Algarve tem 25 milhões para novos Centros Tecnológicos Especializados

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Algarve tem 25 milhões para criar novos Centros Tecnológicos Especializados. Vila Real de Santo António quer apostar no ensino profissional da construção e reparação naval.

É uma nova aposta no ensino profissional ao nível do secundário. Ao abrigo dos objetivos definidos na Estratégia Portugal 2030, o governo pretende criar 365 Centros Tecnológicos Especializados (CTE) em todo o país, entre 2022 e 2025, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Cabe aos Agrupamentos de Escolas apresentarem as candidaturas e o processo é liderado pela Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP). Para o Algarve, a aviso aberto por aquela entidade prevê 25 milhões de euros de investimento para 19 novos CTE, 18 dos quais em escolas públicas e um num estabelecimento privado.

Álvaro Araújo, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António (VRSA) ambiciona ter no concelho um CTE Industrial especializado em construção e reparação naval.

«Estamos a falar de todo um cluster ligado à economia do Mar, em parceria com os estaleiros da Nautiber e outros stakeholders relacionados com a economia do Mar», que fazem deste um território com elevado potencial para concretizar um projeto com amplitude nacional neste importante sector de atividade. O nosso concelho detém no seu ecossistema protagonistas capacitados que são referências da moderna indústria naval portuguesa, e que se encontram disponíveis para partilhar o seu conhecimento e apoio técnico à formação profissional a promover no futuro Centro Industrial».

O projeto tem o aval da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve e envolve também a Universidade do Algarve (UAlg), o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e entidades corporativas andaluzas relacionadas e as empresas do sector.

«Determinadas zonas do território têm de se especializar naquilo que são bons. E têm de estar ao serviço não apenas do seu território local e regional, mas do país. A ideia, que alguns não querem, é que este CTE, que vai envolver um investimento de 1,7 milhões de euros na Escola Secundária de VRSA, onde há uma infraestrutura disponível, possa dar formação num sector que precisa de mão de obra qualificada. É o que faz sentido e o que dá emprego», sublinha.

Álvaro Araújo, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António (VRSA).

A proximidade a Ayamonte e portanto, à Andaluzia é também uma vantagem. «Temos o Rio Guadiana que nos une. E se fizermos uma comparação em termos etários, os nossos vizinhos espanhóis têm mais jovens que nós e talvez poucas respostas para lhes dar. Temos de ser competitivos e atrai-los para estudarem aqui. Queremos apostar numa ligação forte, em que haja circulação de pessoas, tendo em vista a sua especialização profissional», ambiciona.

«A Pousada da Juventude está devoluta e fechada há anos», na zona nobre da cidade, «mas temos a garantia da Secretaria de Estado que a disponibilizaria para o que o município entender. Estamos convencidos que pode funcionar como residencial onde, por um lado, teríamos os alunos dos cursos da Escola de Hotelaria e Turismo a fazer as suas práticas, e por outro, a servir de alojamento estudantil para jovens de todo o Algarve, de todo o país e da vizinha Andaluzia».

O autarca não quer perder esta oportunidade e ambiciona abrir a primeira turma já no ano letivo de 2023/2024.

O barlavento sabe que a CCDR Algarve sensibilizou o Ministério da Educação e a direção da ANQEP para «os riscos associados à excessiva concentração da oferta formativa num único sector, o turismo – que pode condicionar as opções dos Agrupamentos de Escolas em relação às áreas dos CTE Industriais que pretendam criar e, por essa via, obstaculizar à implementação da estratégia de desenvolvimento regional de diversificação da base económica» que a região precisa.

No caso concreto de VRSA, «há mais de 15 anos o Turismo de Portugal, através da sua Escola de Hotelaria tem vindo a promover a qualificação de jovens para o sector. É também um concelho onde ocorrem significativos investimentos na promoção da indústria de construção e reparação naval. Estamos seguros de que deve ser este o sector que importará apoiar, para que a região se torne mais resiliente e as indústrias do mar mais competitivas», defende a CCDR Algarve.