40 anos de Festa do Pontal

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Foi igualmente um verão quente, porventura tal e qual como este de 2016, mas, nessa altura, eu ainda não era vivo para o sentir e presenciar. Falo do verão de 1976. A 29 de agosto, em pleno Pinhal do Pontal, Francisco Sá Carneiro abria as hostilidades daquela que hoje é a maior festa social-democrata do país: A Festa do Pontal.

Na sua primeira década, subsistiu em virtude da paixão popular desmesurada presa pela nova realidade que era a democracia, a esperança carregava em ombros a Festa do Pontal.

1985 - Festa do Pontal - Cavaco Silva e MB - 2 +++No entanto, é durante o consulado do algarvio Aníbal Cavaco Silva que a rentrée política do PSD no Pontal passou a marcar a agenda política nacional em definitivo. O ano de 1985 marca, em absoluto, a subida abrupta da projeção política proveniente do Pinhal do Pontal.

Para os que viveram de perto, mas principalmente para quem tem especial interesse pela política nacional, quem não se recorda do discurso do, então já primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva, em 1993, quando se assumiu perante o país como «o homem do leme»? Dizia o líder, natural de Boliqueime, que «mesmo aqueles que discordam de nós não têm dúvidas de que o barco tem um rumo e de que há uma pessoa ao leme».

A convicção das palavras de Cavaco Silva era sustentada pelos números socioeconómicos do país, por um lado, e pelo apoio popular conferido pela força da maioria absoluta nas urnas de quem tinha colocado o país no rumo do crescimento e da estabilidade.

Tal como Cavaco Silva, a Festa do Pontal também estava lançada no rumo da vitória.

A045 Festa do Pontal conviveu com todos os líderes do PSD, mas nem todos os presidentes quiseram conviver de perto com a maior marca política da história do seu partido.

Como tudo na vida, e em qualquer tradição, o Pontal também teve altos e baixos e algumas interrupções pelo meio. Houve presidentes que não quiseram marcar presença consecutivamente e outros que tentaram erradamente deslocalizar uma Festa do Pontal para 600 quilómetros mais a norte como se fosse possível um corpo sobreviver sem o seu coração a funcionar.

A Festa do Pontal é a demonstração da unidade do PSD, é a aliança clara entre a capacidade crítica e intelectual que temos nos quadros do nosso partido com a natural capacidade de mobilização popular que vivemos e nos rodeia desde a nossa fundação. Ambas as virtudes, complementam-nos.

Adiante.

Marcelo Rebelo de Sousa, quando o Partido já recuperava da derrota nas urnas que iria levar o país ao «pântano», deu um apoio inexcedível para a continuidade do Pontal. O próprio diz que pagou do seu bolso e os militantes reconhecerão sempre a estima que deu a uma festa que também tem a sua matriz: os afetos.

Os momentos baixos do Pontal coincidem naturalmente com a menor capacidade e engenharia financeira do Partido. De 2000 a 2004, há a tentativa falhada de deslocalizar a Festa e a interrupção do evento. Em 2006, sob liderança de Luís Marques Mendes, o Pontal muda de local. O espírito é o mesmo, mas o espaço é alterado.

passos coelho pontal 5Chegamos a 2010, no primeiro Pontal do então recém-eleito Pedro Passos Coelho. É nesta festa algarvia, neste encontro com cerca de 3000 portugueses, militantes e simpatizantes do PSD, que se marca o arranque para a conquista de 2011.

Em 2010 acertou o passo, mas em 2011 Pedro Passos Coelho fez de profeta… e acertou novamente. Dizia o líder do PSD, com alusão ao plano de ajustamento financeiro, que mesmo «com o plano mais duro das tarefas que temos por realizar, sei que o que estamos a fazer ficará na história da Europa». E ficou. Passos Coelho foi democraticamente o líder mais votado nas legislativas de 2015. Mesmo sob fortes medidas de austeridade impostas, mesmo não cedendo um milímetro no percurso do crescimento e da estabilidade, Pedro Passos Coelho veria reconhecidas pela Europa as palavras que proferia na Festa do Pontal de 2011. O único líder europeu a ganhar eleições após um programa de ajustamento financeiro, o único!

2006 - Festa do Pontal 076 +++A Festa do Pontal preenche todos os requisitos para se manter como o maior encontro popular de militância do país. Mas, para isso, há condição essencial e que vai contra o que tem vindo a se tornar comum nas democracias europeias. Hoje é mais seguro mediaticamente estar-se em espaços fechados, sabemos e vemos isso pelo velho Continente fora, mas o Pontal é e terá sempre de ser diferente. A rua não é só das Esquerdas e esta festa algarvia é o exemplo real disso mesmo, porque, é na rua, junto dos militantes, apoiantes, dirigentes e gentes de todo o país que reside o coração do Pontal.

A data é propícia também, visto que o pico do verão atrai ainda mais portugueses à região que é uma referência turística no mundo.

E, engane-se quem diga que é menor por ser na silly season. O país fala do Pontal a partir de julho e em setembro ainda se fala na maior rentrée política que temos no país.

Este ano, não será diferente. Serão 40 anos desta Festa. 40 anos de força popular aliada à capacidade crítica que só a social-democracia consegue dar.

A primeira vez que senti o Pontal foi em 1989 e sei que a última não será em 2016, porque, se o mérito funcionar sustentado pela história, seria um crime acabar com uma marca política com a força desta festa.

Até domingo!

Opinião de Carlos Gouveia Martins | presidente da Juventude Social Democrata do Algarve