A guerra no digital

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Há uma guerra a ser travada todos os dias mesmo «à porta da nossa casa». E não, não me estou a referir ao conflito na Ucrânia após a invasão deste país pelas tropas russas – ação que tenho como inaceitável, e que, apesar de não ser ninguém, nem de a ninguém a minha opinião interessar, condeno e repudio desde o 1.º momento. Porque em situações como estas não podem haver dúvidas, preâmbulos, «justificações» ou «aligeirares de culpa». Um país soberano não tem o direito de invadir um outro país, também ele soberano, nem de no destino deste querer interferir, seja qual for a razão, ponto final. Mas não, a guerra a que me refiro não é esta, mas a que se trava online, diariamente, no plano digital, por todos nós (se bem que a outra também ali se está a travar).

Desde que a internet apareceu nas nossas vidas e se deu a explosão do marketing digital que andamos todos à bulha uns com os outros, muitas vezes sem nos apercebermos. Todos queremos estar online, ser vistos, vender aquilo que produzimos com o máximo lucro possível, ou comprar aquilo que precisamos com as melhores condições e ao menor preço. E tudo isto é justo!

Se eu tiver uma empresa, um negócio, o canal digital é extraordinariamente apetecível e, na grande maioria dos casos, permite-me chegar facilmente ao meu público-alvo, esteja ele onde estiver. Posso ter um website, onde mostro, demonstro, explico aquilo que produzo ou os serviços que ofereço. Posso ter uma loja online dentro desse website onde o meu cliente pode comprar facilmente aquilo que vendo. Posso ter páginas e perfis comerciais em várias redes sociais, onde partilho o que faço, «quem sou» (a minha identidade corporativa) e gero tráfego para o meu website (que até tem e-commerce para facilitar) ou para a minha loja, showroom ou escritório físico. E posso fazer publicidade online (Google Ads, Meta Ads, etc. – sim que há outros!) para aumentar o n.º de leads que recebo e assim potenciar as minhas vendas.

E enquanto utilizador, no plano digital, tenho o mundo a meus pés ou, melhor dizendo, nas mãos! Posso manter-me ligada aos amigos e família, partilhar o que faço ou vejo e ver o que eles fazem ou veem, conversar, partilhar, estar presente mesmo que estejamos muito longe uns dos outros. Posso ler, aprender e manter-me informada (ou não, dependendo da fonte…!). Posso envolver-me num sem-número de projetos enquanto mera espectadora ou até como colaboradora. Posso trabalhar à distância (se houve algo que a pandemia trouxe foi a democratização do trabalho remoto, que antes era aquela coisa estranha que praticamente só os nerds e geeks deste mundo faziam – culpada!). Posso viajar sem sair de casa e visitar centenas de espaços, lojas, escritórios, na zona onde vivo ou por esse planeta fora. Posso comprar tudo o que quero, ou preciso, mesmo se for uma daquelas coisas que só se fabrica do outro lado do mundo e por um n.º muito limitado de pessoas.

«Muito bem, possibilidades infinitas, parece-me fantástico», dir-me-á. Mas claramente o cenário anterior é mais para o idílico, do que para o bélico. Onde está então a tal guerra de que falo no início? Bem, está nos websites, nos cliques, nos anúncios, no conteúdo, nas publicações, na simples «existência» online.

Vamos começar pelo princípio. Tem um website, certo? Sabia que no momento em que estou a escrever este artigo existem cerca de 1.170.000.000 de websites (escrevi por extenso para melhor ilustrar a dimensão deste número, mas se a quantidade de zeros lhe estiver a fazer confusão, digo-lhe que são 1,17 mil milhões) na World Wide Web, sendo que 200.674.843 destes estão ativos? É óbvio que nem todos serão de concorrentes seus, mas a questão mantém-se: como aparecer nas primeiras páginas dos motores de busca em detrimento dos outros todos? E já o ouço a responder: «trabalho o SEO do meu site, crio bom conteúdo e faço publicidade online para gerar tráfego para lá». Muito bem, é bom saber que tem estado a prestar atenção!

