Primeira rent-a-car 100 por cento elétrica do Algarve arranca em janeiro

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Chama-se Kwako, tem sede operacional nas Fontainhas, Albufeira, e começa a operar no início de 2020 com uma frota de pequenos veículos de dois lugares amigos do ambiente. Empresa pretende abrir um novo nicho de mercado na mobilidade ecológica do Algarve.

À primeira vista parecem carrinhos de golfe, mas a diferença é que têm todo o equipamento necessário e os pressupostos legais para circularem na estrada.

A empresa é um novo ramo (spin-off) da já bem estabelecida Yellowfish Travel Lda, das maiores operadoras de transfers na região algarvia, segundo explicou ao barlavento Hernani Sousa, responsável comercial da Kwako, durante a apresentação apenas para profissionais do turismo, entidades oficiais e imprensa, na sexta-feira, dia 25 de outubro, no Hotel NAU Salgados Palace, em Albufeira.

«Eu penso que esta é a primeira empresa a operar exclusivamente com veículos elétricos no Algarve. Não tenho conhecimento de outra rent-a-car do género. Surge da nossa intenção em ter uma área de negócio sustentável do ponto de vista ambiental dentro do nosso grupo», revelou. Esta intenção, contudo, teve de esperar até haver uma oferta de viaturas suficientemente fiáveis e algo robustas.

«Sim, fizemos uma pesquisa e encontrámos o BIRÒ, que é um carro elétrico de fabrico italiano. Um dos nosso administradores, numa viagem recente, viu um e achou-o muito prático e engraçado. Trouxe a ideia consigo e a verdade é que fomos visitar o fabricante nos arredores de Veneza», revelou ainda Hernani Sousa.

«Falámos com os técnicos e decidimos avançar». Foi uma novidade, pois aquela marca ainda não tinha fornecido viaturas para Portugal e muito menos para uma rent-a-car».

«Não sei se existe este conceito noutros países da Europa. Sabemos que este veículo é muito utilizado no conceito de car sharing urbano. Ou seja, estão disponíveis em determinados pontos de uma cidade e basta adquirir um cartão numa loja para os poder utilizar. Basta recolher e entregar num determinado pontos pré-definido».

Na verdade, este é um ponto comum na forma como a Kwako vai comercializar o serviço. «É muito simples. Nós vamos alugar diretamente ao cliente. Basta ir ao nosso website e fazer a reserva. Depois, pode levantar o carro na nossa base operacional, em Albufeira, ou pedir para que lhe seja entregue no seu local de alojamento no Algarve», descreveu o responsável.

«Nesta opção, o carro irá de reboque para que seja entregue com a bateria a 100 por cento». Ainda segundo Hernani Sousa, estas viaturas não necessitam de um ponto de carga e recarga especial. Basta uma vulgar tomada da rede, de 220 volts. A questão é saber se os hotéis da região estão disponíveis para colaborar com as necessidades energéticas dos hóspedes no que toca a novas soluções de mobilidade.

«Acho que sim. Aliás, já temos muitos resorts interessados em fazer parcerias connosco, no sentido de poderem disponibilizar estes veículos aos seus clientes. Estamos a pensar em várias vertentes possíveis. Podemos alocar, por exemplo, uma frota de carros a um hotel, onde poderão ficar em permanência. Ou então, a receção poder ter acesso ao backoffice e reservar a pedido do cliente», em 24 horas e ter acesso a gestão de conta corrente, exemplificou.

«Na perspetiva do turista, tem uma autonomia de 90 quilómetros. O carregamento demora entre três e seis horas. Claro quem alugar este carro não vai fazer grandes viagens. É alguém que quer ir à praia, quer ir a um restaurante, quer explorar as proximidades com calma. Não quer esperar por táxis», descreveu.

Mas há ainda outro desafio que pode condicionar o sucesso da ideia, e que tem a ver com o custo que terá de ser competitivo em relação à oferta de um carro convencional a combustível fóssil.

João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve também testou os carros elétricos da Kwako.

«Posso dizer que não vai ter o mesmo custo de um carro normal da gama mais baixa, que custa, em média, e mesmo durante a época alta, cerca de 30 euros por dia. Embora, na realidade, esse preço inflacione devido ao seguro adicional, ao condutor extra e outras despesas» que acabam por encarecer a fatura final.

«Aqui, o seguro está logo incluído no preço, logo não há nada a esconder. Será um pouco mais caro que alugar um carro a gasolina, mas depois, não é preciso gastar combustível. Não terá stress no trânsito, não terá que se preocupar com o estacionamento» dadas as dimensões reduzidas do BIRÒ.

O responsável, no entanto, sublinha que não são brinquedos, apesar do ar divertido. Quem os quiser conduzir tem de ter carta de condução ou habilitação legal válida em Portugal.

«Sim. São considerados quadriciclos. É possível conduzi-los com um título que se pode tirar aos 16 anos. Mas nós só os vamos alugar a maiores de 21 anos», por uma questão de responsabilidade.

Para já, a Kwako arranca com seis carros de dois lugares, com o objetivo de num futuro próximo se estender a oferta a veículos de cinco lugares.

De acordo com Hernani Sousa, a versão do pequeno italiano sem portas, para o mercado português, custa um pouco menos de 10 mil euros.

«Depois, existe uma versão com espaço de bagagem superior e outra com portas», de forma a possibilitar a operação durante todo o ano. «Estamos a ultimar o lançamento ao público, entre janeiro e fevereiro de 2020», adiantou. «Kwako» é uma palavra do idioma africano Swahili que significa «para si».

A cerimónia de apresentação da Kwako contou com a presença de João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve e de José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira.

Mais agilidade, menos CO2

A Kwako arranca com uma frota de seis carros elétricos de dois lugares da marca italiana BIRÓ. Têm uma autonomia de 90 quilómetros, velocidade máxima de 60 Km/hora.

Segundo Hernani Sousa, são atrativos para o turista com preocupações ambientais que visita o Algarve, não pretende percorrer grandes distâncias e procura uma forma de mobilidade «sustentável, segura, divertida e relaxante». Há uma versão sem portas para os dias quentes, com tejadilho e vidro traseiro de abrir, além de vários compartimentos para bagagem. Há uma outra versão para os dias mais frios e chuvosos, com limpa para-brisas e anti-embaciamento.

«O Turismo do Algarve é nosso parceiro institucional nas iniciativas de promoção externa», revelou ainda Hernani Sousa ao «barlavento». A marca conta também com a parceria da consultora Territórios Criativos e do Share Algarve.