Sporting Clube Farense abre caminho ao Walking Football

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Equipa afiliada ao Sporting Clube Farense quer dar o pontapé de saída no Walking Football, um tipo de futebol adequado ao envelhecimento ativo, que estimula a socialização e combate o sedentarismo.

Começou com quatro entusiastas, em vésperas da pandemia, e hoje, tem mais de 30 elementos. Paulo Horta é um dos primeiros. Está na equipa desde o início. O que o atraiu?

«No meu caso, joguei futebol de 11 durante muitos anos. Agora tenho a possibilidade de dar continuidade a esta paixão, até que as pernas aguentem. Além disso, esta é uma oportunidade para o convívio e até para viajar».

Na verdade, à data da reportagem, no domingo, 9 de janeiro, o Sporting Clube Farense Walking Football deveria estar em Bilbau para participar num torneio que acabou por ser cancelado devido ao contexto atual.

«Não fomos, mas estávamos inscritos e já temos outros convites» para 2022.
Luciano Viegas, 46 anos, soube da modalidade através das redes sociais. Veio experimentar, gostou e ficou.

«Em vez de ser um jogo de desmarcações, este é um jogo de passes, muito mais cerebral. É um desporto que foi concebido de forma a evitar a possibilidade de lesões», tendo em conta a idade dos praticantes. João Reis, um dos líderes do núcleo organizativo da equipa, corrobora.

«É parecido ao futsal, a cabeça tem de pensar mais depressa do que o corpo se consegue mexer. É um jogo muito mais tático e por isso conquista o interesse de quem vem experimentar», explica.

No Algarve esta é a única equipa portuguesa de Walking Football Cup que joga sobretudo com as congéneres britânicas que existem na região, pelo menos, desde 2015. Na verdade, não se pode dizer que é totalmente portuguesa, pois o plantel atual tem um jogador espanhol, um francês, cinco ingleses e o treinador é francês. Em termos de organização, divide-se em dois escalões etários (+50 e + 60). E ambos já mostraram o que valem.

Em outubro de 2021, os capitães das equipas de cada escalão entregaram a João Rodrigues, presidente do Sporting Clube Farense, os troféus conquistados. No torneio Eurocopa Algarve do ano passado, a equipa +60 ficou em segundo lugar. Só foram vice-campeões devido a um azar na final. No torneio Algarve Walking Football Cup, a equipa +50 foi a terceira classificada. No plantel são todos sócios do Farense, que empresta o nome cada vez que vestem a camisola.

«Isto também nasce do amor ao clube de Faro e da vontade de o poder representar enquanto atletas maiores de 50 anos», sublinha João Reis.

Uma das principais dificuldades é que esta modalidade ainda não é oficialmente reconhecida. A equipa do Farense vai tentar, em breve, sensibilizar a Associação de Futebol do Algarve (AFA).

«Já há várias equipas um pouco por todo o país e existe um número significativo de jogadores», diz.

O reconhecimento oficial daria outras condições aos praticantes, como a possibilidade de terem acesso a um seguro desportivo, e levaria à organização a novos campeonatos.

Por outro lado, para que possa haver crescimento e massa crítica, «gostávamos muito de mostrar isto a outros clubes do Algarve como o Olhanense, o Louletano e o Portimonense, por exemplo» para seguirem o exemplo.

«É fácil, basta reunir elementos que se queiram divertir. Estamos disponíveis para partilhar a nossa experiência com qualquer equipa que assim o solicite», garante ainda o jogador.

Outro problema associado ao não reconhecimento oficial é a falta de uniformização das regras. Existe um standard, mas ainda assim as regras variam conforme os torneios.

Em princípio, o campo deve ter 60 por 40 metros de dimensão máxima (meio campo de futebol convencional). As balizas podem ser mais pequenas, por exemplo, como as de hóquei. O jogo é disputado por duas equipas de seis elementos e um guarda-redes (sete por sete, embora também possa ser de cinco por cinco).

As partidas dos torneios são dividas em duas partes de 10 minutos. O mais importante é controlar o ímpeto de correr atrás da bola.

«Pode-se marchar, mas não pode haver saltos. Não se pode ter os dois pés no ar, é falta», diz João Reis. Ataques pelas costas, ou roubar a bola pelos lados também não vale a pena.

Para já, cada jogador paga uma cota de 12 euros mensais para o acesso a oito treinos por mês, equipamentos e outras despesas da equipa que já conquistou patrocinadores.

