Fundação alemã doa 1,5 milhões ao CHUA para ajudar saúde algarvia

  • Print Icon

Fundação alemã doa 1,5 milhões ao CHUA para ajudar saúde algarvia. Alexander Rathenau, cônsul-honorário da Alemanha no sul de Portugal, fez a ponte com o benemérito Dieter Morszeck.

O Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) recebeu um donativo no valor de 1,5 milhões de euros por parte da Fundação Dieter Morszeck, na quarta-feira, dia 22 de fevereiro, no auditório da unidade de Faro com a assinatura do protocolo onde estiveram presentes todos os membros do conselho de administração do CHUA, Alexander Rathenau, cônsul-honorário da República Federal da Alemanha, assim como o próprio Dieter Morszeck.

O apoio financeiro vai destinar-se a múltiplos projetos, sobretudo ligados à área da pediatria, onde se inclui fisioterapia, oftalmologia, oncologia, psiquiatria, blocos operatórios, e ainda novos equipamentos que permitem fazer diagnóstico de patologias cardíacas que, até ao momento, não eram possíveis. Além disso, será ainda revertido para o Centro de Desenvolvimento Pediátrico e a estrutura que dará lugar à Procriação Medicamente Assistida, a localizar-se em Faro, e que se encontra no terceiro concurso público, visto os anteriores terem ficado desertos.

Fundação alemã doa 1,5 milhões ao CHUA para ajudar saúde algarvia. Alexander Rathenau fez a ponte com o benemérito Dieter Morszeck.

«O protocolo hoje assinado tem a duração de um ano [com prazo de execução até fevereiro de 2024] e é uma responsabilidade para o CHUA, que só pode receber o apoio financeiro se cumprir os objetivos. É um apoio que vamos receber na exata medida que saibamos executá-lo e cumprir a nossa parte. Por cada valor que recebermos, temos de colocar um valor igual. Ou seja, vamos multiplicar por dois o valor que vamos receber. Não vai ser uma tarefa fácil, até porque o protocolo é amplo e tem várias especialidades, e porque em Portugal temos de fazer tudo por concurso público, mas estamos todos emanados para que o consigamos cumprir», garantiu o vogal executivo Paulo Neves.

Na prática, e segundo explicou aos jornalistas Ana Vargues Gomes, presidente do conselho de administração do CHUA, «são vários projetos que abrangem todas as nossas instituições com o objetivo de criar condições para que as crianças possam fazer todo o seu percurso diagnóstico e terapêutico, sempre que possível, no Algarve, sem terem de deixar a região».

A transversalidade das áreas abrangidas pelo protocolo, «acrescenta oportunidades aos que precisam no princípio da vida, em particular aqueles 15 por cento que nascem com alguma circunstância que os vai obrigar a continuar a fazer o melhor que o CHUA já faz, dar a todos a melhor oportunidade para o futuro», ainda na opinião de Paulo Neves.

Com investimentos em vários sectores um pouco por todo o mundo, este donativo trata-se do segundo projeto na área da saúde, em Portugal, apoiado pela Fundação Dieter Morszeck.

O primeiro também resultou num apoio financeiro, este para ampliar o edifício da associação NECI – Núcleo Especializado para o Cidadão Incluso, em Lagos.

Para o alemão Dieter Morszeck, apoiar crianças é o primeiro foco da sua instituição. «A minha irmã gostava muito de crianças e tinha cancro. Esta é uma doença que afeta muitas pessoas e o meu pensamento sempre foi fazer alguma coisa para ajudar. As crianças são o nosso futuro. Há investimentos em hospitais de Lisboa e do Porto que faltam aqui no Algarve. Por isso, este apoio é muito urgente e importante. A Rimowa [empresa fundada pelo alemão, vendida posteriormente] teve um sucesso tão grande, que agora gosto de retribuir», disse aos jornalistas, depois de assinar o documento.

Alemanha e Portugal têm «relações sólidas»

Alexander Rathenau, cônsul honorário da República Federal da Alemanha em Lagos, responsável por toda a área a sul do Tejo, também esteve presente na assinatura do protocolo entre a Fundação Dieter Morszeck e o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA). No uso da palavra, enalteceu as boas relações entre os dois países, que «são sólidas e repletas de oportunidades», dando como exemplo o facto de existirem mais de 500 empresas alemães em território nacional, que proporcionam mais que 50 mil postos de trabalho. «A cerimónia de hoje é também um bom exemplo dessa entre-ajuda e proximidade. Dieter Morszeck é alguém disponível para poder ajudar de forma não burocrática sempre que existe alguma necessidade. Vivi grande parte da minha vida em Portugal, tenho uma grande ligação ao país e é uma mais-valia ter alguém que o descobriu e que nos ajuda desta forma sempre que precisamos. Mais uma vez, Morszeck demonstrou uma grande generosidade e uma grande bondade por apoiar» o CHUA. «Falando como português e alemão, uma coisa é certa, os nossos bebés, as nossas crianças e jovens e os pais, naturalmente, merecem o melhor sistema de saúde no sul deste país maravilhoso», concluiu Rathenau.

Fundação alemã doa 1,5 milhões ao CHUA para ajudar saúde algarvia. Alexander Rathenau fez a ponte com o benemérito Dieter Morszeck.

Procriação Medicamente Assistida já devia ser possível no Algarve

Os jornalistas questionaram Ana Varges Gomes, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), sobre o futuro Centro de Procriação Medicamente Assistida, em Faro, que será o único a sul de Lisboa e que servirá tanto o Algarve como o Alentejo.

«O nosso maior problema é que nem sempre conseguimos que os concursos fiquem ocupados. Contávamos que já estivesse a funcionar desde o início do ano, mas por limitações relativas aos concursos não terem concorrentes, temos vindo a atrasar», justificou a responsável.

Sobre qual a previsão de inauguração do novo espaço, Varges Gomes disse apenas «que depende muito da conclusão do concurso. Por nossa vontade, já teríamos as coisas a funcionar. O que está preconizado é que quem aceitar o concurso e ganhar, tem o período máximo de execução de obra de três meses. O período normal seria 30 dias, mas não acreditamos que uma obra se faça em 30 dias. Três meses achamos que é o prazo, provavelmente, mais razoável». Quando funcionar, irá permitir desde a colheita dos gametas até à fertilização in vitro, processos que ainda não se conseguem realizar na totalidade no Algarve, sendo Lisboa o destino mais próximo para esse fim.