Pina: «vamos ter de pagar o preço pela irresponsabilidade de alguns»

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António Miguel Pina, presidente da comissão distrital da Proteção Civil, lamentou hoje que a região esteja a pagar o preço da prevaricação social durante a última quadra festiva.

No dia em que há 419 novos casos ativos de COVID-19 no Algarve, António Miguel Pina, presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) e autarca de Olhão, deixou uma palavra de desagrado na primeira conferência de 2021 sobre a atual situação endémica da região.

«Houve um aumento exponencial, todos sabemos, fruto, essencialmente, dos contactos familiares, fruto da falta de consciência dentro das famílias. É importante que essa mensagem passe porque não vale a pena estar a pedir à polícia, ao governo e a quem quer que seja, que controle aquilo que é a consciência de cada um, que controle aquilo que é o controlo dentro do espaço que é mesmo de cada um, em casa de cada um», fez questão de dizer aos jornalistas.

«E essa foi a natureza deste aumento significativo. Só conseguiremos vencer e ultrapassar este ambiente muito difícil apelando à consciência, à responsabilidade individual e familiar», insistiu.

Também Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve corroborou a diatribe.

«Primeiro queria sublinhar este aumento exponencial que tivemos na região do Algarve sobretudo nos últimos dias de 2020 e nos primeiros deste ano 2021. Aconteceu onde a doença está em fase de progressão, aliás um pouco à semelhança daquilo que acontece um pouco por todos os países da Europa e do mundo. Uma nota de preocupação com a evolução desta doença é que sabemos que tem a ver com aquilo que acontece nas interações entre as pessoas. Quanto mais frequentes forem as interações e mais próximas forem, maior a transmissão da doença», explicou.

Os lares do Algarve vão receber a nova vacina contra a COVID-19 da Pfizer já a partir da próxima semana, segundo garantiu hoje aos jornalistas Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve.
Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve.

«Há aqui uma questão de comportamento individual. Claro que tudo o que puder ser feito para limitar este número de interações ajuda a reduzir a transmissão do vírus, daí as medidas que estão a ser tomadas um pouco por todo o mundo, toda a Europa e também em Portugal, nesse sentido. Esses aspetos são fundamentais e críticos», acrescentou Paulo Morgado.

Já Ana Cristina Guerreiro, delegada de saúde regional mostrou-se um pouco mais moderada e apesar da atual situação em Tavira, não defendeu mais medidas especiais para o Algarve.

«Não temos uma situação diferente da situação do país. Temos sim, de facto, o município de Tavira de forma destacada dos outros municípios e temos um olhar atento sobre ele. Em relação à região, precisava de mais dois ou três dias para ver em que sentido é que isto evolui e realmente essa é um bocadinho a postura nacional. Essa postura é importante porque temos muito pouco tempo de informação. Neste momento, não consentiria mais nenhuma medida», disse aos jornalistas.

António Miguel Pina, no entanto, voltou a censurar o coletivo: «este é o cenário que temos. Não sabemos se a situação vai piorar ou se vai ainda piorar muito mais. Sabemos que neste momento a situação é difícil, fruto da irresponsabilidade de cada um de nós enquanto comunidade. Talvez se esta situação se mantiver, ou venha ainda a aumentar nos próximos dias, é bom que todos nos preparemos para uma situação de confinamento ou geral, ou muito mais agravado daquilo que temos hoje. É inevitável. É o preço que como comunidade vamos ter de pagar pela irresponsabilidade de alguns».

Nova variante não aumenta severidade da doença

Paulo Morgado, no uso da palavra, deixou ainda uma nota sobre as variantes do novo Coronavírus.

«A variante dominante em Portugal, nos estudos feitos, é uma variante que surgiu inicialmente em Espanha, que representa cerca de 60 por cento daquilo que são as transmissões deste vírus. Este é um vírus que tem múltiplas variantes, várias centenas, onde estão sempre a surgir novas. A variante inicialmente isolada em setembro, em Inglaterra, e que segundo as autoridades inglesas será a responsável pelo exponencial aumento de casos na região sul daquele país, é chamada variante inglesa. Já está em toda a Europa e nos Estados Unidos da América, onde os últimos números que vi tinham isolado 40 casos», detalhou.

«Nós temos 32 casos confirmados em Portugal da nova variante. Inevitavelmente, até pela transmissibilidade grande que tem, ela terá tendência a crescer. É uma variante que por aquilo que se sabe não aumenta a severidade da doença. Esse aspeto é importante, mas chegando a mais pessoas acaba por causar, no fundo, mais casos graves e mais casos que precisem de internamento», explicou.

«É uma fonte de preocupação, mas digamos que aquilo que é a sua capacidade de transmissão, em comparação com a variante espanhola que é aquela que é dominante no nosso território, não é tão maior. Há aqui uma série de questões de detalhe, e que são responsáveis por esta transmissibilidade e que nos preocupam. Já enviámos amostras de algumas suspeitas de casos que vieram de Inglaterra, ou que detetámos que aquele caso deu origem a um maior número de positivos. São sobretudo esses os índices de suspeita que nos levam a enviar amostras para serem estudadas e avaliadas. O estudo é sempre difícil e não o podemos fazer. Nenhum país o faz sem todas as amostras que são colhidas para fazer a sequenciação genética. É sempre feito por amostragem e em função do número de casos que são de facto suspeitos dessas variantes», concluiu.