Um novo spa mineral nas salinas de Castro Marim

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Recuperada recentemente, depois de vários anos ao abandono, a Salina Barquinha reserva dois talhos para banhos ricos em sais minerais e argilas terapêuticas. É um spa natural ao ar livre. Luís Horta Correia, salinicultor desde 2008, e Pedro Rosa, um dos guias turístico da equipa, explicam-nos o conceito.

À primeira vista, pode parecer um sítio um pouco árido. Atrás do armazém do sal, recentemente recuperado, há uma pérgula de madeira que dá sombra à «sala de estar» sobre as piscinas de sais minerais. Uma pequena horta biológica perfuma ainda mais a frescura natural vinda do Guadiana.

Os passos experientes de um dos quatro salineiros que aqui trabalham estima a medida das piscinas: 9 por 15 metros, cada. A elevada salinidade da água, cerca de 20 graus de baumé (escala hidrométrica para medição de densidade de líquidos) é muito semelhante à do Mar Morto, em Israel.

Permite que as pessoas flutuem, como se estivessem num ambiente de gravidade zero. A água está a 29º na manhã, e a 32º no final da tarde. «Imagine isto como uma praia fluvial», explica Pedro Rosa. Mas com uma diferença.

«Estas são águas extremamente ricas em sais minerais, o magnésio, o potássio, o iodo, o ferro. O próprio sal vai atuar na pele como um esfoliante natural. Arranha sem dor, mas limpa a pele. As pessoas também podem aplicar as nossas argilas que ao secarem, procuram a humidade da pele e limpam as impurezas», informa Pedro Rosa. Por marcação prévia, é possível ter acesso a vários tratamentos, a cargo da naturoterapeuta Sofia Pimentão.

A Salina Barquinha tem 135 talhos a funcionar, e 6 a 7 viveiros, isto é, depósitos de água, pequenos lagos artificiais que fornecem água, conforme as necessidades.

O bisavô de Pedro Rosa começou a produzir sal aqui em 1918. O avô deu continuidade, mas a geração seguinte desinteressou-se e acabou por ficar ao abandono.

Luís Horta Correia, cunhado de Rosa e um dos atuais maiores produtores de sal do concelho de Castro Marim decidiu recuperá-la, com o apoio de fundos do PRODER, há cerca de três anos. Um processo que implicou a remoção de 1000 toneladas de argilas e inertes.

«Esta salina tem uma posição muito bonita em relação a Castro Marim. Sempre pensei que poderia tirar partido disso, já que é um sítio bonito. Agora, não tinha bem ideia como», revela.

Horta Correia pensou que poderia ser um bom meio de divulgação. «É muito importante para nós explicar a diferença entre este sal e o sal industrial. Essa é uma mensagem difícil de passar», que justifica, por si só, a abertura da salina tradicional ao público. Entretanto, «surgiu também uma vontade de atrair o turismo para conhecer esta atividade».

Assim, para além dos banhos, os visitantes podem fazer uma visita guiada à volta da salina. É aconselhado que o façam acompanhados. Não só pela vertente pedagógica, mas porque o terreno está salpicado de ovos das várias espécies de aves que ali nidificam. É também possível participar nas atividades de recolha com os salineiros, que segundo Rosa, têm uma sabedoria e uma «ciência» muito própria, na previsão das marés e até do tempo.

«Temos um salineiro, o Alcino, que através do tempo que faz nos primeiros 12 dias de janeiro, consegue prever o tempo que vai fazer em cada mês do ano. E funciona», garante. Outro salineiro, «o Vitalino faz cesto de vime desde criança», um conhecimento que já partilhou num workshop de cestaria.

«A flor de sal é uma atividade de fim de tarde. Esperamos o dia todo para que se acumule e só no final é feita a recolha. É fácil. O sal grosso já requer técnica de pulso para quebrar os cristais sem levantar as argilas que se acumulam por debaixo», explica o guia.

«Os antigos viam a flor de sal a flutuar, chamavam-lhe o coalho e davam-lhe um toque para ir ao fundo para formar sal grosso», diz, salientado o que é hoje reconhecido como um produto gourmet de excelência.

Desenvolver um projeto que casa uma unidade de produção de sal tradicional com o turismo, em plena reserva natural do sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, «em termos burocráticos, não foi muito fácil. Como é uma coisa diferente, o nosso Estado não está preparado para dizer como é que se aprova, o que é que se tem de fazer», sublinha Luís Horta Correia.

Até agora, a divulgação tem sido o boca-a-boca, flyers nos hotéis e as redes sociais. Alguns operadores turísticos já vieram fazer a prospeção, mas ainda está tudo numa fase preliminar. A Salina Barquinha abre ao público de segunda a sexta-feira das 9 às 11 e das 16 às 20 horas. Aos sábado e domingos e feriados abre das 9 até as 20 horas.


Água mãe

Salina Barquinha,
Castro Marim
+351 965 404 888 | turismo@aguamae.pt
http://www.aguamae.pt
GPS 37º 12´50.00”N – 7º 26´10.1W

Em Vila Real de Santo António tomar a estrada N122 em direção a Castro Marim. Quase ao chegar, logo após passar a ponte sobre o Esteiro do Rio, voltar à direita na estrada de terra, em direção ao armazém azul e branco.