Miocardite por COVID-19 «é 60 vezes mais frequente do que após vacina»

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Miocardite por infeção com SARS-CoV-2 é 60 vezes mais frequente do que após a vacinação e pode ter sintomas mais graves e complicações e sequelas a curto prazo, refere um parecer técnico hoje divulgado.

O parecer do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares, da Direção-Geral da Saúde (DGS), diz ainda que se desconhece se existem complicações ou sequelas persistentes e insiste que a vacinação permite diminuir o potencial de gravidade do impacto da COVID-19 nas crianças e adolescentes.

Insiste que as alterações cardíacas em crianças infetadas «não são desprezíveis e são mais complexas e graves do que as descritas após a vacina» e lembra que a miocardite em idade pediátrica após a vacinação «é muito rara, apresenta-se com sintomas ligeiros, evolução rápida e não aparenta ter complicações ou sequelas a longo prazo».

O documento hoje divulgado explica que as causas da miocardite (inflamação do músculo cardíaco) em contexto de COVID-19 são ainda desconhecidas e que se supõe que «ocorre quando o sistema imune do próprio doente, em resposta à infeção, agride o coração, o que ainda não está provado».

«Desconhece-se a razão pela qual ocorre mais frequentemente entre rapazes jovens, após a puberdade. Também não foi ainda possível confirmar a relação causa-efeito entre a vacina e a miocardite», acrescenta.

O parecer refere igualmente que a agência americana de prevenção e controle de doenças – CDC (Centers for Disease Control and Prevention) – reportou 11 casos de miocardite em 8.700.000 de vacinas administradas entre os 5 e os 11 anos, e que «todas foram ligeiras e transitórias». «Não se conhece mortalidade diretamente relacionada com a vacina», acrescenta.

Os peritos que elaboraram o parecer defendem que a vacinação demonstrou ser eficaz na prevenção da doença grave e na mortalidade, e que os efeitos secundários adversos «são raros e pouco significativos».

Citam estudos recentes para afirmar que em adolescentes vacinados a possibilidade de ter síndrome inflamatória multissistémica (MIS-C) após infeção baixa em 91 por cento.

«Os casos mais graves ocorreram nas crianças e adolescentes não vacinados», lembram, insistindo na segurança da vacina em idade pediátrica e sublinhando que, apesar da COVID-19 ser menos frequente em crianças, tem vindo a aumentar devido à maior prevalência da nova variante (Ómicron).

«A experiência dos Hospitais Pediátricos Nacionais de referência é de que o risco de envolvimento cardíaco em doentes com infeção, em qualquer idade, é uniformemente pior e mais frequente do que após a vacinação, podendo ser responsável por sequelas tardias, que requerem seguimento a longo prazo. Não sendo comparável à miocardite após vacina, muito mais rara e ligeira», afirmam.

Os técnicos do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares reafirmam «os benefícios da vacinação no grupo etário dos 5 aos 11 anos e na população em geral e a segurança da vacina», transmitindo «uma mensagem de tranquilidade aos pais e crianças portuguesas».

O parecer teve por base os diversos artigos científicos publicados em revistas médicas e os documentos normativos das entidades sanitárias nacionais e internacionais, incluindo os resultados da vacinação em mais de oito milhões de crianças entre os 5 e os 11 anos de idade.