Caminhar para a igualdade sem violar a liberdade

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No próximo fim de semana, em Espinho, realizar-se-á um dos mais importantes Congressos da história do PSD. É necessário reforçar, desde já, a liderança ao centro político que o PS abandonou e deixou vazio para se radicalizar à esquerda junto daqueles que sempre de si divergiram, e ainda divergem, o PCP, o PEV e o BE. Convergiram apenas pelo poder, seguramente vão divergir para sempre do conceito de credibilidade de muitos portugueses e europeus.

Hoje, o país vive governado por quem perdeu, mas, em simultâneo, vive no período em que Portugal se estava a reequilibrar interiormente e a nível externo, devido ao trabalho feito por quem realmente venceu as eleições: o PSD/CDS, Pedro Passos Coelho. Vivemos e sentimos, de facto, que virámos a página como diz António Costa. Sim, virámos a página para a anterior, começámos a andar para trás.
Voltámos a dar mais do que temos, a prometer o que sabemos que não vamos dar, a olhar para o hoje sem acautelar o amanhã, e principalmente, sem ter aprendido a lição de ontem.

Voltámos a viver de festejos imediatos sustentados em banalidades e para inglês ver. Não é obrigação do governo português aprovar um Orçamento de Estado (OE)? É! Mas a coligação pós-eleitoral de esquerda festejou a aprovação do OE como se de uma saída limpa da troika se tratasse. Porventura, no governo PSD/CDS, em que reconquistámos a independência financeira, na geringonça devem ter guardado as canas e os foguetes, quando realmente existiram motivos de celebração para o país.

Infelizmente, sem motivos para qualquer aparente festejo, temos um OE, já promulgado pelo Presidente da República, com prazo de validade evidente e claramente feito a contar com um período de 6 a 7 meses. Pior que isso, e igualmente preocupante, é o facto desse documento com 46 páginas de erratas, sem pedidos extraordinários vindos de Bruxelas, tenha sido logo motivo de desagrado entre aqueles que se uniram para retirar o PSD/CDS do governo. A questão que se coloca é: e se em breve no exame do Colégio de Comissários em Bruxelas vier algum pedido de contenção? Como irão demonstrar então o seu desagrado, dentro da geringonça que suporta (sem tolerar) este governo? Assusta.

Vivemos num período em que a sociedade, no geral, e também os políticos, em particular, atuam por reação e não por ação própria como deviam. É necessário, mais do que chavões e atuações populistas e de afetos para o imediato show off, procurar estabelecer um compromisso nacional numa agenda a médio-longo prazo que venha por ação do que o país necessita e não por reação momentânea.
Precisamos de um país a caminhar para a frente e não de um país que se move apenas a olhar pelo retrovisor. Precisamos, mais do que na década de 80 e na de 90, da social-democracia que só o PSD pode conferir a este país que se quer de desenvolvimento e não apenas de estabilidade.

Precisamos de uma ação social-democrata que não defraude o nosso futuro. Que seja, como sempre foi, sustentada na proteção dos direitos, na justiça social, na valorização da economia dos mercados e na coesão social.

Em Espinho, o PSD terá «O» Congresso para reinventar a social-democracia, para estruturar as políticas e as reformas que queremos ter, para afirmar onde e como queremos estar e para conseguir colocar, como vínhamos a fazer, o país a caminhar.

«A social-democracia é desejável para Portugal pois é, até hoje, a única via experimentada na Europa que tem conseguido caminhar para a igualdade sem violação da liberdade», referiu Sá Carneiro em 1975. Esse caminho para um melhor Portugal passa, dentro de dias, por Espinho, pelo PSD e pela social-democracia… sempre!

Opinião de Carlos Gouveia Martins | Presidente da Juventude Social Democrata do Algarve