A União Europeia vai sair muito fragilizada desta pandemia!

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Tantos anos depois do primeiro projeto de globalização, no espaço europeu, mas com os olhos sobre o mundo enfraquecido, perpetrado por um misto de potências, umas supostamente vencedoras e outras derrotadas da II Guerra Mundial, projeto que já leva 63 anos com o intuito de recuperar e acelerar as economias, tudo começou a ser planeado no plano económico e financeiro, procurando a ocupação produtiva das populções, a não existência de conflitos sociais de classe e, objetivamente, com as classes burguesas no comando, procurando o respetivo retorno para os cofres das fortalezas dos Estados.

A Europa que hoje conhecemos e para a qual entrámos sem consulta popular, facto historicamente imperdoável de uns quantos políticos assinarem por um povo, desenvolveu-se sempre nos princípios de uma economia e finanças sobre regras que sobrepunham as economias mais fortes sobre as mais fracas.

Na altura, 60 milhões de alemães faziam-se ouvir mais alto que 10 milhões de portugueses. Vozes fortes a que se juntavam os interesses franceses, italianos e os países do Benelux.

Parte dos excedentes destes países foram suficientes para calar opiniões publicas e até partidárias dos países que posteriormente aderiram.

Em nome da coesão e da paz, muitos tratados foram aprovados sem que as assimetrias se diluíssem! E todos assentavam em questões de economia e finanças, não valorizando essas assimetrias que têm factos gigantes de subserviência política e endividamento forjado dos países do sul da Europa, Tratados que se escreveu ser solidários.

A crise das dívidas públicas, a polémica em torno da Grécia, puseram a nu contradições que muitos escondem ser de natureza contornável.

Afinal, percebe-se, a União Europeia (UE) tem planos para tudo o que mexa com movimentos financeiros e lucros, até respiração boca a boca com os Estados ditos mais fracos. E tem reservas financeiras inimagináveis para um simples cidadão.

Com a crise sanitária da COVID-19, ninguém comum e sem conhecimentos acreditaria que fosse possível tal mortalidade e consequências de paralização económica e financeira mundial, mas a UE parece um bebé de mal-estar súbito que não tranquiliza a família, por falta de percepção e preparação.

Os meios de uma família não são os meios de uma comunidade de países.
O que ressalta em evidência perante nova crise pandémica (o vírus H1N1 não deixou lições, porque não deixou muitas feridas sociais e económicas), agora com dimensões de uma guerra, como alguns políticos gostam de assinalar, e até há razões para isso porque os números não se calam nem as famílias dos mortos, é que a dita UE pode ter planos de outro tipo de guerra e fundos para a cobrir, mas não tem planos de defesa global da população europeia para uma pandemia que alguns cientistas preveem como facto vulgar e repetível no futuro.

Nunca se planeou uma política de Saúde com fatores conjuntos, ou mesmo qualquer política de Proteção Civil conjuntas. Seriam precisos anos para acertar desconfianças do seu financiamento, apesar de se reconhecer que a Saúde é transversal e as alterações climáticas afetam norte e sul.

Mas criou-se uma moeda conjunta numa base cambial em nada solidária, levando à ruína muitos países, como se falou de um exército conjunto, ideia que caiu alvo de desconfiança que ofendia o poderio e comando dos EUA, o que não deixou de levar à relativa desvalorização da NATO.

Curiosamente, a UE tem tantos departamentos, mas nenhum para a saúde. Porque no caso só há despesa de um ponto de vista público.

Então, legisle-se em cada país, a filosofia liberal do utilizador-pagador, com grande sucesso financeiro privado e uma vergonha de resposta pandémica em termos de dimensão europeia.

Faltou tudo e ninguém se esquecerá! O que dizer desta UE que nem no luto se une e só pensa na competição e nos lucros?