.

Os contribuintes e, sobretudo as pequenas empresas, andaram em sobressalto.

O Estado desinvestiu e, daí, arrecadou impostos em truques de contas. O deficit baixou e a dívida pública subiu. BE e PCP embarcaram em todas as carruagens da estratégia do PS. Também não podiam descer em andamento.

Na noite eleitoral, Costa disse que o povo comeu e gostou. Cinquenta por cento de afastados não contam, o que conta é que com menos votos do que em 2015, o PS é primeiro e está mais forte (?!).

Marcelo engoliu as projeções e no dia 6 vomitou que vêm dias conturbados. Claro que se Costa e o PS não falaram deles era porque não sabiam.

Como dos incidentes e implicações de Tancos. Tal como Costa foi de férias sem saber que país ardia e havia uma tragédia humana. Costa já está indigitado e renova os amores.

Os «amigos» são para conservar, embora Costa sonhasse vê-los pelas costas. É a política dos tempos. O povo já foi tirado do caminho. UGT e CGTP têm barriga para muitos mais sapos.

As cacetadas nos estivadores de Setúbal foram um pormenor e a tentativa de traição da greve dos camionistas de matérias perigosas, uma necessidade patriótica para não paralizar o país.

Neste charco, valha-nos a oportunista lucidez do IL e do Chega: não vamos apoiar este Governo. Quanto ao PAN, não apoia globalmente, mas poderá fazê-lo pontualmente. Depende dos valores das rações.

Os donos dos bichos estão disponíveis para assembleias entre um miar e um ladrar. Eventualmente já pensam em reivindicar um atendimento veterinário mais eficaz que o Serviço Nacional de Saíde (SNS)… depois das calúnias de brigadas de caceteiros que põem na ordem quem bata em animais… mas só nos irracionais! 6 de outubro foi apenas um dia depois da efeméride do 5 de Outubro.

O rei não morreu, nem os seus dois pagens de ouro. Vão repetir a experiência. O BE vai inchado e o PCP a coxear. O BE vai continuar esquecido do renegociar da dívida impagável e o PCP da saída da UE e do euro. Os esquecidos da política esquecem que o povo é sábio e no tempo responde. Sabendo que os avisos de Marcelo são a conjuntura internacional em queda, em Portugal Centeno continua inchado dos «sucessos».

O crescimento da economia já foi revisto em baixa, de fora. Costa e Centeno não tremeram. Portugal tem um calendário de pagamento da dívida muito apertado. Se a economia arrefecer como previsto, quem aguenta as obrigações financeiras? Os contribuintes, claro!

Todos se apresentaram ao eleitorado com base nos feitos políticos alcançados e o futuro ficou nas calendas. Vai ser uma legislatura de cortar à faca.

A nova geringonça sem escritura até poderá não aguentar tanta inverdade e contradições! Um PCP ferido, um BE em reserva e um PS alinhado com o capitalismo e a UE, que felizmente não decide sozinho… e, com isto, o Algarve onde a geringonça não investiu, ainda dá mais um deputado ao chefe… mais o outro zero que repete e corridos os demais (porque será?), só augura continuidade do desprezo, quando se afigura apagão no Turismo.

Luís Alexandre | Ensaísta e escritor