Daqui, do meu Pontal!

  • Print Icon

Muitos e importantes serão os temas que os vários oradores da coligação abordarão na Festa do Pontal. Será uma noite de romântico luar, prenhe de promessas encantadoiras e encantatórias de eterno amor ao povo! Agora é que vai ser!

É uma espécie de «fezada» que anima, no início de cada época futebolística, os adeptos mais ferrenhos dos clubes. É natural, percebe-se mas… Pare, escute e olhe! (o passado recente).

Falar-se-á do emprego a explodir, da retoma económica a avançar avassaladoramente, qual «tsunami» criativo, das virtudes do futuro Serviço Nacional de Saúde, da Educação e da Justiça, sem broncas ciclópicas. Tudo isso pertence ao passado e foi por culpa de uns funcionários que tentaram minar o progresso, sabe-se lá a soldo de quem!

A onda de medo, como arma eleitoral, apimentará os discursos, como antigamente se fazia contra os comunistas que comiam criancinhas ao pequeno almoço ou contra o velho do saco, se os meninos mais traquinas não comiam a sopinha.
O 25 de Abril destruiu estes medos e esforçou-se por criar uma pedagogia social e eleitoral de reflexão sã e adulta. O que agora assistimos é ao abandono das boas práticas, em nome da manutenção do estado atual.

É o apelo ao medo para que nada mude. Os ricos que ficaram mais ricos, os especuladores que engordaram, aplaudem a ideia, e os desempregados, e os que emigraram, e os que antes do fim do mês já não têm dinheiro para pagar a água, a luz, a farmácia e a comida por mais modesta que seja!

Este povo estará no Pontal! E os que deixaram de usufruir da Praia da Luz como ela era, ou da areia dourada da Ilha do Farol, por força da incompetência da Polis e do ministro (letra minúscula de propósito) que a tutela, também estarão no Pontal?

Por mim, quedar-me-ei, à beira da Ria Formosa a recordar alguns provérbios populares cheios de sabedoria milenar, como por exemplo:Com papas e bolos se enganam os tolos (mas não o povo acrescento eu!). Cesteiro que faz um cesto faz um cento! E como não há duas sem três, cá vai mais um: Quem te avisa teu amigo é! (depois não te queixes!).

António Pina | Cidadão algarvio e regionalista.