Ricardo Martins apresentou ESCAPISMO em São Brás de Alportel

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ESCAPISMO, novo CD do guitarrista algarvio Ricardo Martins, foi apresentado ao vivo na noite de sábado, 14 de agosto, num concerto que agradou e surpreendeu.

Dos dedos ágeis e inspirados do guitarrista Ricardo Martins escapou-se um novo disco. É o terceiro editado pelo músico algarvio e intitula-se ESCAPISMO, um termo que significa a fuga ao quotidiano ou às monótonas rotinas do dia a dia.

«É algo que altera a rotina diária e que marca, sem ter de ser qualquer coisa muito especial», explicou ao barlavento.

Lançar um novo CD, para um músico, é isso mesmo. Marca na carreira, muda o quotidiano, tanto durante a preparação dos trabalhos como depois, nos espetáculos que se sucedem para a sua apresentação pública.

A preparação de ESCAPISMO foi morosa. As gravações começaram em julho de 2020 e acabaram em março de 2021, e o disco viu a luz do dia recentemente. No total, são 11 temas, com destaque especial para o tema que dá o nome ao álbum, e que o próprio guitarrista mais aprecia, embora também com destaques merecidos para «Visões do Mundo Inferior»; «Estudo em Ré Menor» e «Coimbrada».

Ricardo Martins é natural de São Brás de Alportel, reside em Loulé e tem 37 anos. Foi aos 14 que comprou uma guitarra e, como autodidata, começou a tocar. Passou por grupos de música tradicional, teve uma banda na escola, e aos 20 anos descobriu Carlos Paredes e as guitarras de Coimbra e Lisboa (guitarra de fado). A escassez de guitarristas no Algarve abriu-lhe portas para o fado e para a independência económica.

Os discos são uma das faces da identidade própria de Ricardo Martins. Afirma-se muito satisfeito com ESCAPISMO, que apresentou ao vivo em São Brás de Alportel no sábado, 14 de agosto. Ao palco subiram também Cláudio Sousa (guitarra clássica), Luís Trindade (baixo) e Francis Mata (bateria), bem como os convidados Nelson Conceição (acordeão) e Bárbara Santos (violoncelo).

O concerto, na opinião do guitarrista, «correu muito bem. Mesmo com as pessoas atrás das máscaras percebi que estavam a gostar e a ficar surpreendidas com o que estávamos a tocar! Não era música de elevador (risos), era diferente e surpreendente. Muitas vezes a música instrumental é subvalorizada, porque se está sempre à espera que suba ao palco alguém para cantar. Mas quando as pessoas vão ver e ouvir, por vezes até sem saber bem ao que vão, acabam por gostar bastante. Acho que isso aconteceu aqui, nesta noite».

Em agenda está já um concerto em Loulé, para breve, e depois, se a situação pandémica o permitir, começará uma digressão internacional. Ao barlavento o Ricardo Martins revelou que já tocou mundo fora e alguns países africanos, como Quénia, Etiópia, Moçambique, Namíbia, Zimbabué e África do Sul, estão de novo nos seus planos. Fascina-o o interesse dos nacionais desses países pela sua música e pela guitarra portuguesa, atitude que não encontra quando toca na Europa e se depara sobretudo com emigrantes portugueses nas plateias.

«Há países de que nem nos lembramos e que têm pela cultura portuguesa uma curiosidade e um interesse muito grande!», sublinha.


Entretanto, antes de qualquer um desses concertos, ESCAPISMO pode ser comprado diretamente, contactando o músico através, por exemplo, das redes sociais. Um disco com edição de autor, muito cuidado e que até tem um QR code que permite o acesso às partituras completas.