Não há novo hospital para o Algarve até 2023 avisa Cristóvão Norte

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Segundo o parlamentar do PSD Cristóvão Norte, o governo vai canalizar 950 milhões de euros para novos hospitais centrais ou de proximidade até ao fim da legislatura. Nenhum deles será na região. Norte diz que é mais uma «flagrante menorização do Algarve, sem razão fundamentada».

Uma análise preliminar ao Orçamento de Estado (OE) para 2020 não deixa margem para dúvidas. O governo pretende avançar com o Hospital Pediátrico Integrado (CHU São João), Hospital Lisboa Oriental, Hospital Proximidade Seixal, Hospital Proximidade Sintra, Hospital Central do Alentejo e Hospital da Madeira, nos próximos quatro anos. Ou seja, a aposta em novas seis infraestruturas custará 950 milhões, não havendo um cêntimo para o Algarve, segundo denunciou ao «barlavento», o deputado social-democrata Cristóvão Norte.

«Em abril de 2019, o governo inscreveu essas unidades no plano de estabilidade e investimento, ou seja um compromisso de investimentos a realizar que tem de ser transmitido a Bruxelas. Por via disso, é absolutamente flagrante esta menorização do Algarve, que orçamento atrás de orçamento é desconsiderado sem razão fundamentada ao arrepio de todos os estudos técnicos que assinalam perdas de oferta assistenciais na região. Estudos que sublinham a importância de se construir um novo hospital universitário moderno, capaz de atrair, fixar médicos e suprir um conjunto de estrangulamentos crónicos e a hemorragia trágica que empurra as pessoas quem têm dinheiro para o privado e deixa abandonados aqueles que não o têm, num traste de desumanidade cruel que é o Serviço Nacional de Saúde no Algarve», lamenta.

Segundo a análise preliminar que fez ao OE para o próximo ano, Norte prevê que outro problema algarvio fique por resolver. «Há três meses, o concessionário que iria fazer a requalificação da EN125 anunciou que devido a incumprimentos do Estado, iria rescindir o contrato. E de facto, está inscrita no OE uma verba de 80 milhões de euros para indemnizações. Agora, o ponto que se coloca é outro. Há dinheiro para indemnizar o privado, agora importa saber se há dinheiro para fazer a obra que é isso que interessa às pessoas», alerta.

«Porque a partir do momento em que o privado rescinde o contrato, a obra volta para a mão do Estado». Norte recorda que em janeiro de 2017, o então secretário de Estado das Infraestruturas Guilherme W. d’Oliveira Martins e o ministro do Planeamento e das Infraestruturas Pedro Marques, estiveram em Tavira, onde apresentaram a Jorge Botelho, na altura presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL-CI), um plano no valor de 23 milhões de euros para intervenções prioritárias que se destinavam «a devolver o título de Nacional à Estrada 125», sobretudo entre Olhão e Vila Real de Santo António.

«Disseram que em 2020 já estaria tudo concluído. Até agora, não há qualquer obra», lamenta.