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A porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês de Sousa Real, visitou as Alagoas Brancas, na manhã de ontem, dia 1 de novembro.

A porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês de Sousa Real, visitou as Alagoas Brancas, zona húmida que está a ser urbanizada para dar lugar a um loteamento comercial, na manhã de terça-feira, dia 1 de novembro.  Aos jornalistas, a líder do PAN admitiu que vai tentar travar o avanço das obras no terreno.

«Fizemos queixa [no Ministério Público] e se necessário também iremos recorrer a instrumentos como a própria ação popular ou uma providência cautelar. O nosso gabinete jurídico está a estudar qualquer uma dessas possibilidades», referiu.

Segundo Inês Sousa Real, a queixa na justiça, apresentada na segunda-feira, visa defender «os interesses ambientais», embora o grupo de cidadãos que contesta o projeto já tenha intentado uma providência cautelar, este chegou ao Tribunal Central Administrativo do Sul, que acabou por dar razão ao promotor imobiliário.

«O PAN não poderá estar ao lado de decisões políticas absolutamente irresponsáveis e que constituem atos criminosos para com os valores ambientais. Por isso, faremos tudo o que está ao nosso alcance para defender este património natural único», insistiu a deputada do PAN, rodeada por cerca de 40 pessoas que exibiam fotografias de aves e faixas de protesto.

Para o partido, este é «um local com elevado valor ambiental e com um importante papel na preservação da biodiversidade e de prevenção de cheias. Não compreendemos como a autarquia de Lagoa, ao contrário do que dizem os estudos, especialistas, e até a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, deu o seu aval para arrasar este reduto verde».

«Aquilo que o presidente da Câmara [Luís Encarnação] tinha a obrigação de ter feito em defesa dos interesses da população, era ter-se sentado com o promotor e encontrar um outro espaço. Uma superfície comercial pode ser construída em qualquer outro local do concelho. O PAN não se irá silenciar até que esta situação seja travada. É um atentado e um dano absolutamente irreversível», concluiu.

Para Anabela Blofeld, do grupo de cidadãos que contesta o projeto, aquela zona recebe amantes de ornitologia, portugueses e de outros países, para fotografar as 149 espécies de aves que ali procuram refúgio, e deveria ser transformado num parque público. A área, com cerca de oito hectares, vai em breve albergar 11 lotes para comércio e serviços, um projeto que remonta a 2007 e que tem sido desde então contestado pelos ambientalistas. Os trabalhos de terraplanagem começaram em outubro.

A Câmara Municipal de Lagoa aprovou o projeto inicial em 2009 e passou por todas as fases de licenciamento previstas na lei para permitir a atribuição do alvará.

O protesto tem o consenso de várias Organizações Não-Governamentais como a Associação Almargem, A Rocha Portugal, GEOTA, FAPAS, Liga para a Proteção da Natureza (LPN), Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

De acordo com um estudo levado a cabo em 2019, financiado pelo Fundo Ambiental, só nas Alagoas Brancas foram identificadas 114 espécies de aves, destacando-se a presença neste local de pelo menos 1 por cento da população nacional reprodutora de caimão (Porphyrio porphyrio) e 1 por cento da população regional (Mediterrâneo, Mar Negro e África Ocidental) de Íbis Preta (Plegadis falcinellus) e espécies com estatuto de conservação desfavorável, como o cágado-de-carapaça-estriada classificada como «Em Perigo» e a Osga-turca classificada como «Vulnerável».