No que toca o SEO lembre-se porém que é algo que faz hoje para ter resultados daqui a X tempo. E digo X porque na verdade ninguém pode afirmar quanto vale X. Podem ser alguns meses, uns anos… mas, dar um período exato de tempo para este X, é pura especulação. Lembre-se também que o SEO é algo que faz hoje, e amanhã, e depois, e assim por diante. Nunca está terminado, nunca está pronto (como a maior parte das coisas no marketing digital). Por outro lado, é também importante manter em mente que é algo que não vai depender inteiramente de si: depende dos seus concorrentes, do Google, dos termos de pesquisa dos utilizadores (e da sua perpétua evolução) e da sua intenção. Uma luta, é o que é.

No que o conteúdo concerne, não se esqueça que é mais uma daquelas tarefas que se vai «estender para todo o sempre»: tal como o SEO também nunca estará terminada! Para o seu website tem que criar conteúdo fresco, relevante. E «fresco e relevante», está-se mesmo a ver, não dura muito tempo. Há que o rever com frequência, ir atualizando, limpando, acrescentando, refrescando. E quando passamos para as redes sociais, pior um pouco: a regularidade é importante, mas a relevância não lhe fica atrás, muito pelo contrário, os utilizadores podem ser muito, mesmo muito exigentes. E se, com o seu conteúdo, não os mantiver felizes, satisfeitos, lá se vão os seguidores, os Likes, a exposição, a interação e, em última análise, os cliques e o tráfego para o website. Mais uma batalha, portanto.

Sobra-lhe então a publicidade online: Google Ads e Meta Ads (os mais comuns). E aqui a guerra toma toda uma outra dimensão. Certamente sabe que, quer num caso, quer noutro, para fazer este tipo de anúncios vai ter que entrar em leilões. No caso dos Meta Ads, um orçamento «relativamente pequeno» permite-lhe fazer uma «festa jeitosa» no Facebook e/ou Instagram. Já nos Google Ads a coisa não é bem assim. O seu orçamento ser ou não «saudável e suficiente» vai depender muito mais dos seus rivais, do que de si. Imagine que tem 5€ disponíveis para pagar um clique num determinado termo de pesquisa. Parece muito, certo? Mas e se um dos seus concorrentes tiver 7€ e outro €9? Como se diz na minha terra, «já foste», a não ser que possa aumentar o investimento! Por outro lado, para além do dinheiro a investir, e partindo do pressuposto que tem o suficiente para conseguir aparecer onde quer, a seguir tem o crivo da qualidade dos anúncios que produz, da relevância para o tal termo de pesquisa ou para o público-alvo, e se passar todas estas etapas, ainda tem o seu website ou landing page pelo caminho, que tem que ser o seu melhor vendedor (mesmo! Não estou a brincar.), capaz de convencer o utilizador que lá chegou a comprar, encomendar, pedir um orçamento, etc., etc.. E assim voltámos ao início!

Repare que nesta guerra digital que aqui analisei, nem sequer entrei na questão de qual a zona do globo que quer «atacar» (sim que essa coisa do «é para ir para o mundo inteiro, faz favor, com esta meia dúzia de tostões» não é nem realista, nem eficiente). Mas esta é uma questão que «dá pano para mangas» e, por si só, todo um outro artigo.

A solução? Convença-se que esta é uma guerra que vale a pena e na qual vai ter que entrar. Mas não entre em modo «benzo-me todo, faço figas e seja o que Deus quiser». Arme-se (que ninguém vai para a guerra desarmado)! Leia, aprenda ou contrate profissionais que formem um exército para lutar por si: garantidamente vai «diminuir as baixas« e economizar em «material bélico» (leia-se poupar tempo e dinheiro!).

Quanto à outra guerra? Gostava muito que acabasse depressa, mas não tenho grande esperança…

Adriana Silva | Especialista em Comunicação e Marketing Digital
yourdigitalclarity.com