Ministra elogia projeto da UAlg e promete avanços nos santuários dos cavalos-marinhos

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Ana Paula Vitorino está preocupado com a rapidez com que os cavalo-marinhos estão a desaparecer. Em visita à Estação do Ramalhete da Universidade do Algarve explicou aos jornalistas as medidas que estão a ser tomadas para evitar a extinção da espécie.

A Estação do Ramalhete do Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg), laboratório onde decorrem vários projetos de investigação de organismos marinhos da Ria Formosa, recebeu a visita de Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar, na manhã de hoje, terça-feira, dia 4 de junho.

A governante quis conhecer de perto o que está a ser feito em termos de conservação dos cavalo-marinhos (espécies ameaçadas Hippocampus gutulatus e Hippocampus hippocampus), em particular o projeto «Hipponutre», focado no cultivo em cativeiro.

«Uma das intenções desta visita é contactar com os investigadores para absorver a informação que é necessária para se fazer o planeamento dos santuários. Neste momento estamos em fase de aprovação, em Conselho de Ministros, do Plano de Ornamento do Espaço Marítimo. Estamos também em plena execução do Plano das Áreas Marinhas Protegidas e estamos a começar a conceber os planos de gestão para essas áreas», começou por referir aos jornalistas Ana Paula Vitorino.

Ainda segundo a governante, as causas do desaparecimento da espécie na Ria Formosa ainda não foram identificadas, embora, haja algumas perspetivas.

«Há uma panóplia de razões que devem ser a causa desta redução tão substancial e nós temos de combater cada uma. Para as capturas ilegais é importante aumentar a fiscalização, algo que já está a ser feito. Depois é necessário também a recuperação do meio marinho degradado e a diminuição do número de embarcações turísticas. Por fim, há uma medida que ultrapassa todos nós, que são as alterações climáticas», detalhou Ana Paula Vitorino.

A Ministra do Mar afirmou ainda que é preciso investir na «investigação, recuperação do ecossistema e a adaptação do comportamento humano e das atividades económicas à preservação e à sustentabilidade».

«É preciso, em primeiro lugar, ter projetos fantásticos como este da Universidade do Algarve», sublinhou.

Mas, para a governante, também são precisos «mecanismos de recuperação da costa. Precisamos de pradarias marinhas e de recifes artificiais, para recuperarmos aquilo que fomos perdendo ao longo dos anos. Por outro lado, todos temos uma responsabilidade grande na preservação dos ecossistemas».

«Podemos ter leis, fiscalização, projetos de investigação e de recuperação, mas nós humanos somos os principais predadores dessa espécie e da maioria dos ecossistemas», considerou.

Questionada sobre a problemática das alterações climáticas, a Ministra do Mar afirmou que «todos têm de cumprir a sua parte. É importante a literacia em Portugal, mas também a nível da União Europeia e das Nações Unidas. Precisamos de projetos internacionais. A Universidade do Algarve está a estabelecer parcerias nesse sentido, assim como Portugal, enquanto Estado. Precisamos de soluções globais, além das nossas in loco», sublinhou.

Segundo um estudo efetuado em 2001, a Ria Formosa era a zona de maior densidade de cavalos-marinhos de todo o mundo. Quase duas décadas depois, os novos números apontam para um decréscimo de 90 por cento.

Nesta linha de pensamento, foi decidido, a 30 de abril, a criação de duas áreas de refúgio, interditas a qualquer atividade humana, exceto para fins de fiscalização e investigação, com vista à proteção das populações de cavalos-marinhos e do seu habitat.