Movimento Mais Ferrovia pede comboios ligeiros para o Algarve

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Movimento Mais Ferrovia submeteu uma proposta para a construção da estratégia para a Ferrovia do Algarve 2050.

O Movimento Mais Ferrovia (MMF), um movimento informal de cidadãos, criado em outubro de 2018, remeteu hoje à AMAL – Associação de Municípios do Algarve e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, bem como ao ministro das Infraestruturas e Habitação Pedro Nuno Santos e ao secretário de Estado das Infraestruturas Jorge Delgado, uma proposta para a construção da estratégia para a ferrovia do Algarve 2050.

Segundo o movimento, no Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030)  «estão previstos largos investimentos no sector da mobilidade e transportes, de 21 660 milhões de euros a afetar a 44 programas, dos quais, 10 510 milhões de euros (48,5 por cento) para a ferrovia, a afetar a 16 programas.

O Algarve, contudo, partilha com o Alentejo e Linhas Regionais um ínfimo investimento de 615 milhões de euros (isto é 5,9 por cento do previsto para a ferrovia), a afetar a dois programas.

Assim sendo, «é urgente que a região do Algarve se empenhe na elaboração de um documento estratégico para a ferrovia do Algarve, que justifique a reclamação junto do governo dos investimentos adequados, com propostas a implementar no curto a longos prazos, definindo prioridades e respetivos investimentos, que tenham em consideração a Linha do Algarve, a Ligação ao Aeroporto de Faro (que inclua acesso à Praia de Faro, Montenegro e Gambelas/Universidade do Algarve) e a Alta Velocidade».

«Se a região do Algarve verdadeiramente aspira a um desenvolvimento equilibrado e sustentável, que a coloque ao mesmo nível de outras regiões importantes do país, deverá ambicionar e se empenhar na concretização deste tão importante desiderato para a mobilidade e transportes», dizem os porta-vozes Amélia Santos, Cristina Grilo, Fernando Pessoa e José Caramelo, numa nota enviada ao barlavento.

O transporte ferroviário «já desempenhou e poderá vir a desempenhar um papel insubstituível na mobilidade da região do Algarve, associado à defesa de valores ambientais e no desenvolvimento regional, facilitando a aproximação do território e das pessoas e efetuando a sua ligação ao país, Espanha e Europa».

Movimento Mais Ferrovia submeteu uma proposta para a construção da estratégia para a Ferrovia do Algarve 2050.

No entanto, a eletrificação da Linha do Algarve, per si, «não basta e nem irá resolver o grande problema da mobilidade na região. O potencial da Linha do Algarve só será plenamente conseguido quando oferecer um transporte moderno, de qualidade e condigno».

Para o Movimento Mais Ferrovia, o futuro deve contemplar:

  • Novo tipo de comboios, mais ligeiros, tipo metro de superfície, adaptados ao transporte suburbano (que permitam, com segurança, o atravessamento da via e adoção de medidas minimizadoras dos impactos negativos derivados da existência da ferrovia em ambiente urbano, onde soluções de reconversão paisagística e embebimento da via ao nível do pavimento poderão ser concebidas, dissolvendo o conceito de barreira que prevalece na opinião pública);
  • Frequência elevada, o que exigirá o aumento do número de pontos de cruzamento de comboios;
  • Reabertura e/ou criação de novas paragens, aumentando a proximidade de acesso às populações;
  • Parques de estacionamento rodoviário (incluindo o ciclável) na proximidade dos pontos de embarque;
  • Compromisso entre o comboio e o transporte rodoviário (incluindo o ciclável), municipal ou outro, promovendo a distribuição de passageiros até aos destinos finais.

Deste movimento fazem parte técnicos e estudiosos com conhecimento do sector e experiência, teórica e prática, em matéria de infraestrutura, transporte e políticas ferroviários.

De ressalvar que, desde esta data, o MMF tem vindo a efetuar contatos e reuniões com diversas entidades com responsabilidades políticas, em matéria de planeamento e infraestruturas, entre os quais, presidentes e/ou vice-presidentes de Câmaras Municipais, deputados do Algarve, AMAL, CCDR do Algarve, anterior e atual ministro com a pasta das Infraestruturas e governo.