Norte vai presidir PSD Algarve para «quebrar a asfixia» socialista

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Cristóvão Norte apresentou a candidatura à presidência do PSD Algarve sob o lema «Algarve a Valer!». Objetivo é exigir mais trabalho às concelhias e «quebrar a asfixia» socialista que impede a região de ser mais reivindicativa.

Nem o ruído de fundo da Feira de Santa Iria distraiu Cristóvão Norte na apresentação da única candidatura à presidência do Partido Social Democrata (PSD) Algarve, ao final da tarde de segunda-feira, dia 18 de outubro, no Museu Municipal de Faro.

Falando de improviso, apontou as primeiras palavras do discurso aos militantes. «Esta candidatura tem um objetivo. O objetivo é que o Algarve seja ouvido, reconhecido, defendido e realizado. Devo dizer-vos que com os anos de experiência política que tenho, só vejo uma forma disso acontecer. Para se resolver problemas regionais tem que se ter reconhecimento nacional. O que desejo é uma comissão política distrital que com os seus intérpretes, os seus protagonistas e a massa de militantes seja capaz de produzir trabalho suficiente para gerar esse reconhecimento, que conduza à resolução de problemas da região».

«Vamos fazê-lo com todos. Vamos melhorar a relação com as concelhias. Vamos dar-lhes meios de comunicar as suas iniciativas. Vamos exigir a quem quer exercer funções. Não basta parecer, não basta ser, tem que se fazer. E portanto, o que vos peço é trabalho. Não para mim, mas para cada um de vós porque estarão a trabalhar para a vossa região e em prol do 
vosso futuro», sublinhou.

Os problemas, apesar de bem conhecidos, foram também elencados pelo parlamentar que não poupou críticas ao Partido Socialista (PS).

«Não podemos deixar de nos indignar por termos os piores serviços de saúde do país. Não podemos deixar de nos indignar por o governo ter decidido fazer cinco hospitais em 2016, e o Algarve, que tinha sido decidido ao nível 
técnico como a segunda prioridade, só irá ter um novo hospital, talvez daqui a 10 anos», lembrou.

«Este governo tem ludibriado profundamente os algarvios. É terrível quando elegemos alguém para nos representar e esse alguém não nos representa. É isso que temos hoje com o Partido Socialista no Algarve. Essa hegemonia tem de ser travada porque é cúmplice do silêncio mais ensurdecedor que tem abafado a região e a priva de ser reivindicativa. Esse é o poder instituído na AMAL e nas Câmaras Municipais. O PS Algarve e os seus protagonistas têm condenado a região por uma asfixia de silêncio», acusou. «Nós vamos quebrar essa asfixia e o Algarve vai ter voz novamente», prometeu.

«No Algarve precisamos de diversificar, de uma vez por todas, a nossa economia, pois nos termos em que está construída não é uma economia suscetível de gerar um equilíbrio social saudável. Temos de nos abalançar para outras dimensões, desde o mar, ao potencial agroflorestal, às possibilidades de gerar alto valor acrescentado em áreas nas quais estamos muito desqualificados», acrescentou.

Uma ambição, contudo, difícil, segundo explicou. «Porque é que não se consegue fixar médicos no Algarve? Porque a estrutura hospitalar é decadente, a sua reputação é péssima, não tem uma estratégia de valorização profissional, o custo de vida é caro e os salários são baixos. Quem está disponível se noutras geografias encontra melhores condições de trabalho?».

Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, também se juntou ao rol de críticas aos socialistas no seu discurso.

«Ao contrário do que por aí dizem os nossos governantes e os seus seguidores locais, no Algarve nada melhorou com o PS. Onde está a melhoria e requalificação dos serviços de saúde que os algarvios merecem? Onde está a prioridade à saúde que nos prometeram? Onde estão as melhorias prometidas para a rede de transportes, como a eletrificação da linha do Algarve? A redução das portagens da Via do Infante e a sua requalificação? Onde está o trabalho de levantamento dos investimentos a fazer na EN125 e a sua reabilitação? Onde estão as medidas para a diversificação da nossa economia local para que não fiquemos dependentes do turismo? Onde está a descentralização e a regionalização prometidas?».

Rogério Bacalhau.

«Posso dizer que como autarca há 12 anos com funções executivas nunca vi um governo com tão pouca capacidade a decidir e a realizar. Se não querem fazer que deixem as autarquias fazer e despachem os requerimentos que estão em cima das vossas secretárias há anos», disse o edil farense.

«Este governo tem uma estratégia. A estratégia é levar tudo para os impostos indiretos, em que as pessoas não sabem o que vão pagar. E é isto que as empobrece. O Partido Socialista aproveita-se de tudo o que é mau na cultura política portuguesa. Aproveita-se da ignorância, da iliteracia financeira e da boa-fé de muitos cidadãos e constrói uma tese que, no fim de contas, nos vem dizer que está a fazer tudo por nós. Na verdade, nada fazem por nós nem pelas futuras gerações», concluiu Norte.

Apelo à união e elogios ao candidato

As eleições para a presidência do PSD Algarve estão marcadas para dia 12 de novembro. Cristóvão Norte avisou que «ninguém sozinho, por mais que a sua voz ecoe, consegue realizar alguma coisa verdadeiramente útil para os seus concidadãos. O que esta comissão política distrital vai querer é que cada um de nós, na persecução da missão cívica deve querer: ideias que defendem o Algarve Portanto o espírito é de união. O espírito vence os melindres, afasta as errâncias e convoca todos, sem egoísmos, sem reservas morais para fazer aquilo que o Algarve precisa que seja feito», disse.

Rogério Bacalhau não escondeu o entusiasmo com a candidatura de Norte. «Agora que avança para a distrital quero deixar a minha oferta de toda a colaboração naquilo que necessite. Foi com ele que conquistámos Faro em 2013 e foi com ele que alargámos a nossa maioria, contando agora com o seu precioso contributo como presidente da 
Assembleia Municipal de Faro. Estou convencido que será também com ele que vamos encetar uma caminhada de recuperação da preponderância do PSD como grande força política regional, com mais Câmaras e Juntas de Freguesia conquistadas, mais militantes nas nossas hostes e com uma militância mais ativa».

«É um caderno de encargos ambicioso, mas à altura. E espero dele uma coisa mais: que seja capaz de promover a união do nosso partido, se quisermos inverter a atual relação de forças. Foi isso que nos fez sobreviver quando o seu o saudoso pai e os outros fundadores eram apedrejados pela extrema-esquerda nos comícios na esplanada de São Luís», recordou.

Ainda assim, o presidente da Câmara de Faro deixou uma palavra de apreço a David Santos. «Justiça se faça. Enfrentou a pior conjuntura que o PSD já atravessou desde a sua fundação. Nestes três mandatos apanhámos os anos pós-Troika, em que a esquerda voltou ao poder com um expediente novo: a geringonça que tudo promete e nada concretiza. Nada além da satisfação das suas clientelas. David Santos e a sua equipa lutaram como puderam contra este estado de coisas. Resolveram imbróglios que se arrastavam há anos. Infelizmente, os tempos não estavam de feição e o eleitorado preferiu outras formas de fazer política. Foi o melhor presidente que a CCDR já teve. Figura no galarim dos mais ilustres presidentes da comissão política distrital que o Algarve já teve ao lado de Cabrita Neto, José Vitorino, Mendes Bota, Carlos Martins, Macário Correia e Luís Gomes», finalizou.

A apresentação contou com a presença de Bruno Lage, Rui Cristina, Ofélia Ramos e Bruno Sousa Costa.