Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve aposta em estúdio digital

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Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA), em Faro, vai ter um estúdio digital para a criação de conteúdos.

Com o ano letivo prestes a iniciar, a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA), em Faro, está a preparar um novo projeto pioneiro na região e até em Portugal.

Trata-se do Laboratório de Recursos Didáticos e Digitais, que resulta num estúdio multimédia com régie apetrechado com todos os recursos de vídeo e som necessários à criação de conteúdos.

O espaço ainda está em obras de adaptação para as novas funções, mas já há dois especialistas contratados para dar apoio técnico a alunos e formadores que em breve o queiram utilizar.

Esta é uma novidade que resulta de uma candidatura aprovada ao Programa Operacional (PO) Regional do Algarve/ CRESC Algarve 2020 para o desenvolvimento de recursos inovadores no ensino, com um apoio financeiro por parte de fundos europeus superior a 100 mil euros.

«Será um estúdio de televisão onde vamos registar técnicas, receitas e demonstrações ao vivo que serão gravadas e disponibilizadas online. Mais tarde, podem ser legendadas, traduzidas e enviadas para todo o mundo», começa por explicar ao barlavento Paula Vicente, diretora da EHTA.

«Esta é uma novidade com que estamos empolgados », até porque a escola de Faro será a única da rede do Turismo de Portugal a possuir tais equipamentos.

«Achámos que era o ideal para envolver os alunos de todos os cursos e dar-lhes esta experiência. Às vezes não basta ouvir o formador, é preciso mostrar em vídeo como fazer. Este novo recurso vai dar-nos uma flexibilidade e uma oportunidade fantástica de evoluirmos a nossa formação», acrescenta.

Para já, «estamos a tratar do cronograma e a adquirir os equipamentos. Os módulos já estão definidos e os formadores já sabem o que têm de fazer. Em breve, podemos convidar por exemplo, um colega do Porto para vir cá falar sobre vinhos e transmitir online a palestra para todas as outras escolas do país».

«Vamos também criar os nossos próprios conteúdos de raiz porque não faz sentido recorrermos a conteúdos externos disponíveis na Internet quando temos tanto know-how cá dentro. Um aluno vê um vídeo no YouTube, mas como é que sabe se a informação é correta? O material foi validado por quem? Vamos fazer isso mesmo com a chancela do Turismo de Portugal e das nossas congéneres», conta a responsável.

Além disso, a ambição e o objetivo é também abrir o novo Laboratório de Recursos Didáticos e Digitais a toda. «Imaginemos que alguém precisa de gravar um vídeo, com o equipamento e os recursos humanos que temos, podem fazê-lo cá. Temos de Novo equipamento de vídeo e som servirá para alunos e formadores da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA), em Faro, criarem conteúdos didáticos e gravarem showcookings ao vivo e em direto para todo o mundo pensar num bem maior e na região. Se não há nada do género, então vamos nós fazer», resume.

«Estamos empolgados e vamos entrar num mundo novo, numa área de saber que não conhecíamos, um pouco motivados pela pandemia e pela grande transição para o digital que todos fomos obrigados a fazer», garante ainda.

Um novo ano letivo mais próximo do normal

Depois de um ano marcado por aulas em espelho, em que metade das turmas estava na escola 15 dias e a outra metade era acompanhada online, a decisão para este novo ano letivo foi a de retomar todas as atividades de forma presencial.

A EHTA regista 210 candidaturas de alunos, muitos do Brasil e de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), que depois da seleção, vão ocupar as 160 vagas disponíveis na instituição em Faro, num total de oito turmas.

A primeira semana, que se insere nas comemorações do Dia Mundial do Turismo (27 de setembro) está toda reservada para os novos estudantes, com diversas atividades ao longo dos sete dias.

«A semana de acolhimento começou com duas sessões de abertura.

A partir daí, temos um conjunto de atividades e de sessões de esclarecimento sobre a escola, calendários, funcionamento e procedimentos normais do ano letivo. Vamos voltar a fazer visitas às empresas, uma boa prática interrompida com a pandemia».

Ou seja, «os alunos vão voltar a ter contacto e a visitar grupos hoteleiros, restaurantes e empresas de turismo», revela Paula Vicente. As turmas de turismo, por exemplo, vão conhecer Faro através de uma viagem no comboio turístico.

Os estudantes de cozinha vão visitar a Tertúlia Algarvia e mais recente, o Conselheiro, restaurante fundado por um jovem empreendedor ex-aluno da EHTA.

Por outro lado, os alunos de continuidade, regressam às aulas no dia 6 de outubro.

Outra prática cancelada no ano anterior devido à COVID-19 e que regressa são os eventos na escola.

«O restaurante de aplicação fechou e não tivemos um conjunto de atividades nem os eventos para a comunidade, que são já a cara desta escola. Já tivemos várias solicitações e nota-se que todos esperavam esta abertura. O nosso hotel tem tido várias reservas, assim como o restaurante. Queremos voltar ao que éramos e estamos a tentar corresponder às expetativas, mas com cautela, porque em primeiro lugar tenho de salvaguardar a comunidade escolar. Vamos conseguir um equilíbrio e espero retomar os nossos eventos como o Tourism Trade Show e o Open Day.

Mais uma bandeira verde conquistada

Mesmo depois de um ano atribulado com a pandemia de COVID-19, a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA), em Faro, voltou a receber a bandeira verde do projeto Eco-Escolas com projetos desenvolvidos ao longo de 2020 e 2021.

Este é um projeto internacional que tem como objetivo encorajar e premiar trabalhos desenvolvidos pelas escolas relacionados com o ambiente, a sustentabilidade e a responsabilidade social. Mesmo com o confinamento, o ano letivo passado conseguiu criar medidas e tomar ação a pensar na economia circular e na alimentação saudável.

Segundo a diretora Paula Vicente, é um sinal claro «de que continuámos a trabalhar », mesmo a seguir diretrizes completamente diferentes das habituais. Já de acordo com Marília Mendes e Janine Sieben, coordenadoras do projeto Eco-Escolas, «iniciámos o ano letivo certos de que este seria um ano desafiante para a concretização dos projetos, mas os resultados finais mostram que quando há vontade, a distância física não é um entrave».

A primeira vez que a EHTA conquistou o galardão foi em 2017, e desde então hasteia a bandeira verde representativa do compromisso na defesa dos valores ambientais e sociais. Atualmente, o projeto Eco-Escolas é desenvolvido em 67 países, num total de 51.000 escolas e envolve mais 19 milhões de estudantes. Em Portugal, participam mais de 1500 escolas e 650.000 estudantes em 230 municípios.