Universidade do Algarve vai ter hotel académico de charme

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As infiltrações nos quartos, as casas de banho em mau estado e a cozinha já muito gasta pelo uso, têm, por fim, os dias contados. Isto porque, os Serviços de Ação Social (SAS) da Universidade do Algarve (UAlg) estão a reabilitar a residência feminina no centro de Faro – o hotel Albacor – antiga unidade de duas estrelas, «que já estava muito danificada e precisava de uma grande intervenção de fundo».
Em entrevista ao «barlavento», António Cabecinha,

administrador dos SAS da UAlg, admite que já eram conhecidas as queixas das estudantes de licenciatura e mestrado, que ficam alojadas naquele espaço durante o período de aulas do ano letivo. Desafiado pelo reitor António Branco, criou «um plano estratégico de melhoria das instalações», o qual já começou a dar frutos.

Em 2015, a residência conhecida por «Lote O», em Gambelas, recebeu obras de remodelação. «Foi toda arranjada e pintada e tem, neste momento, ótimas condições», garante. Também as cantinas e os bares sob alçada dos Serviços de Ação Social têm sido reequipados.

albacor0No Albacor, a obra prevê duas fases. Até ao início do próximo ano letivo (2016/17), o plano é arranjar os problemas de infiltrações e a substituição completa de todas as instalações sanitárias, incluindo a canalização. A empreitada está a cargo da empresa «Construmapi», tem um prazo de 3,5 meses e um valor de obra de 149200 euros. «Temos 42 casas de banho privativas para remodelar por inteiro», esclarece. Também os espaços de utilização comum, como a cozinha e a sala de convívio estão ser reabilitados.

«No próximo ano, se tudo correr bem, serão remodelados os 29 quartos duplos e nove individuais» ao nível do pavimento e mobiliário. «Estamos à procura de financiamento comunitário no âmbito do Portugal 2020. Aguardamos a abertura dos concursos, pois já no ano passado, aproveitámos fundos europeus do antigo quadro de apoios para instalar uma rede wi-fi em todas as nossas residências».

No total, o investimento no Albacor pode ascender aos 400 mil euros. António Cabecinha considera que «vale a pena», pois, quando estiver pronto, a partir 2018, vai também funcionar durante os meses de verão, como uma espécie de hotel académico de charme.

«Sabemos que, em julho e agosto, a maior parte das nossas instalações estão subaproveitadas. O nosso público-alvo será sempre os estudantes universitários, professores e funcionários de outras academias nacionais e estrangeiras, para que possam vir conhecer a Universidade do Algarve. A ideia é ter aqui um chamariz que nos possa dar uma visibilidade e diferenciação à Academia».

E já há procura durante o verão? «Sim, temos 50 camas disponíveis, durante todo o ano para doutorandos e investigadores, cuja ocupação também ronda os 100 por cento. Já há algum tempo que a Universidade do Algarve tem programa Erasmus Mundus, formação avançada que prevê consórcios entre várias academias. Julho e agosto são épocas propícias à pré-preparação de trabalhos e muitos projetos de investigação têm o seu auge durante este período» estival.

Por outro lado, «temos muitos estudantes de Erasmus. Podem ser um veículo de divulgação do nosso acolhimento, do nosso sol, passando uma mensagem para o estrangeiro, na captação de doutorandos. A Universidade do Algarve tem caminhado no sentido da internacionalização na área da investigação. Este será mais um elemento para acolher investigadores».albacor1

Em boa verdade, a ideia não é inédita. «Outras universidades têm alojamento de verão. Qualquer particular poderá ficar alojado, em alternativa, numa residência universitária. Aqui, bastará divulgarmos muito bem os nossos serviços, para que aquela residência possa vir a ter taxas de ocupação muito altas no verão, sem entrar numa questão de concorrência com a hotelaria tradicional de Faro», frisa.

«Como é do conhecimento geral, as verbas do Orçamento de Estado são cada vez menores para os estabelecimentos de ensino superior, onde também se incluem os Serviços de Ação Social. Isso implica e obriga a que as instituições sejam cada vez mais criativas para a obtenção de receitas próprias. Ao criarmos estas melhorias estamos a tentar aumentar as nossas receitas, mas sempre com uma atenção especial» no público-alvo, pois António Cabecinha sublinha que o objetivo não é concorrer com a hotelaria tradicional da cidade.

«Ação Social é para todos»

«A ideia que, infelizmente, ainda existe» é que os Serviços de Ação Social são de âmbito sócio-caritativo. «Não é verdade. Todos os estudantes são abrangidos, quer de forma direta, através de bolsas ou auxílios de emergência, ou indireta, nas cantinas, bares, serviços de saúde, apoio psicológico e medicina e planeamento familiar que temos disponíveis», sublinha o responsável António
Cabecinha. A Universidade do Algarve tem 560 camas disponíveis para os estudantes, divididas entre Penha, centro de Faro, Gambelas e Portimão, cuja taxa de ocupação ronda os 100 por cento. «As residências têm como prioridade os nossos bolseiros. Dentro desta lógica, temos também apartamentos destinados a investigadores, doutorandos nacionais e estrangeiros». Outra faceta mais recente tem que ver com a área alimentar. «Neste momento, estamos disponíveis para apoiar qualquer congresso na nossa Universidade, relativamente aos almoços e jantares, coffee breaks e o catering. É mais uma fonte de receita e é uma forma de otimizar os nossos recursos».