50 anos depois…

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Eis que toma posse o XXII Governo Constitucional do pós 25 de Abril de 1974 e, goste-se ou não, é o que traduz a vontade popular maioritária dos que quiseram votar nas últimas eleições.

Voto em total liberdade, resultado de um regime democrático, expressão da participação igual entre cidadãos, independentemente de género, rendimentos.

E quem vai exercer as funções sabe que o seu lugar depende dos que foram eleitos em representação dos eleitores (PR e Deputados), até às eleições seguintes, daqui a 4 anos, se não for antes.

Há precisamente 50 anos, em 26 de outubro de 1969, ocorreram eleições para a então Assembleia Nacional, mas muito diferentes destas quanto à (im)previsibilidade dos resultados.

Todos os (130) eleitos eram do «partido do regime», as forças de oposição foram admitidas, mas ainda que com uma expressão eleitoral de 12% e com uma participação de 62 por cento «dos inscritos» não conseguiram eleger sequer 1 deputado (e no entanto foram mesmo maioritários nalguns concelhos). O povo (não) é(ra) quem mais ordena.

Felizmente ainda estão entre nós muitos (dos poucos) que tinham capacidade eleitoral e alguns dos que se submeteram a votos. Uns e outros participaram com grande coragem, pois que nem os boletins eram iguais para todas as forças, portanto, fazendo denunciar quem votava na oposição. Um Abraço, por todos, aos então candidatos da CDE – Algarve, Dr. Dias da Costa, Arq.º José Veloso, Dr. Luís Filipe Madeira e o Dr. Campos Lima e seus descendentes que muito sofreram ainda antes de 74.

A Coligação Democrática Eleitoral, tendo obtido mais de 10 por cento dos votos, nem assim conseguiu eleger sequer um deputado…Agora com mais de 1 por cento de já se consegue representação parlamentar garantido voz à diversidade de vontades.

Quem se abstém hoje de votar bem poderia repensar nas suas justificações em honra aos sacrifícios destes, que foram até ao fim, sabendo que seria inglório, pois que Marcello Caetano tinha a vitória sempre por garantida e a PIDE/DGS, descendente de Oliveira Salazar falecido antes, se encarregaria de admoestar os opositores.

Hoje, trata-se de optar quem administra o poder e do pendor das escolhas resultados diferentes.

As próximas eleições serão para as autarquias locais. No que me diz respeito em termos de proximidade de representação, será uma escolha entre uma direita coligada, liderada por quem, dissimulado numa gestão populista, tudo controla com “um exército” de seguidores, ou, uma alternativa progressista, numa plataforma alargada diversa e aceite com base na discussão de politicas sociais e de desenvolvimento com a participação de todos querendo o sucesso para a nossa terra.

A (grande) diferença é que há 50 anos nem se escolhia de facto, nem se podia defender ou escrever sobre a alternativa, sem temer represálias. Hoje ninguém pode ter medo da democracia e de confrontar responsavelmente o poder, assumindo a cidadania, sendo de esquerda e não sendo contra ninguém que nos últimos 20 anos, com um breve interregno de 4, vem governando a nossa capital como se fosse já seu senhorio.

Viva a Liberdade! Felicidades aos eleitos para bem de todos.

Paulo Neves | Presidente do PS Faro, escreve a título individual.