Ministro do Mar: Portugal está «na linha da frente» da ação climática

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Ricardo Serrão Santos, ministro do Mar, garantiu aos jornalistas esta manhã em Faro que Portugal está na «linha da frente» do combate às problemáticas ambientais.

Mais de 250 especialistas mundiais em alterações climáticas estão desde hoje reunidos na Universidade do Algarve (UAlg), para prepararem o relatório que irá fornecer aos governos uma avaliação sobre os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas e atividade humana.

Organizado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo das Nações Unidas, o encontro reúne peritos de 60 países que estarão na capital algarvia até sábado, 1 de fevereiro.

No seguimento da sessão de abertura dos trabalhos, que teve lugar esta manhã, no Grande Auditório da Universidade do Algarve, no campus de Gambelas da UAlg, o ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos garantiu aos jornalistas que Portugal está na «linha da frente» do combate às problemáticas ambientais.

«Portugal tem no seu programa de governo a ação climática e a contribuição para um planeta melhor», que, nos próximos anos, se traduzirá «em reformas que têm de ser feitas nas políticas energéticas, nas cidades, na agricultura e nas florestas».

Na opinião do governante, apesar de Portugal não ter um peso significativo na escala geoestratégica mundial, e do comportamento de outras grandes nações, o país deve dar o exemplo.

«Isto é um problema que exige o empenho tanto dos grandes, como dos pequenos. Portugal tem excelente software e inteligência para procurar de facto intervir nas mudanças globais, negociar com outros países e levar também o mundo a um caminho certo», considerou.

Adelino Canário (CCMAR), Rogério Bacalhau (CM Faro), Paulo Águas (UAlg), Ricardo Serrão Santos, Miguel Miranda (IPMA) e Thelma Krug (IPCC).

Na tutela do mar «estamos particularmente preocupados com os problemas que os oceanos sofrem. E não é só a questão dos plásticos. É que o mar está mais ácido, tem menos oxigénio e sofre de correntes quentes. Temos que ter cenários de previsão para a gestão desses ambientes. Estamos também com um programa para uma rede de áreas marinhas protegidas e políticas de reflorestação marinha, porque neste momento é preciso ser mais precaucionário na proteção desses habitats. E temos que assegurar que aquilo que fazemos no oceano não tem impactes gravosos».

No entanto, «as grandes políticas de ação climática têm de ser feitas na reforma da nossa sociedade, com políticas de economia circular, descarbonização e de reforma energética».

Questionado sobre a importância do encontro do IPCC no Algarve, Ricardo Serrão Santos considerou que «Portugal está de facto interessado em acolher grupos de trabalho substantivos como o IPCC, de grandes sínteses sobre o conhecimento ao nível mundial. Aliás, as políticas que nós precisamos não se fazem apenas entre cientistas e políticos, exigem sociedade, indústrias, organizações não-governamentais e todos eles vão ter acesso» ao relatório que está a ser preparado.

O ministro também não escondeu que «alguns países pretendem sair do acordo de Paris, que foi um acordo difícil de atingir. É um acordo que tem compromissos muito importantes e que contém oportunidades para fazer reverter, ou não deixar subir a temperatura do planeta acima de 1,5 graus centígrados. Alguns países estão-se a demitir. Portugal e a União Europeia estão em força neste processo e acho que estamos na linha da frente. Temos que nos empenhar em estratégias de governação nacionais, regionais e locais, ao contexto da mitigação das alterações climáticas para podermos ter um planeta onde é possível viver».

Ricardo Serrão Santos, ministro do Mar, ouvido pelos jornalistas esta manhã, após a abertura oficial do Encontro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) na Universidade do Algarve, em Faro.

Questionado sobre a atual posição dos Estados Unidos da América, Ricardo Serrão Santos admitiu «que de facto, não estão neste momento a bordo. Mas a ciência americana é forte e não é complacente com algumas atitudes. Além disso, há vários estados que têm outras políticas. É bom não cairmos num pessimismo global e acreditar que vamos vencer este desafio».

No final dos trabalhos em Faro, vão sair as contribuições de um dos três grupos de trabalho do IPCC, o qual tem a seu cargo a análise dos impactos, adaptação e vulnerabilidade às mudanças climáticas.

A reunião agendada no Algarve é organizada pela Universidade do Algarve e pelo seu Centro de Ciencias do Mar (CCMAR), a convite do Ministério do Mar.