A internacionalização da hotelaria do Algarve

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Quando nos referimos à internacionalização da hotelaria, no caso português, logo nos ocorre as grandes cadeias nacionais que se expandiram além-fronteiras.

Por exemplo, o Pestana Hotel Group que está presente em 16 países ou o Vila Galé que se tornou um especialista no Brasil, com os seus 10 hotéis naquele país.

Outros podiam ser referidos como o grupo Continental em Espanha, Porto Bay no Brasil e VIP, Oásis Atlântico ou Montebelo em África.

Porém, algum destes grupos é do Algarve? Que tenhamos conhecimento, não!

Aquele que tem sido o principal destino turístico do país não conseguiu gerar uma grande cadeia internacional (o Vila Galé nasceu no Algarve, mas está sediado em Lisboa).

Em Espanha, por exemplo, na ilha de Maiorca, arquipélago das ilhas Baleares, viu nascer cadeias de grande relevo internacional como o grupo Meliá, RIU, Barceló ou Iberostar.

Todavia, apesar de não ter sido até agora agraciado pelo grande empreendedorismo, o Algarve não está à margem do fenómeno da internacionalização na hotelaria (tenha-se desde logo presente que os turistas são internacionais e a grande distribuição é protagonizada por conglomerados internacionais).

Algumas das grandes cadeias internacionais têm marcado presença com marcas conhecidas da indústria, como a Sheraton, Meridien, Hilton, Crowne Plaza ou Ibis.

A marca hoteleira que mais hotéis tem a nível mundial sob o modelo franchise (Holiday Inn), está presente na região.

Recentemente, a cadeia líder mundial no modelo franchise, a Wyndham, com origem nos Estados Unidos e presente em mais de 80 países, passou a marcar presença na região.

Ou seja, marcas que pertencem a grupos hoteleiros de topo a nível internacional têm vindo em crescendo.

Note-se ainda que estas marcas tendem a expandir usando formatos contratuais como o franchise, o management ou o leasing, sendo que o seu portfólio próprio tem sido minguado pelo recurso à venda dos imóveis, com retoma comercial, através do modelo sale & lease back.

Curiosamente, o Algarve não tem sido uma opção para as grandes cadeias espanholas.

Não deixa de ser curioso o forte investimento que se verificou na margem esquerda do Guadiana em Isla Canela (hotéis de resort com identidade própria e dimensão), e nenhuma destas cadeias ter preferido (ou conseguido) fazer um hotel no Algarve, destino mais consolidado e com menor sazonalidade.

Exceção para a cadeia Be Live, que tem no Algarve o segundo maior hotel da região com 517 quartos.

Esta tendência parece estar a inverter-se pois têm surgido alguns anúncios de que são exemplo a Smy Hotels ou a aquisição pelo fundo Azora de dois hotéis Tivoli, pertença da cadeia tailandesa Minor e que são em termos de gestão operados pela cadeia New Hotels de Espanha.

Confuso? Assim é a hotelaria na atualidade.

Quem também marca presença na hotelaria da região são as unidades da TUI, o maior Tour Operador (OT) da distribuição turística clássica, que com o seu perfil integrado é simultaneamente o maior operador hoteleiro do Mediterrâneo na área do resort (380 hotéis, incluindo as parcerias); no Algarve opera marcas como o Club Robinson ou TUI Blue.

Acresce que os OT também desenvolvem estratégias de co-brand com hoteleiros das regiões, ou seja, contratam hotéis na região que se ajustam às suas marcas conceito (ex. TUI Family Life ou Sensimar) visando melhor identificação com segmentos como as famílias ou adults only.

Além deste movimento, a hotelaria portuguesa na região, também apresenta alguma atividade na sua inserção internacional através da participação em consórcios.

Estes são uma forma de hoteleiros independentes (ou mesmo das cadeias) colocarem determinadas unidades hoteleiras de características especificas ao abrigo de marcas internacionais (alianças de marketing) direcionadas a segmentos específicos da clientela internacional. Beneficiam do efeito rede da marca (prestígio, cartão de pontos, base de dados, feiras internacionais, formação, assistência técnica, etc), sendo por vezes bastante ativa nos mercados de que é originária.

São exemplos de consórcios presentes no Algarve a Relais et Chateaux (hotéis de luxo e com gastronomia de assinatura), Leading hotels of the World (resorts de cinco estrelas/luxo), Small Luxury Hotels of the World (hotéis em pousadas, palácios e edifícios históricos) ou Best Western (neste caso, hotéis urbanos na esfera dos indivíduos em negócios).

Muito mais poderia ser dito sobre a internacionalização da hotelaria no Algarve.

De facto, até ao momento ainda não se conseguiu gerar uma cadeia própria da região com dimensão internacional; porém a internacionalização no mercado está bem presente.

Hélder Carrasqueira | Professor da Escola Superior de Gestão Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve.