Novo serviço de cardiologia de Faro responde a «desejo muito antigo»

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Após seis meses de trabalhos e um investimento de quase 500 mil euros, o novo Serviço de Cardiologia do Hospital de Faro melhora a assistência aos doentes e a resposta do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA).

Apesar da pandemia, esta foi uma manhã feliz no Hospital de Faro. A nova unidade de Cardiologia «era algo que há muito desejávamos. Os doentes, que já aqui tinham estado anteriormente, notaram logo os benefícios da remodelação. Faz total diferença nas suas vidas». Foi com estas palavras que Ana Camacho, médica cardiologista, descreveu ao barlavento a remodelação apresentada à comunicação social.

Por sua vez, Ana Castro, presidente do conselho de administração do CHUA, referiu aos jornalistas que se tratou de uma obra que «contou com um investimento total na ordem dos 500 mil euros, para melhorar as condições daquilo que era o serviço de cardiologia, com as suas unidades: hemodinâmica e pacing».

Na prática, este upgrade «permite-nos ter mais capacidades, melhores condições de trabalho e de acolhimento aos doentes para podermos fazer aquilo que já aqui se fazia tão bem. Tratou-se de uma modernização do espaço e uma rentabilização de algumas áreas, de modo a aumentar a capacidade de internamento» e resposta à comunidade.

O novo serviço de Cardiologia tem agora a capacidade de 15 camas em enfermaria, seis em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e um novo espaço, o recobro, para quatro pacientes.

«É uma nova zona criada para quem faz cateterismo cardíaco, para doentes de pacing ou eletrofisiologia», segundo referiu a cardiologista.

Ana Castro, presidente do Conselho de Administração do CHUA, explicou aos jornalistas que «no fundo, temos aqui uma unidade de cuidados continuados para aqueles doentes cardíacos que fazem as suas intervenções e que precisam de ficar em vigilância 24 horas. Estão monitorizados, num espaço próprio e não precisam de estar numa UCI porque estão numa unidade dentro do próprio serviço e com os médicos com capacidade para os acompanharem».

Além disso, a obra, «permitiu-nos também rentabilizar algumas áreas para especialidades como a angiografia em si. Foi uma redefinição de áreas que nos permite, neste momento, ter capacidade para ter doentes que não tínhamos. Conseguimos uma melhor condição do espaço, que nos permite ter salas de gestão de recobro e salas para doentes que vêm fazer a sua urgência de cardiologia. Houve também espaços que estavam dentro do serviço e que saíram, como a zona de ecocardiografia, de maneira a permitir também ter uma outra funcionalidade», acrescentou.

Questionada sobre se as remodelações dos serviços podem ser uma solução até à criação de um novo CHUA, Ana Castro respondeu que «podemos sempre vir a ter um novo hospital, com outro tipo de condições, e o objetivo da região será sempre esse. Mas temos uma certeza, é que os doentes que vamos ter de tratar hoje têm de ser tratados neste CHUA».

«Para esses doentes vamos ter de criar condições aqui para que continuem a ser bem tratados como têm sido. Portanto, não é porque estamos à espera que vá haver um hospital que vamos deixar de investir neste, porque é aqui que temos as nossas pessoas e é aqui que tratamos os nossos doentes e será aqui que vamos melhorar o que tiver de ser melhorado para as pessoas trabalharem com condições. Enquanto não tivermos outra realidade, esta tem de ser melhorada para cumprir aquilo que é o nosso objetivo», enfatizou.

Em relação às possíveis condicionantes que a pandemia da COVID-19 poderia trazer à Cardiologia, Ana Castro afirmou que o números não se alteraram e que se tratou de um serviço que não sentiu grande impacto.

Isto porque, trata-se de uma área de patologia, «onde não há tempo para a pessoa ficar à espera, tem de ser tratada de imediato porque se não tem consequências. Não parece ser a área, de todo, onde tenha havido um maior impacto da questão da pandemia, porque foi uma área que sempre trabalhou. Os dados que temos do ano passado e deste ano, demonstraram exatamente que os nossos números se mantiveram, em termos de toda a intervenção cardíaca, apesar da COVID-19», explicou.

«Deve-se ao facto de serem situações emergentes e que não podem ser proteladas. Nas situações emergentes continuamos a dar resposta e a Cardiologia talvez seja o expoente máximo. Não dá para o doente aguardar até ao final da pandemia para ser tratado. Em casos emergentes, acho que não houve nenhuma dificuldade, acho que o serviço respondeu sempre e os números demonstram exatamente isso».

Os trabalhos na Cardiologia tiveram a duração de seis meses e foram divididos em três fases, sendo que o serviço nunca parou.

Uma mensagem que a presidente do Conselho de Administração do CHUA quis deixar bem clara.

«Independentemente da COVID-19 e das obras que foram feitas, este serviço nunca deixou de atender os seus doentes e nunca deixou de fazer as intervenções que tinha de fazer. A Cardiologia esteve sempre a funcionar, mesmo com os incómodos daquilo que são as obras», sublinhou.