Restaurante digital Monky leva farenses a viajar pelos sabores da Ásia

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Monky, um restaurante digital criado em plena pandemia, promete uma jornada «pelos sabores da Ásia, num momento em que viajar é quase uma utopia».

Um projeto que surgiu «num rasgo de criatividade e resiliência no meio do caos que vivemos». É assim que Cristina Monteiro, uma médica dentista de 33 anos, descreve a ideia de lançar o novo restaurante digital de Faro, o Monky, marinado em conjunto com o seu marido, o algarvio Rui Sequeira, de 29 anos, antigo sous-chef do restaurante Ocean (duas estrelas Michelin) e responsável por colocar ao lume os pratos que o espaço promete entregar aos clientes.

A dupla, também responsável pelo sucesso do restaurante Alameda, aberto em Faro, junto ao jardim homónimo, desde dezembro de 2018, bebeu a inspiração «numa viagem a Bali, que começou a despertar várias ideias gastronómicas», explica Cristina Monteiro, que confessa a presença da inspiração asiática «em vários aspetos» da sua vida.

A pandemia obrigou a várias adaptações de serviço no e, o último confinamento decretado em janeiro, acabou por ser o click para o nascimento deste restaurante em formato digital.

«o Monky surgiu da necessidade de nos reinventarmos para dar luta às dificuldades que a pandemia veio impor ao nosso sector. Temos um espaço e uma equipa que não queríamos de forma alguma perder, e arregaçámos as mangas», aprofunda o casal.

A ideia foi testada num período de exploração de mercado que, segundo Rui Sequeira, mostrou «uma oportunidade de negócio».

Depois, algo que «nasceu de uma necessidade», acabou por se tornar, «em pouco tempo, uma marca própria e com grande potencial de crescimento. É um restaurante digital que cresce a olhos vistos, desde a primeira manhã em que aceitámos encomendas para levar os nossos clientes a viajar para destinos asiáticos sem sair de casa».

A equipa conta com 10 elementos e os pratos são confecionados na cozinha do restaurante Alameda, seu irmão mais velho. No entanto, a filosofia dos dois espaços é oposta.

Cristina Monteiro explica que «enquanto o Alameda assenta na criatividade e reinvenção, o Monky promete ser fiel às origens».

Mas há algo comum aos dois negócios, afiança Rui Sequeira, o jovem responsável pela cozinha: «a aposta nos produtos locais e o respeito pela sazonalidade dos mesmos. Isso é algo que defendemos impreterivelmente e que se manterá sempre».

No menu, cabem vários países asiáticos. A representar o Japão, está o Ramen. É feito com um caldo à base de porco «que permanece ao lume muitas horas a temperaturas controladas, até chegar à densidade perfeita, cremosa e de cor branca», explica o chef.

A variedade Tonkotsu é servida com noodles, ovo, barriga de porco, couve lombarda e alga nori. A Indonésia chega nos pratos de arroz Nasi Goreng, enquanto o Caril Verde e os Pad Thai ostentam a bandeira tailandesa.

Há ainda espaço para o caril mais convencional, da Índia, e para os Bao, pães cozidos a vapor com vários recheios. Os mais gulosos podem também degustar sobremesas de crivo asiático. Tudo isto está disponível ao domicílio sete dias por semana, ao almoço e ao jantar, com encomendas feitas através do site, por telefone (920 475 109) ou através das plataformas UberEats e Glovo.

Há ainda a hipótese de levantar os pedidos nas instalações do restaurante Alameda. Sobre um futuro espaço físico, Cristina Monteiro revela, sem adiantar muitos pormenores, que «o Monky não se vai ficar por aqui. Seria impossível conciliar, na nossa cozinha, este conceito com a reabertura do Alameda. Mas ainda é cedo para pormenorizar». No entanto, há uma certeza: «o formato digital será para manter, com certeza. Foi o que alavancou o projeto», afirma a empreendedora, que deixa escapar outro ingrediente para esta criação: «a loucura também é algo que nos assiste…».

Apoios à restauração pecam pela morosidade

O jovem casal proprietário do restaurante Alameda e do Monky explica que, durante a pandemia da COVID-19, houve «acesso a alguns apoios» anunciados pelo governo. No entanto, há críticas a fazer: «a grande questão é a morosidade do processo. Obrigou-nos a tomar decisões rápidas para conseguir manter a vitalidade da empresa». Cristina Monteiro acrescenta mesmo que «era impossível ficar à espera das ajudas e a solução foi atuar rapidamente, procurando adaptação ao contexto» atual, para «mantermos as portas abertas e todos os membros que integram a nossa equipa»

Pandemia deixou negócios «em suspenso», mas houve reação

Cristina Monteiro e Rui Sequeira, empreendedores responsáveis pelo restaurante digital Monky, admitem que a pandemia da COVID-19 começou por «deixar em suspenso e na incerteza o nosso negócio». Apesar das contrariedades, «e inacreditavelmente, isto acabou por nos fortalecer muito, porque somos os dois de arregaçar as mangas», enaltecem. O responsável pela cozinha lembra que «fomos dos primeiros a fazer take away no confinamento de 2020, inicialmente a dois, mas posteriormente a incorporar a restante equipa do Alameda porque a procura disparou». Cristina Monteiro acrescenta: «acho que, atualmente, estamos preparados para o que der e vier».