Algarve: depois da pandemia, vem outra pior!

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Bastou um simples vírus para nos virar do avesso. Um «turista desconhecido», desembarcado sem passaporte ou outro controlo, pôs o mundo, em particular uma região frágil como o Algarve, em convulsão.

Por enquanto, só este turista viaja, deixando a conta para que os povos paguem. Aqui se renova a razão de tantos que apontaram a evidência de que uma região privilegiada de sol e praia, não podia embandeirar os seus meios humanos, económidos e financeiros, apenas ao flutuar de uma bandeira verde… ou azul. Agora não vêm molhar os pés e afundamo-nos todos.

Se hoje não temos presente… pior e imperceptível está o amanhã. Fronteiras sem data de abertura são um recurso, mas um aeroporto fechado será inesquecível.

É por aqui a porta de entrada do funcionamento do Algarve e de parte importante do país que vem a adotar o modelo de desenvolvimento, embora sem o mesmo grau de dependência.

A economia do mundo… a muitos meses de incerteza do maldito vírus que pôs a política mundial de patas para o ar (a última versão é de Trump que desconfia da OMS), já se visiona como um retrocesso aos finais da Grande Guerra. Um Portugal endividado por políticas capitalistas rasteiras, sobretudo contra o seu povo, anda nas saias da Europa a procurar um ventilador… financeiro.

Esse ventilador era uma política conjunta de endividamento respirável e, saiu uma verba de mendicidade.

Sem suporte europeu e apenas a contabilidade do Orçamento de Estado, que precisará de retificação pelo lado das receitas, o governo de Portugal cumprirá apoios nas diferentes características do território?

E a condição específica do Algarve, na sua exposição à catástrofe? O histórico não nos é favorável! Os distritos mais industrializados ou de capacidade agrícola, poderão retomar a atividade, mas o Algarve vai olhar para fora, se há procura ou até mesmo interesse económico das companhias aéreas voar.

E falando de particularidades, a sazonalidade do Algarve, sem receitas de novembro a abril (a taxação da Via do Infante liquidou a Páscoa no mercado espanhol), esta realidade nunca foi colocada nas decisões políticas dos órgãos centrais como um problema.

Eu sei que o silêncio é uma velha condição para todos os deputados algarvios. Ou não seriam designados.

Mas a situação que nunca vivemos e tem de ser analisada sector a sector, é apresentada no contexto de medidas nacionais. Outros sectores territoriais que vêm desenvolvendo atividade turística, têm poder financeiro de retaguarda para um suporte mínimo e não estão a olhar para o mapa aeroportuário.

O Algarve sim! Não há fluxos, não há clientes.

As companhias de baixo custo, que mandam no mercado turístico, não vivem de ingenuidades!

Tudo o que ouvimos de apoios à economia, são medidas generalistas e, não tenho dúvidas, selecionadas.

O Algarve enfrenta uma situação nunca vista, de ligar um período de sazonalidade a outro igual. Não vai haver verão!

Sem receitas necessárias, com a inflação e o oportunismo a esfregar as mãos.

O Algarve não é só hotéis e restaurantes! AHETA e ARESP já levantaram a voz, mas há milhares de empresários individuais e a sua bolsa de emprego que não aparece na decisão política justa! Endividar para pagar cumulativamente é um suicídio!

O capitalismo, que se adapta e vê lucro em tudo, chama limpeza necessária! A COVID-19 vai ter vacina! Para o Algarve e para os sectores mais desprotegidos, vão recomendar paracetamol ou um ansiolítico!