Secretária de Estado do Turismo abriu Congresso da APECATE em Faro

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Rita Marques abriu o congresso da Associação Portuguesa de Empresas, de Congressos, de Animação Turística e de Eventos (APECATE), realizado pela primeira vez no Algarve. A governante definiu quais os desafios prioritários para o sector e revelou que está a ser criado um grupo de trabalho interministerial.

Digitalização, globalização, sustentabilidade e robotização são alguns dos temas que se encontram em debate no oitavo Congresso da APECATE, que começou ontem, quinta-feira, 6 de fevereiro, e se prolonga até sábado, dia 8, em Faro.

António Marques Vidal, presidente da direção da APECATE, justificou a escolha do mote «Turismo e Democracia» enquanto premissa para os trabalhos, durante a sessão de abertura, que teve lugar no campus de Gambelas da Universidade do Algarve (UAlg).

António Marques Vidal, presidente da direção da APECATE.

«Este é um tema que, ao longo dos anos achamos que é cada vez mais importante. O turismo em Portugal tem vindo a crescer e deixou de ser uma mera atividade económica para ser um sector que tem muito impacto em termos sociais, culturais e económicos», disse.

Apesar disso, há muito trabalho que ainda não está a ser feito. Para o exemplificar, Vidal usou uma analogia.

«Imaginem o que é a equipa de futebol de Portugal ir ao Campeonato do Mundo num autocarro que polui imenso, muito degradado e em que os jogadores têm de comprar o próprio equipamento e assegurar-se que esteja apresentável todos os dias. Este é o paradigma em que vivemos», ironizou em linguagem desportiva.

Mas mesmo com as adversidades internas, «Portugal está a ganhar o Campeonato do Mundo, há três anos seguidos, com muito valor e trabalho de todos, mas a equipa tem de se unir e trabalhar. É aí que existe a essência de um regime democrático. A democracia exige uma cidadania responsável e que todos comecem a comunicar uns com os outros. Temos de começar a trabalhar para gerir este mundo», afirmou.

Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, enfatizou que «é um gosto estar na cidade de Faro a refletir o turismo e o futuro da animação turística em particular. O turismo está a passar por uma fase extraordinária e queremos que se perpetue no tempo».

«A animação turística tem tido um papel preponderante na dinamização do sector porque ajuda à diversidade dos territórios, dos nossos ativos e do nosso património histórico. Importa falar do dinamismo dos nossos empresários do sector, mas também não há que descurar a importância das políticas públicas», referiu.

«No que toca ao financiamento, temos criado aqui dinâmicas interessantes a nível de linhas específicas de financiamento», lembrou Rita Marques.

«Temos de garantir um aumento da estadia do turista que nos procura. Temos de trabalhar na redução da sazonalidade e na coesão territorial. Precisamos de refletir e fazer melhor para o futuro. Há três desafios que temos de agarrar», enumerou.

«Primeiro, estruturar e simplificar o enquadramento da atividade das empresas de animação turística e eventos. Segundo, continuar a trabalhar na capacitação dos recursos humanos afetos a estas atividades. Por fim, incentivar muito e estimular muito a inovação», sumariou.

Para Rita Marques, «os temas estão identificados e têm de ser trabalhados. Esta é uma atividade complexa que depende de um conjunto de áreas governamentais que não se esgotam na secretaria de Estado do Turismo».

Nesse sentido, a governante revelou uma novidade. «É com muito gosto que vos dou nota de que já estamos a dar os primeiros passos na constituição de um grupo de trabalho interministerial. Nesta primeira fase envolverá mais cinco outras secretarias de Estado (Ambiente, Defesa Nacional, Florestas, Juventude e Desporto e Mar)».

O objetivo é «estruturar e simplificar os procedimentos necessários ao bom desenvolvimento das atividades de animação turística e de organização de eventos».

Rita Marques acrescentou que o governo está também a «trabalhar de forma muito viva na capitação de recursos humanos e na promoção digital internacional». E ainda em «alavancar o investimento privado, minimizando o risco do empresário e desenvolver linhas específicas de financiamento. Em breve teremos novidades nesse âmbito», garantiu.

«Estou ciente que temos muito trabalho a fazer, mas que temos os recursos certos para que o mesmo possa ser bem feito», concluiu.

Carlos Baía, vereador da Câmara Municipal de Faro.

Faro cada vez mais turístico

Carlos Baía, vereador da Câmara Municipal de Faro, destacou a crescente importância da capital algarvia, que já atrai um elevado número de turistas.

«Em 2019, e face a 2013, mais que triplicámos o número de quartos, camas e capacidade de alojamento. Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para um fecho de 544 mil dormidas. Uma tendência de crescimento com uma triplicação de valores num curto espaço de tempo», contabilizou.

«As receitas passaram de 11 milhões de euros, em 2013, para mais de 26 milhões, em 2018. A taxa de ocupação, desde 2016, e pela primeira vez, apresenta valores superiores à média regional e à nacional», declarou.

O vereador aproveitou a plateia de empresários para posicionar Faro no mapa turístico algarvio.

«Temos natureza, património histórico, cultura e gastronomia. Estamos no início, ou no fim, da Estrada Nacional (EN) 2. Temos uma universidades e Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve. Fomos, em 2019, o melhor destino do Algarve para viver, visitar e fazer negócio. Temos um Aeroporto que movimentou mais de nove milhões de passageiros em 2019. É neste enquadramento que este Congresso se realiza», enquadrou.

Por fim, Saúl Neves de Jesus, vice-reitor da UAlg lembrou que o turismo é «uma das bandeiras da instituição e uma das principais áreas de desenvolvimento» da academia algarvia.

Tanto assim é que «o nosso Centro de Investigação em Turismo, Sustentabilidade e Bem-Estar, avaliado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia com nota de Muito Bom, é o único na área, em Portugal, com essa classificação».

Saúl Neves de Jesus, vice-reitor da Universidade do Algarve.

Câmara de Faro alertou secretária de Estado do Turismo

Além de apresentar números e resultados positivos do crescente turismo que se tem vindo a sentir tanto na capital algariva , como em toda a região, Carlos Baía, vereador da Câmara Municipal de Faro, dirigiu-se em particular a Rita Marques, secretária de Estado do Turismo com um mensagem de alerta.

«Não podemos descansar sobre os resultados passados. É importante que no caso do Algarve não se percam em vista os riscos e os desafios que se colocam. O verdadeiro impacto do Brexit ainda está por conhecer. A este respeito digo que tardamos em apostar na Andaluzia que, com mais de oito milhões de habitantes, está à nossa porta e não necessita de ligação aérea para cá chegar», disse, lembrando que a região fecha a porta aos vizinhos espanhóis com portagens complicadas e a inexistência de uma ferrovia transfronteiriça.

O problema é «a mobilidade, uma vez que a EN125 e a Via do Infante (A22) são constrangimentos à circulação na região. Uma situação que é reforçada pela ausência de uma rede de transportes públicos coerente e funcional e pela falta de qualidade e quantidade de material circulante na ferrovia».

Baía lembrou ainda que a segurança, «que sabemos ser um dos grandes trunfos perante o exterior», não pode ser descurada, e «importa manter as autoridades dotadas de meios necessários e suficientes».

Em jeito de conclusão, o vereador referiu «os desafios climáticos ligados à questão da água e da erosão costeira, que são assuntos que assumem caráter prioritário» e lembrou as dificuldades dos empresários no que toca aos recursos humanos. «Considero que as entidades públicas, com competência na matéria, não estão a fazer tudo o que está ao seu alcance para atenuar os efeitos da falta de mão de obra qualificada».