Afinal quem ganhou?

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Perante os resultados das eleições, e depois de ouvidos os comentários dos vários dirigentes partidários quase todos, exceto o Partido Socialista (PS), ganharam como igualmente é habitual.

A Coligação perdeu votos e deputados, mas ganhou, porque se mantém legitimamente a governar, ainda que tenha que perder a soberba e começar a percorrer o caminho do diálogo e compromisso. No fundo, começar a retomar as suas raízes democrata cristãs e social-democratas…

O PS «perdeu» porque não atingiu o seu objetivo, que era derrotar a Direita, embora tenha aumentado a votação e o número de deputados. Mas ganhou claramente a capacidade de forçar a Coligação a alterar as suas políticas de austeridade e a adotar uma atitude mais social. Neste aspeto, assaz importante, ganhou por força ao retirar a maioria absoluta e arrogante à Coligação.

Vamos ver se «ganhou» também uma luta interna, que como todas as lutas internas, será desgastante e por isso enfraquecedora. Espero bem que, se não surgir uma alternativa mais sólida de que a do Antonio Costa, tenham juízo. Comigo não contam para essa confusão!

Ao António Costa, apesar de não ter ganho o governo, o meu agradecimento como cidadão e militante por ter saído da sua área de conforto e ter arriscado. Virão agora os mil e uns argumentos a favor e contra a estratégia definida, mais ao centro ou mais à esquerda. Enfim, a ver vamos!

Quanto ao Bloco de Esquerda, ganhou claramente face ao número de votos e deputados obtidos. Vamos ver para que servirão esses votos…
A CDU manteve o seu eleitorado e evitou uma saída de votos para o Bloco de Esquerda e por isso também ganhou. Continuará a tentar capitalizar o descontentamento «em nome dos trabalhadores e do nosso povo».

O PAN finalmente ganhou um deputado na Assembleia da República. Logo também ganhou. E o Povo ganhou? Ganharam os reformados e os pensionistas? Ganhou a restauração que vai ver o IVA a manter-se a 23%? Ganharam os jovens à procura de trabalho? E os funcionários públicos?

O medo de mudar venceu o desafio de mudança. Vamos esperar para ver o que há no interior deste fruto quando as primeiras capas começarem a desfolhar. Espero que os meus receios (também tenha direito aos meus medos!) não se concretizem. Veremos se ganhou uma política de compromisso e de diálogo, nada existente nos últimos quatro anos, entre a Coligação e o PS. Os eleitores, no fundo, disseram que não queriam arriscar a mudança, mas sim uma continuidade em mudança. Estranho, não é? Mas não paradoxal. A ver vamos se o povo ganhou.