O jogador francês Sylvain Laurent, 37 anos, é o treinador e o mais jovem. Foi convidado para o cargo (voluntário, diga-se) pelo amigo Paulo Horta há cerca de um ano.

«A equipa cresceu e começámos a sentir a necessidade de ter alguém para orientar a parte física, técnica e também a disciplina», diz João Reis.

Ouvido pelo barlavento, Laurent não poupa elogios aos seus jogadores. «É um grupo muito unido, que tem vontade de trabalhar bem, temos alguns jogadores que são rigorosos. Alguns, apesar da idade, têm resistência. E para mim, que é muito importante, existe um excelente espírito coletivo. É uma equipa cinco estrelas», sublinha.

E fazem o que lhes diz? «Às vezes, não. Não gostam dos alongamentos», brinca. «O convívio que existe entre equipas, mesmo adversárias e o intercâmbio social é maravilhoso», refere Reis.

A parte do convívio «é quase uma segunda família», diz Luciano. «Zangamo-nos no campo, mas depois fazemos as pazes na terceira parte do jogo», diz Assis Gonçalves, que é feita frente às bifanas e às imperiais da praxe para recuperar as energias.

Neste momento, todos os treinos são abertos. Realizam-se em dois espaços do concelho de Faro, à quinta-feira no Polidesportivo em Santa Bárbara de Nexe, a partir das 20 horas, cedido pela Junta de Freguesia. E ao domingo de manhã no campo do Clube Desportivo do Montenegro.

Quem quiser vir experimentar o Walking Football será bem-vindo. O único requisito é ser maior de 45 anos. A equipa pode ser contactada por email (wf_farense@outlook.pt).

Jogar bem sem correr

A regra principal do Walking Football, é a proibição de correr, e um dos pés do jogador tem de estar sempre em contacto com o solo. Não é tolerável o contacto físico, e a bola não pode ser jogada acima do nível da cabeça. Três é o número limite de toques consecutivos que cada jogador pode dar. Os encontros são jogados por equipas constituídas por cinco, seis ou sete jogadores, variando o número de participantes em função da dimensão do campo em que se joga, ou das regras específicas de cada torneio. Também não é permitida a violação do espaço da área de baliza pelos jogadores de campo. Apesar das regras não estarem ainda uniformizadas, a equipa do Farense utiliza as instituídas pela Federação Inglesa de Futebol.

Modalidade com pernas para andar

Este tipo de jogo surgiu em Inglaterra em 2011, criado pelo Chesterfield FC Community Trust e depressa se popularizou no Reino Unido, que neste momento soma mais de 400 clubes ativos da modalidade. Em Portugal foi introduzido em 2015, pela comunidade britânica residente no Algarve, que, para o efeito, criou a associação East Algarve Walking Football. Desde então, têm surgido mais equipas de norte a sul do país, entre as quais, em 2019, o Walking Football do Sporting Clube Farense.

O objetivo da modalidade é ser atraente para uma população com idade igual ou superior a 45 anos, aberta a todos os interessados em ter uma atividade física. Outra componente importante são as relações sociais, para combater a problemática do isolamento da população sénior.

O Sporting Clube Farense Walking Football tem neste momento 30 atletas divididos pelos dois escalões de +50 anos e +60 anos. O escalão de +50 anos é o que mais tem despertado a curiosidade, e neste momento alberga 16 atletas. O escalão de +60 anos com 14 atletas é uma grande surpresa pela adesão, e o que mais tem crescido nos últimos treinos.

Futuro é o associativismo federativo

Na perspectiva do Sporting Clube Farense Walking Football, o futuro desta vertente de futebol deve passar por um associativismo federativo. Existem cada vez mais equipas no país, algumas com origem em clubes federados nas principais Ligas de Futebol, à semelhança do que acontece com o Sporting Clube Farense, e como tal, a organização de um campeonato de futebol para a faixa de mais de 50 anos, através das associações regionais, com o reconhecimento e integração na Federação Portuguesa de Futebol, é uma proposta a colocar em cima da mesa das entidades.

Patrocinadores

  • Junta de freguesia de Santa Bárbara de Nexe
  • Frutas Casimiro
  • Remax Mercado
  • PREDIMED – Faro
  • Événements en Algarve (grupo de Facebook)
  • Visacar
  • Garvetur
  • Lxmax design
  • Herdade dos Salgados